Figuras femininas são uma constante nos bordados da artista Michelle Kingdom. São mulheres sozinhas, em grupos, sem rostos definidos, em situações cotidianas ou fantásticas.

Os desenhos são simples, mas as mensagens são fortes. Trazem metáforas, sensações, despertam imagens do subconsciente. Entre linhas e agulhas, Michelle Kingdom cria poesias sem palavras.

Cada obra é uma cena enigmática que parece nos contar uma história. As situações são ambíguas, ao mesmo tempo inocentes e sombrias.

“Eu crio pequenos mundos em linha para captar vozes interiores persistentes e indescritíveis. Trechos literários, memórias, mitologias pessoais e referências históricas de arte informam o imaginário; fundidas, essas influências exploram relações, a vida doméstica e a autopercepção. Simbolismo e alegoria revelam dinâmicas de aspiração e limitação, expectativa e perda, pertencimento e alienação, verdade e ilusão”, conta Michelle em seu site.

Em entrevista ao The Creators Project, a artista diz que teve suas primeiras experiências com bordado nos anos 90, mas só começou a mostrar seus trabalhos poucos anos atrás. Apesar do curto período de tempo desde que sua arte foi revelada, suas obras já foram expostas em museus e galerias por todo o Estados Unidos.

“Eu nunca pensei que a arte poderia ser uma opção de carreira viável, então eu decidi desenhar com agulha e linha como uma maneira de explorar e criar minhas próprias narrativas privadas”.

O trabalho se desenvolveu gradualmente. “Eu prefiro que cada peça se desenvolva de sua própria maneira, não estou interessada em executar apenas uma ideia fixa”.

Michelle diz que em todos seus anos de bordado, no ambiente privado, seu trabalho pôde amadurecer e seguir uma visão focalizada.

“Algumas mudanças externas são evidentes: a escala aumentou, as imagens são mais refinadas, os pontos mais delicados e seguros, a paleta dominada e mais complexa. Mas, na minha opinião, eles são todos pedaços de uma história maior”.

A artista, que vive em Los Angeles, trabalha como professora de pré-escola de dia e borda em seu tempo livre.

“Costurar uma linha simples é como desenhar em câmera lenta – um movimento extremamente lento – sem mencionar o tempo envolvido na renderização da forma e do tom. O processo é frustrante e mágico, e sempre um pouco surpreendente. Ele requer um estado de espírito específico para se envolver completamente com esse tipo de trabalho. O resultado ecoa minha visão de capturar um nebuloso diálogo interno que todos nós temos”, afirma ela.    

Michelle Kingdom bordados

Para mais inspirações, confira os outros bordados de Michelle Kingdom no site e Instagram da artista!

Via.

Stephanie D’Ornelas é jornalista, curitibana e gosta de embelezar a vida com fotografia, arte e cores. Coleciona cartões postais e adora conhecer novos lugares, pessoas e diferentes modos de vida.

Stephanie D’ornelas – já escreveu posts no Follow the Colours.


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