Uma das obras mais conhecidas e também uma das mais enigmáticas de Van Gogh (1853-1890) é a Noite Estrelada (1889). E parte do mistério de suas pinceladas parece ter sido enfim desvendado. Confira!

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Van Gogh é considerado um dos maiores pintores do mundo. E recentemente foi provado que ele realmente era um gênio – tanto por ser um artista incrível, quanto por esta teoria científica, que mostra que ele sempre esteve à frente de seu tempo.

Há mais de 125 anos, diversas pessoas observam as suas obras em museus e exposições, principalmente a “Noite Estrelada”, mas ninguém nunca havia pensado o que talvez, o seu estilo único representa.

Hoje sabe-se que além de ser um gênio da arte, ele também antecipou conhecimentos sobre a física. A conclusão é bem interessante:

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Enquanto Van Gogh estava em um asilo na França, depois de ter mutilado sua orelha durante um episódio psicótico (ou, como alguns dizem, seu amigo Paul Gauguin realmente cortou sua orelha, em uma luta de espada, bêbado, no escuro), o artista foi capaz de sacar um dos conceitos mais evasivos da ciência: a turbulência.

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Embora seja difícil de entender a matemática deste fenômeno até hoje, através da arte, o conceito pode ser facilmente explicado, veja como acontece. Vamos partir do princípio: o que é a turbulência?

Turbulência ou fluxo turbulento, é um conceito da mecânica de fluidos, onde os movimentos desses fluidos se misturam de forma não linear, caótica, formando uma cascata de energia – ou seja, redemoinhos, em oposição a esse fluxo.

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O primeiro esforço teórico relevante capaz de mostrar algum sucesso sobre o assunto é de Andrey Kolmogorov (1945) – que a explicou 60 anos após o artista ter pintado A Noite Estrelada. Andrey criou a teoria sobre o fluxo turbulento, que falava sobre a potência dos “redemoinhos” e como a distribuição de energia se comporta, gerando a tal cascata.

Ou seja, grandes turbilhões de energia, a transferem para turbilhões menores, gerando o efeito circular que o pintor retratou em sua obra.

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É realmente mais fácil olhar para as imagens. Simplificando a teoria, uma turbulência se parece com isso:

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Van Gogh reproduzia com pinceladas, os movimentos dos fluidos e do ar durante uma turbulência, fenômeno físico que ocorre na água (quando um navio aciona a hélice, por exemplo) ou no ar (durante o vôo de uma aeronave).

Acontece que, naquela época, os cientistas estavam praticamente começando a descobrir o tal fenômeno. E então você tem Van Gogh, 100 anos antes de Kolmogorov, em seu asilo, com uma orelha mutilada, totalmente ciente do que poderia estar acontecendo.

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Em 2004, vendo o telescópio espacial Hubble, alguns cientistas detectaram os turbilhões de uma distante nuvem de poeira e gás ao redor de uma estrela, o que lhes fez lembrar automaticamente da pintura de Van Gogh.

Eles notaram a habilidade de Van Gogh para capturar a turbulência em suas obras, bem parecida com a teoria de Kolmogorov. Isso motivou pesquisadores de diversos países a estudar profundamente a luminância (intensidade da luz nas cores sobre a tela), e a verificarem se outros artistas haviam feito o mesmo.

Mas será que outros artistas retratavam a turbulência assim como Van Gogh fez? Não. Nem mesmo em “O Grito”.

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A maioria dos pós-impressionistas usam a luminância em suas pinturas, mas Van Gogh deixa bem claro sua diferença. Ela parece pulsar, cintilar e radiar de forma estranha. Coincidentemente (ou não), as pinturas do período psicótico do artista comportam-se semelhante à turbulência de fluidos.

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Mesmo em sua época mais depressiva, Van Gogh foi capaz de pensar – estranhamente com precisão – em um dos conceitos mais complexos e confusos da natureza e representar os mistérios mais profundos de movimento, fluido e luz.

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Artisticamente, ele conseguiu capturar o movimento de uma forma que nenhum artista jamais fez antes. Cientificamente, ao que parece, ele não fez ao acaso.

Assista ao vídeo abaixo para saber mais: (ative a legenda em português para entender melhor)

Via.

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Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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