Trinta e três anos depois, o estilo Memphis está de volta! Conheça a história, características e veja como está sendo utilizado pelos profissionais hoje em dia como inspiração.

Você pode até não ter escutado falar sobre o estilo Memphis (Memphis Style), mas com certeza já se deparou com alguma embalagem, projeto, produto, decoração ou marca que usa seus padrões e design característicos.

Memphis foi um estilo de design criado por um grupo italiano de designers e arquitetos em 1981. Fundado em Milão por Ettore Sottsass, (que ficou conhecido por pela máquina de escrever Valentina, em plástico colorido, para a Olivetti) o coletivo criava móveis, tecidos, cerâmicas, vidros e objetos metálicos com estética pós-moderna nos anos 80 (período de 1981 a 1987).

Originalmente chamado de ‘The New Design’, o Memphis foi renomeado após os artistas escutarem a canção de Bob Dylan “Stuck Inside of Mobile (With the Memphis Blues Again) que tocava repetidamente na reunião do grupo durante uma noite. Assim nascia um dos movimentos artísticos mais originais de todos os tempos.

Fotos de Dennis Zanone e sua coleção privada de estilo Memphis em sua casa. 

CARACTERÍSTICAS DO ESTILO MEMPHIS

Nas reuniões, ninguém mencionava trabalhar dentro de formas, cores, estilos ou decorações pré-estabelecidas. Depois de décadas de doutrina modernista, Sottsass e os colaboradores desejavam ser libertados da tirania do “bom gosto” inteligente, mas sem alma, no design, ensinada pela Bauhaus.

A solução foi continuar com os experimentos de materiais não convencionais, formas históricas, motivos kitsch e cores turvas iniciadas pelo Studio Alchymia, um grupo de design italiano do final dos anos 1970, ao qual Sottsass e De Lucchi (designer) pertenceram.

Ao se inspirarem nos movimentos da Art Deco e Pop Art, o estilo Memphis começou a ser formado e englobava a estética do kitsch dos anos 50 até estilo futurista dos anos 70. O trabalho do grupo foi caracterizado pelo design efêmero, uso de cores vibrantes contrastando com o preto, decoração colorida, laminados de plástico em móveis, formas assimétricas e geométricas dispostas aleatoriamente e exibidas nos projetos de maneira exótica para a época, além de estampas como as que imitavam a pele de leopardo. 

Estante Carlton criada por Ettore Sottsass, 1981.

O design mais emblemático do grupo é o divisor de sala “Carlton” (acima) projetado em 1981 por Sottsass e ainda disponível para compra hoje por cerca de 23 mil dólares. “Carlton” pode ser encontrado na coleção de muitos museus, e também aparece freqüentemente como cópia em vários lugares.

A estante não convencional apresentava laminados de plástico e prateleiras angulares coloridas desconectadas umas das outras. O design questionava por que uma estante de livros precisava se parecer com uma estante de livros típica. (Imagem: Dixon Gallery and Gardens)

Assim, o coletivo produzia e exibia móveis e objetos de design anualmente, de 1981 a 1988. O resultado foi uma estreia altamente aclamada no Salone del Mobile de Milão, a feira de móveis mais prestigiada do mundo.

Michele de Lucchi, Flamingo (mesinha de cabeceira), 1984. Laminado de plástico e madeira lacada. Imagem: Dixon Gallery and Gardens. 

Sofá Lido criado por Michele De Lucchi, 1982.

MEMPHIS DOMINA CENA DO DESIGN NA DÉCADA DE 80

Após sua estréia em 1981, o Memphis dominou a cena de design do início da década de 1980 com seu estilo pós-modernista e foi se espalhando em revistas em todo o mundo. Houve exposições das peças em Londres, Los Angeles, Tóquio, São Francisco, Nova York e Milão. Apesar do sucesso, o mobiliário colorido do grupo foi descrito como “bizarro”, “incompreendido”, “detestado” e “um casamento entre o estilo Bauhaus e a Fisher-Price”.

Sottsass ficou cada vez mais desiludido com o circo da mídia em torno dele, em 1985 ele anunciou que ele estava deixando o coletivo. Dentro do mundo do design, o estilo Memphis era um divisor de águas. E embora criado na década de 1980, a estética geométrica colorida tornou-se mais popular e amplamente aceito na década de 1990, onde teve impacto no design de móveis, arquitetura e itens domésticos.

O original ‘Apple Watch’, criado em 1995 como um brinde para qualquer pessoa que comprasse o Mac System 7.5 era um relógio com estética Memphis.

Para o Grupo Memphis, os projetos não eram feitos para serem eternos e nem apreciados por todos. Eles deveriam criar uma ruptura com os desenhos rígidos, em que faltava personalidade e que eram tão prevalentes na década de 1970. Foi exatamente isso que aconteceu.

Luminária de mesa Tahiti criada por Ettore Sottsass, 1981.

APÓS 30 ANOS, O MEMPHIS ESTÁ DE VOLTA

Embora o movimento tenha durado um tempo relativamente curto, o impacto de Memphis ainda é muito forte hoje, na moda, na decoração e no design. O surgimento da tendência ressurgiu através de uma série de exposições e artigos sobre pós-modernismo e design na década de 1980, após a morte de Sottsass em 2007.

Com tantas referências fantásticas, os designers estão adaptando o estilo e introduzindo novas cores, geometrias ou padrões para criar interações contemporâneas. O Memphis agora está sendo usado como inspiração e ferramenta de design, enquanto que na verdade foi criado como uma filosofia e uma maneira de trabalhar.

Em 2011-2012, Christian Dior deixou claro a referência do movimento em sua coleção de alta costura de outono-inverno. As influências puderam ser vistas nas saias em camadas de organza bordadas em negrito cobertas com pecinhas brilhantes em forma de cubo. Ettore Sottsass também estava presente no show que, como o movimento original, dividiu as opiniões.

Missoni e Karl Lagerfeld dizem amar a iniciativa até hoje. Karl decidiu decorar sua casa (cima a sala de jogos) completamente de Memphis. O músico David Bowie também foi um grande colecionador de objetos da estética.

Nathalie du Pasquier para American Apparel. 

Mas foi em 2013-2014 que o retorno dos padrões e projetos arrojados do Memphis começaram a voltar, durante a Semana de Design de Milão. Natalie du Pasquier, membro do grupo inicial, trouxe novos objetos ao mundo depois de deixar o design para ser artista e criou estampas ousadas no estilo para marcas bem conhecidas.

Suas criações foram lançadas em parceria com diversos outros designers (como o britânico Sebastian Wrong) e empresas (como a famosa dinamarquesa Hay), além de usados ​​por marcas de moda (American Apparel) e decoração.

Depois disso surgiram outras coleções de roupas dentro do estilo, como a de Edeline Lee em 2016.

Em 2016 também, a famosa marca de decoração italiana Kartell lançou uma homenagem ao Memphis em um evento para celebrar um pedaço de história de design em parceria com Ettore Sottsass (Kartell goes Sottass. A tribute to Memphis”). A explosão de cores havia voltado com tudo.

Atualmente, a designer e artista Camille Walala é uma das ‘representantes’ mais conhecidas por traduzir de forma contemporânea tudo o que o design da estética Memphis representa.

Camille Walala e seu trabalho vibrante. 

camille walala

camille walala

Atualmente, há uma geração inteira de artistas e designers, nascidos nos anos 1980, que estão mostrando influências gráficas e de cores que marcam essa era.

Relógios de Jenny Nordberg, designer industrial da Suécia. 

DIY criado em louça por Mark Montano (aprenda o passo a passo aqui!) 

Luminárias ‘The Macarons’ criadas pelo artista Davide G. Aquine

Grandes marcas também prestam homenagem ao estilo mais exótico que pode ter existido.

Relógio Swatch Memphis. 

Tênis Adidas APS OKI NI Sottsass Memphis, 2005, edição limitada, criado em parceria com a marca Oki-Ni

MEMPHIS E O DESIGN GRÁFICO

No design gráfico a ideia tem se espalhado cada vez mais. É comum vermos motion graphics, identidades, embalagens, estampas e padrões gráficos criados a partir de cores vivas e formas geométricas características do Memphis. Tipografias ArtDeco, padronagens de bolas e listras, e paletas de cores dinâmicas formam belas composições.

Conjunto de cadernos de bolso da Officemilano. 

Vetores criados por Lera Efremova

Fonte Thunderstorm, criada por Aiyari. 

Identidade Bereza por AO2.

Sem dúvida, uma bela influência. E que influência! 

Fontes de pesquisa: Wikipedia, Design Museum, Lofty, Gizmodo, Dezeen, Creative Market

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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