A pintura “O Beijo” é altamente reproduzida das mais diversas maneiras e segue conectada com uma mensagem sobre o amor. 

Tranqüilidade, fantasia e intimidade definem a cena de “O Beijo”, obra executada em óleo sobre tela em 1907-1907, mede 180×180 centímetros;

O artista austríaco Gustav Klimt fez parte do movimento artístico denominado Secessionista e é considerado um pintor precursor do Simbolismo. Klimt foi o primeiro presidente do grupo da Secessão de Viena, formado por artistas que romperam com os padrões artísticos tradicionais da época, indo oposto do realismo, naturalismo e ao positivismo, sendo movido pelos ideais românticos.

Suas obras têm inspiração nos mosaicos bizantinos e a composição de pequenos elementos se tornou a marca registrada de Klimt, mais conhecido pela sua obra icônica “O Beijo”, criada entre 1907-1908.

Após a expiração dos direitos autorais da obra em 1988, 70 anos após  a morte do artista, “O Beijo” passou a ser comercializado de forma massiva, tornando-se estampa dos mais diversos produtos da indústria cultural. Mas muito pouco se sabe sobre a história por trás da arte.

Especialistas explicam que a tela faz parte da fase dourada do artista e tem, de fato, uma estética cintilante e elementos de ouro em sua composição, além de detalhes que simulam ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas.

“O Beijo” retrata sensualidade e erotismo: um homem e uma mulher abraçados sob um tapete de flores; o homem inclinado a beijá-la.

Retrato de Adele Bloch-Bauer I, 1907 – também pintado por Klimt na fase dourada do artista;

As roupas do casal foram pintadas como se fossem mosaicos e se distinguem uma da outra, apesar de estarem muitos próximas, dando a sensação de que ao se abraçarem, os dois se tornam um só.

O fundo dourado da obra não representa algo em específico, deixando os palpites abertos à imaginação do espectador, podendo ser o cosmos ou o nada. O casal flutua apaixonado nesse fundo brilhante.

As flores e arbustos na tela são os únicos elementos que parecem ligar os amantes ao mundo real. O próprio artista cultivava flores e plantas, usando-as constantemente como elemento nas suas obras. E demonstrava o conhecimento do significado simbólico de cada uma delas, as plantas douradas do quadro que contornam os pés da mulher são conhecidas como erva de Parnaso, um antigo símbolo da fertilidade.

O AMOR DE KLIMT

A temática do amor é recorrente nas obras de Klimt, que sempre teve uma vida amorosa intensa, segundo especialistas de arte. Além de “O Beijo”, o artista retrata esse sentimento nas obras “A Árvore da Vida” e “Amor”. No quadro “A Família”, Klimt retrata o amor em outra forma, para além do tipo romântico de casal.

“Qualquer um que desejar saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas e procurar reconhecer nelas o que eu sou e o que eu quero”. – Gustav Klimt

A obra original de Klimt está em Viena, capital da Áustria, no Palácio Belvedere, que abriga a maior coleção do mundo com obras do artista. Ele nomeou a pintura originalmente como “Casal de Namorados”, mas com o tempo ela passou a ser chamada de “O Beijo”.

CONTRADIÇÕES

Alguns críticos de arte, não veem a pintura como uma representação romântica. Afinal, apenas o homem está beijando a mulher. As mãos dela parecem tentar afastá-lo, enquanto ele a segura. Outros estudiosos, vão além e dizem que a mulher esteja morta e sua cabeça decapitada, devido à sua palidez e ao posicionamento no quadro.

Sobre o casal, muitos pesquisadores também afirmam que seria praticamente um retrato de Klimt com Emilie Flöge, (Viena, 1874-1952) – eterna companheira e musa do artista.

“O BEIJO” COMO FORMA DE PROTESTO

Em 2013, o artista Tamman Azzam replicou a obra em uma parede de um edifício bombardeado em Damasco, na Síria, como uma forma de protesto contra a guerra.

“A obra fala sobre a relação entre tragédia e comédia e fala do lugar da arte durante a guerra. Fala de esperança e de como lutar contra a guerra com uma pintura que fala de amor. Usei a obra de Klimt porque é famosa. Com um gesto artístico é possível chamar a atenção das pessoas”, disse Azzam à EuroNews sobre sua criação.

Via/Via.

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade. Escreve um blog sobre meio ambiente, sustentabilidade e consumo consciente. Também se dedica a cozinhar, como forma de prazer e arrisca novas receitas no tempo livre.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


Você também poderá gostar de:
Comentários