O primeiro registro do uso do termo “jardinagem de guerrilha” foi por Liz Christy e seu grupo ‘Green Guerrilla’ em 1973 no Bowery Houston, uma área neglicenciada em Nova York. Liz transformou um terreno abandonado em um jardim. Até hoje o espaço é cuidado por voluntários, mas agora tem a ajuda da administração do departamento que cuida dos parques da cidade.

Mas bem antes de Liz, célebres jardineiros de guerrilha, ativos antes do termo se tornar popular, já agiam na Inglaterra (1649) e nos Estados Unidos (1801). Hoje, a jardinagem de guerrilha acontece em diversas partes do mundo – em mais de trinta países, e continua chamando a atenção de políticos e cidadãos comuns.

Em 2015, foi a vez de Paige Breithart, uma artista e estudante de Hamtramck, Michigan, que estava ficando cansada dos inúmeros buracos nas ruas de sua cidade. Paige resolveu então tapá-los com flores, substituindo a depreciação do asfalto por um símbolo de crescimento e beleza. A história se tornou viral e hoje é possível encontrar pessoas do mundo todo que estão usando as flores como arte de guerrilha e protesto criativo.

Na maioria dos casos, esses projetos de guerrilha não são apenas decorativos, mas uma maneira simples de denunciar o descuido para com a cidade. Existe um elemento ativista por trás da mensagem. Em Bath, na Inglaterra, uma das pessoas que se inspirou em Paige disse:

“Os buracos são um problema real e têm um grande potencial para serem armadilhas e causar até morte para ciclistas, além de explodirem rodas de carros. O objetivo aqui é aumentar a conscientização sobre o perigo”. 

Ao ver buracos nas ruas, pessoas do mundo todo estão embelezando-os com flores

Nos Estados Unidos, o governo local já tem conhecimento do ato e se diz preocupado de que os motoristas possam ficar surpresos ou distraídos pelas flores que aparecem de repente no meio de uma estrada, desencorajando essa forma de protesto.

Mesmo assim, muitas pessoas dizem que não há argumento sobre os resultados. Uma vez que os manifestantes chamam a atenção para o problema, os buracos magicamente aparecem no outro dia pavimentados e preenchidos.

Abaixo, você pode ver uma galeria de buracos ao redor do mundo que receberam flores – em Missoula, Montana, Montreal, Bath, e até na Bósnia e Ucrânia, além de entender um pouco mais sobre a jardinagem de guerrilha.

Arte em forma de protesto: as flores chamam a atenção para as ruas negligenciadas

Jardinagem de guerrilha ou Guerrilla Gardening

É um movimento de ativismo político que consiste em plantar em um terreno ou em algum lugar do qual os jardineiros não têm direito legal para utilização. Frequentemente são locais abandonados ou negligenciados, áreas sem o devido cuidado dos donos ou do governo.

O movimento abrange um leque muito diversificado de ações, mas todas visam provocar mudanças. A terra dos “jardineiros-guerrilheiros” é usada para cultivar plantas, que são frequentemente alimentos ou destinadas a embelezar uma área, atribuindo ali um novo propósito.

Alguns jardineiros de guerrilha realizam suas ações à noite. Semeiam plantas e flores, recuperam áreas com espécies nativas para torná-las mais atrativas. Já outros cultivam a terra durante o dia, sem a preocupação de serem vistos pela comunidade.

Embora o tempo das flores nos buracos seja breve, a mensagem é o que importa

Incrível, não? Conheça outras iniciativas:

Jim Bachor preenche os buracos das ruas com mosaicos. Outros artistas, como NeSpoon e Juliana Santacruz Herrera, seguem na mesma direção, porém, usam materiais diferentes, desde cerâmica, graffiti, até o crochê.

Via.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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