Juliana Helcer transborda a beleza do inesperado em sua arte. Na fusão entre pintura, fotografia e uma linguagem intrigante e expressiva, a artista plástica brasileira convida a sensibilidade humana a uma experiência sincera, livre e elementar.

Formada em Artes Cênicas pela Célia Helena e em Artes Visuais pela FAAP, todas em São Paulo, sua cidade natal, atualmente vive no Rio de Janeiro, cidade na qual escolheu para viver de coração.

O combustível principal para seu universo artístico encontra-se nela mesma: “Toda minha vivência até aqui é que fez de mim o instrumento que sou para criar arte hoje”.

Desde criança, Juliana já sentia sua veia artística de maneira intensa, desenhando e pintando tudo o que via pela frente e lhe chamava a atenção:

“Eu tinha mania de fazer a “planta” de todos os lugares que eu ia, não sei o porquê! Eu era muito pequena mesmo, e sempre dava de presente para meus pais perspectivas dos lugares que eu visitava. Eles foram guardando tudo em uma pasta muito grande, que em breve vou até querer revisitar esse material”, diz Juliana nesta entrevista para o FTC.

Sua criação artística tomou forma a partir da arte ao seu redor, pelos materiais da própria mãe, que também é artista. Com o tempo, começou a trabalhar em escalas maiores, dando contorno à sua trajetória manual.

FTC: Há quanto tempo cria suas pinturas? E a fotografia?

Pintura eu comecei cedo. Fui convidada para fazer uma exposição em SP com 21 anos. Fotografia sempre fui apaixonada, sempre fotografei e filmei tudo. Mas meu olhar para a fotografia aguçou mesmo quando me mudei para o Rio.

FTC: Explique como é trabalhar com pinturas sobre fotografias. E a técnica mista?

É uma paixão. Mistura as 3 coisas que eu mais amo: pintura, fotografia e direção. Ou pintura, fotografia e atuação.

FTC: Quais materiais você utiliza em sua arte, e qual deles mais gosta de trabalhar?

Uso tudo e amo todos! Mas se tivesse que escolher um ficaria com a tinta a óleo.

FTC: Como é o seu processo de criação?

Pergunta difícil essa… Eu diria que existem duas etapas racionais: a escolha de um tema e a fase da pesquisa / e a etapa da execução que seria algo que mistura o indizível com o foco, a persistência, a disciplina.

FTC: Quais são suas influências para a arte?

Sou minuciosamente uma observadora das artes clássicas. Sou apaixonada pela pintura acadêmica. Mas, a internet me inspira muito também, de uma forma diferente. Essa simultaneidade de informações o tempo todo me faz ter uma interpretação de mundo muito pessoal.

FTC: Qual seu artista preferido?

Ah! Impossível responder isso! É tanta coisa boa nesse mundo… mas rapidamente me veio agora Paul Thek e Marlene Dumas no coração.

FTC: Como você descreve sua estética?

Livre.

“Sempre fui movida por uma coragem, uma força maior do que eu, maior do que tudo, e que me trouxe até aqui; a morar no Rio, cidade que eu escolhi definitivamente para viver, a batalhar pelas minhas coisas, pela minha liberdade, pelos meus ideais”.

FTC: Quando você aparece nas fotografias, quem está por trás das câmeras?

Depende. No atelier normalmente um tripé! Nas viagens é outra história.

FTC: Está trabalhando em algum projeto específico atualmente?

Sim. Estou produzindo uma série grande de pinturas.

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FTC: Pode nos contar um pouco sobre a série “Mantras” que mencionou no seu Instagram? Tem a ver com o lindo “El Sabedor”?

Sou fascinada por todos os ritos que envolvem a relação homem x divino. Os Mantras são sons sagrados que atribuem poder às palavras mesmo que através da visão. Estou começando esse trabalho em maior escala, derivado de uma série de estudos em tamanho mini. Ainda não sei qual será o resultado… Sempre dá aquele medo, mas estou motivada! Sim, tem a ver com os Sabedores!

FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos?

A cor não é mais uma linguagem universal como na época do Mondrian. Cada trabalho tem um linguagem e uma relação específica com a cor.

FTC: Qual item é indispensável para você no seu estúdio?

Música.

FTC: O que é arte para você? Como poderia explicar a sua própria arte?

Arte para mim é uma comunicação através de outras esferas que não o intelecto. Minha arte lida de forma sensorial e não de modo cartesiano e lógico, muito usado para compreender a arte de hoje.

FTC: O que a inspira?

O amor.

FTC: Segue algum ritual que considera fundamental para sua expansão criativa?

Meditação.

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FTC: Como é sua relação com a espiritualidade? Ela está presente na sua arte?

Acho que 90% em mim é espiritualidade. Sim, minha arte sempre lida com o transe, a comunhão, os rituais…

FTC: De qual peça você mais se orgulha? Por quê?

Eu diria que tenho muito carinho pelos meus Toys. Mesmo estando hoje em um outro momento de trabalho. Passei por muitos desafios com esses retratos e acho que eles me trouxeram uma maturidade técnica em pintura.

FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Meus cachorros, boa música, natureza, momentos sozinha e pessoas que eu adoro encontrar e dar boas risadas!

FTC: Um filme, uma música e um livro que a representem.

PIAF (filme)  – não é meu melhor filme, mas me representa. Um defeito de cor (livro) – não é meu melhor livro, mas me representa. Trentemoller (banda) – Não são meus preferidos, mas me representam…

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FTC: Uma frase da sua vida.

– ÂME. (Edith Piaf)

FTC: O que mais lhe encanta sobre a vida?

Quando você começa a perceber que nada acontece por acaso, e seu coração transborda de gratidão.

Para acompanhar o lindo trabalho da artista plástica Ju Helcer, você pode segui-la pelo Instagram, acessar seu site, ou dar uma espiada na galeria do Pinterest. Ah! Existe também a sua página no Facebook. Inspire-se!

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Viciada em açúcar, Marina Gallegani é movida pelas forças da natureza e tem fome de liberdade. Jornalista, escritora e fotógrafa amadora, se entrega às cores da vida e sonha com viagens ao redor do mundo. Em constante reconstrução, acredita ser eterna e tem a certeza de que o sorvete é uma das fórmulas da felicidade.

Marina Gallegani – já escreveu posts no Follow the Colours.


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