Pedro Luis já apareceu por aqui com seu projeto 365 pôsteres. O designer e artista visual, inquieto, sempre deu vida à projetos artísticos paralelos fantásticos. Pedro é carioca e formado em Publicidade, já trabalhou em agências até resolver ser freelancer. Desde 2014 mora em São Paulo, onde estudou Artes Plásticas. Foi aí que começou a se dedicar mais às suas artes autorais.

Uma de suas últimas criações fala sobre afetividade e emoções de uma maneira totalmente inusitada. Usando linhas, agulhas, tecidos, fotografias antigas achadas em feiras de antiguidade, sebos, e muito talento, Pedro Luis borda à mão lindas obras cheias de memórias, sentimentos, vontades e lembranças.

Sua última série chamada “Trabalhos Autobiográficos com a Memória Alheia” trazem imagens de pessoas que possuem rasura nos olhos justamente por deixarem de representar o passado, e agora contarem parte de uma nova história, criada por ele.

Conversamos com o artista para saber um pouco mais sobre suas inspirações, processo criativo e referências. Confira entrevista exclusiva:

FTC: Como você preenche atualmente sua bio nos diversos sites e redes sociais em que participa? 

Isso pra mim sempre foi um problema, acho muito difícil esse lance de se definir hehehe, mas atualmente tenho colocado: artista visual e diretor de arte.

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para se interessar pelo bordado? 

Aprendi a bordar ano passado com a Isabella Alves, ela era minha vizinha e dava aulas na sua casa. Eu quis aprender a bordar para ser mais uma ferramenta para o meu projeto final do curso de artes plásticas. E tomei gosto, fiz mais algumas aulas com a Flavia Lhacer.

Descobri um prazer e uma identificação grande com o material, acho por me trazer memórias boas, de ver a minha mãe e avó mexendo com linhas.

FTC: Quando e como resolveu vender suas artes bordadas?

Aconteceu de forma orgânica, assim que comecei a bordar eu fui postando no meu Instagram e começaram a surgir as primeiras encomendas dos trabalhos. E os trabalhos com foto geralmente eu posto e aviso que está a venda. Alguns vendem em questões de horas.

FTC: Qual seu processo criativo no seu dia a dia?

Sou capricorniano, então sou muito rígido comigo mesmo hahaha. Levo muito a sério minha questão de horários e cumprir prazos de entrega prometidos. Então, tento me organizar o máximo para entregar as encomendas, e assim o tempo que sobra eu uso para desenvolver os meus projetos pessoais.

Sempre tenho um cronograma de entregas da semana, e se tenho uma ideia, coloco nesse cronograma para ser desenvolvida também. As minhas ideias não tem muita hora para surgir, então sempre tenho muita coisa anotada no bloco de notas do celular, e muita coisa rabiscada nos meus cadernos que sempre tenho por perto.

Se tenho um pouco de tempo livre, eu sempre vou olhar em um ou em outro pra ver se tem alguma ideia que eu ainda não desenvolvi.

FTC: Você agora também está dando oficinas de bordado. Conta mais sobre isso.

As oficinas eu comecei junto com a minha amiga Patricia Matz. Nós fizemos aula juntos no começo e evoluímos juntos, e assim a gente chegou numa conclusão que a gente já se sentia hábil para ensinar outras pessoas.

Em SP tem muita oficina, mas no Rio tem pouca, então como nós dois somos de lá, aproveitamos as nossas idas e montamos essas oficinas em parceria com a Nanda, nossa amiga do Apezinho.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Tem um monte de novidade: Assinei a ação de dia dos namorados da Dress To, uma marca carioca, onde desenvolvi 4 vitrines originais e uma mini coleção de 3 peças que faz parte da campanha: Amor Feito à Mão por pedroluiss.

Fiz algumas ilustrações com bordado também para a próxima edição da Cause Magazine, ilustrei um ensaio para o zine de dois amigos queridos a Transmeet  – isso tudo para agora junho e julho/17. Na semana passada, lancei uma linha exclusiva de joias que vem em um bastidor bordado com a Registro, a marca de uns amigos.

E dia 12 de julho/17 é a abertura da minha primeira exposição individual que vai ser no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal) no Rio de Janeiro, fica até 3 de setembro. Um momento bem legal!

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Lendo: Eu acabei recentemente de ler um livro incrível que peguei emprestado com uma amiga chamado: A Coragem de Criar do Rollo May – um livro sobre o processo criativo em um modo geral.

Ouvindo: Maglore e O Terno – descobri as duas bandas a pouco tempo e estou bem impressionado pela qualidade! Amando muito.

Idolatrando: Tenho as minhas referências da vida que são o Keith Haring, Basquiat, A. Warhol, Louise Bourgeois, Leonilson, Bispo do Rosário… A lista é grande!

FTC: O que te dá mais prazer nesse trabalho? E o que dá menos?

O maior prazer do trabalho pra mim é a liberdade. E uma coisa que me deixa muito feliz é a identificação das outras pessoas com o meu trabalho. É como eu visse um sentido em estar fazendo aquilo, uma explicação e eu vejo que sou só uma ferramenta de algo muito maior: só dou forma a uma ideia que esta no senso comum.

E o que dá menos prazer, é difícil de responder, eu acho que deve ser a incerteza de grana no final do mês, isso ainda é um problema (que acredito da maior parte das pessoas que trabalham com arte e são freela), mas eu não deixo isso ser um problema maior que a minha vontade de seguir fazendo o que quero, e algo que encontrei tanto sentido.

FTC: E pra finalizar, um bate bola jogo rápido.

Pessoa Incrível? Posso falar minha mãe? <3

Animal de estimação? O Raul, meu cachorro que hoje em dia mora com os meus pais no Rio de Janeiro.

Sobremesa? Torta de Limão, certeza.

Se ganhasse na loteria? Estaria fazendo exatamente as mesmas coisas que gosto, só que sem pensar nos boletos do final do mês.

Pedro Luis também cria bordados personalizados para crianças, adultos e do seu bichinho de estimação! Lindos, não?

Acompanhe Pedro Luis no Instagram. Você também pode adquirir uma de suas obras ou encomendar algo através de seu email: [contato: pedroluisfs@gmail.com].

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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