Por aqui, você já deve ter percebido que valorizamos tudo o que é artesanal, a ressignificação de ideias e materiais, a criação autoral, além de uma boa troca de experiências. É que sabemos que criar algo com as nossas próprias mãos, despertar o lado artístico, respirar e trocar ideias – pessoalmente – com gente que tem os mesmos interesses que nósfaz um bem danado tanto para o corpo quanto para a alma.

Foi pensando nisso que Beatriz Mischiatti e Chris Basilio fundaram em julho de 2016 o Atelier Co.Sturando, na cidade de São Paulo. Um espaço de costura compartilhada (cosewing), um local para encontros, para reacender a paixão pelos trabalhos manuais: a costura, o bordado, a encadernação, o crochê, a cartonagem, a modelagem e tantas outras possibilidades que a arte manual é capaz de proporcionar.

Na verdade, as aulas são um belo pretexto para algo muito maior e mais valioso: a possibilidade de fazer uma viagem para dentro de si, cultivando a persistência, a paciência e a criatividade.

No Atelier Co.Sturando, é possível alugar o espaço e equipamentos por hora, seguindo o conceito dos coworkings. “A ideia de um espaço de costura compartilhada (cosewing) já é comum na Europa e Estados Unidos; e nós queremos difundir essa filosofia, também no Brasil.”, explica Chris Basilio.

A estrutura hoje conta com máquinas de costura caseiras (Singer), uma mesa de corte e uma máquina overlock. Além do clima de compartilhamento, conversa e risadas – sempre acompanhados por um cafezinho recém passado – rola muita conexão, empoderamento, conversas e trocas.

Com uma equipe de professores convidados, o Atelier Co.Sturando quer fomentar a liberdade do fazer. Afinal, existe coisa mais fascinante que criar algo artesanal com as próprias mãos?

Confira entrevista:

Não temos a pretensão de ser uma escola formal. Um dos nossos objetivos é fazer com que as pessoas que têm outras ocupações possam encontrar aqui um refúgio da rotina maluca, de compromissos e obrigações. Queremos criar uma comunidade em que a base de tudo é a troca: de ideias, tecidos, contatos e experiências.”, afirma Beatriz Mischiatti.

FTC: Queria que vocês contassem o que faziam antes e como surgiu o Atelier Co.Sturando.

Eu, Beatriz Mischaitti, e a minha sócia, Chris Basilio, nos conhecemos trabalhando como produtoras de figurino. Para quem não conhece, pode parecer muito glamouroso, mas essa vida de produção é na verdade super corrida e estressante! Fizemos parte de projetos que mal tínhamos tempo para comer, dormíamos poucas horas por dia e vivíamos em estado de alerta e pânico! Em meio a um desses projetos malucos, começamos a conversar e vimos que as duas tinham vontade de ter um espaço para “ser feliz”. Assim, nascia a ideia do Co.Sturando, da nossa vontade de parar.

Passamos um ano discutindo o que realmente queríamos que esse lugar fosse e, no final de 2015, estava pesquisando lugares para nos inspirar e me deparei com um conceito muito interessante: o do cosewing. Nesses lugares, era possível alugar máquinas de costura por hora (como em um coworking) e ainda eram oferecidos workshops variados. Esse conceito resumia muito bem tudo que queríamos: pessoas reunidas para relaxar e compartilhar ideias! Acabamos encontrando um espaço em uma localização ótima e que, por ser em uma casa compartilhada, podíamos bancar o investimento inicial. Assim, em julho de 2016, o Atelier Co.Sturando abriu as portas.

FTC: Como vocês definem o Atelier Co.Sturando?

O Co.Sturando é o nosso refúgio! Ops, ‘nosso’ não! Eu e a Chris somos as idealizadoras desse lugar, mas ele ganhou vida por causa das pessoas que o frequentam, das que dão aula, daqueles que nos ajudam de tantas maneiras. Aliás, somos apaixonadas pela definição de uma das nossas alunas: O Co.Sturando é um lugar onde o tempo tem outro ritmo e trocas acontecem”. <3

FTC: Podem falar mais sobre as aulas e oficinas que acontecem?

Nossas aulas são um resgate de técnicas tradicionais com um olhar contemporâneo. Pesquisamos o tempo todo novos artistas que estejam dispostos a compartilhar seus trabalhos com pessoas que estão em busca de coisas que fujam da sua rotina.

Temos os “básicos”, como: costura, crochê e bordado, e também temos técnicas menos comuns como feltragem a seco, macramê e pintura em porcelana. Na verdade, aqui, a aula é um pretexto para algo muito maior e mais valioso: a possibilidade de fazer uma viagem para dentro de si, cultivando a persistência, a paciência e a criatividade.

FTC: Estamos vendo o retorno de artes que antes eram consideradas “das nossas avós”. Como vocês enxergam esse resgate no meio de tanta tecnologia, rapidez e consumo excessivo de coisas?

Passamos tempo demais preocupados com quantos likes temos no Instagram e esquecemos que a vida real está acontecendo aqui e agora. A tecnologia e as redes sociais são muito importantes, mas não podemos esquecer que nós as controlamos, não o contrário. O mesmo acontece com o consumo. Compramos mais do que precisamos para tentar compensar um vazio que nunca será preenchido com mais roupas, mais objetos, mais tecnologia. É preciso olhar para dentro para encontrar soluções.

Acreditamos que ao retomar esses trabalhos manuais estamos ressignificando lembranças de toda uma geração que cresceu vendo suas mães e avós produzindo peças com as próprias mãos e isso proporciona uma sensação de acolhimento no meio dessa loucura toda que vivemos.

Aqui também é possível se conectar de verdade com o outro. Pessoas com vidas completamente diferentes se reúnem para aprender algo novo e acabam compartilhando histórias, trocam conselhos, experiências e referências. Cada encontro é repleto de troca e isso é muito maior do que um milhão de likes em um post!

FTC: E por que consideram isso importante?

Uma pesquisa de Harvard mostrou que passamos aproximadamente 47% do tempo com a mente em outro lugar que não no presente e isso é a causa de muitos casos de depressão e ansiedade. A solução? Manter a mente no presente! E os trabalhos manuais exigem isso: é preciso estar focado no que está sendo feito neste momento.

Uma outra pesquisa de uma universidade do Canadá indica que realizar uma atividade manual pode ser tão eficiente quanto a meditação para o nosso cérebro.

Vemos o tempo todo que essas atividades aumentam a sensação de bem estar e auxiliam no relaxamento. Ter espaços onde as pessoas possam se desconectar por algumas horas é fundamental! A melhor parte é que elas levam o que aprenderam aqui para casa, para o trabalho, e os amigos e familiares notam essas mudanças.

FTC: O que vocês tem lido, ouvido, visto – que tem tudo a ver com o Atelier?

Como disse anteriormente, o trabalho manual aqui é apenas um pretexto para entrarmos em contato com um outro lado nosso: para viver com menos pressa, mais atenção e com mais compaixão por nós e pelos outros. Depois que entramos nesse slow way of life passamos a pesquisar muito sobre bem estar e comportamento, por isso lemos e vemos muitos documentários sobre o tema. Os nossos livros preferidos são: Better Together, do Simon Sineak e a A coragem de ser imperfeito, da Brené Brown.

Adoramos as palestras do TED e recomendamos a do psiquiatra Robert Waldinger que é um estudo de Harvard que já dura 75 anos sobre a felicidade e o documentário Happy (tem no Netflix!). Também adoramos o autor Carl Honoré, que popularizou o termo “Slow movement”.

Buscamos criar um ambiente aconchegante e tranquilo no Co.Sturando, então ouvimos muita música o tempo todo! Ouvimos de tudo um pouco, mas sempre coisas tranquilas, como Pauline Croze, Gaby Moreno, Natalia Lafourcade, Jorge Drexler, Carla Morrison, Céu, Dani Black, Silva…!

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Há dois meses nos mudamos para nossa “casa própria”! Nesse lugar novo estamos com mais espaço para realizar ainda mais cursos e eventos. Nosso objetivo é seguir sendo esse ponto de encontro para as pessoas que já perceberam a necessidade de parar de correr e promover ainda mais encontros e trocas. Inclusive, para nós, trocas ficam ainda mais ricas quando feitas por pessoas muito diferentes, por isso adoramos receber pessoas de todos os gêneros e idades!

Além disso, por conta das redes sociais, nossa mensagem chega a todos os cantos do país, mas não temos como estar em todos os lugares ao mesmo tempo! Então, estamos criando uma “Rede Craft”. Vamos mapear lugares que têm a mesma pegada que o Co.Sturando para encaminharmos as pessoas que gostariam de vir aqui, mas estão muito longe. Queremos espalhar o que vemos acontecendo aqui e sabemos que isso só é possível se feito em conjunto!

Vai lá: Atelier Co.Sturando

Rua Oscar Freire, 2220 – Pinheiros. São Paulo, SP.

Whatsapp: (11) 99456-7503  / e-mail: contato@ateliercosturando.com.br

Saiba mais sobre o Atelier Co.Sturando no site. Acompanhe a agenda de cursos no Facebook e Instagram.

Imagens: Marianna Oliveira

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


Você também poderá gostar de:
Comentários