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Cor do tédio, do antiquado e da crueldade. Sem caráter, o tom representa todos os sentimentos sombrios, o terrível e o insensível. Relacionada a velhice, esquecimento e passado, os mais modestos dizem que o cinza é pobre.

Os pintores também não gostam muito, mas não podemos negar os 65 tons diferentes de cinza catalogados pelo homem tem seu valor. Não, não são 50 tons, como diz o livro e filme que fez muito sucesso por aí. Cor conformista, da neutralidade e sutileza, combina com tudo – desde tons claros até escuros – dependendo do que está cercado.

E depois de tudo cinza, o que acontece? O sol aparece e mostra o esplendor das cores. Sendo assim, é totalmente relacionado a tristeza. Inspire-se com essas 50 curiosidades interessantíssimas sobre a cor:

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1 – Ao contrário do que muita gente pensa, não são 50 tons de cinza. São 65 nuances catalogadas pelo homem, entre eles, as mais conhecidas: cinza asfalto, chumbo, sépia, elefante, entre outros;

2 – Para o artista, é importante diferenciar o cinza quente do frio. O cinza quente seria avermelhado; o frio, mais azulado. Quando misturam-se as duas cores complementares, como amarelo, violeta e acrescenta-se o branco, obtém-se o tom. Esse tipo contém cores quentes e frias; é o chamado cinza neutro;

3 – Toda cor que se mistura ao branco e preto fica turva, sombria. Como vimos acima, existe o cinza azulado, avermelhado e amarelado, mas não existe um cinza luminoso. Por isso mesmo que as cores contrárias dele são o amarelo e o laranja, consideradas vibrantes e alegres;

4 – Muitos não consideram o cinza uma cor. Teoricamente, ela é acromática, assim como o branco e preto. Psicologicamente, é fraca demais para ser considerada masculina ou feminina, não é quente nem fria, não é mental e nem material. Nada é decisivo no tom, tudo é vago. Por isso, é considerada sem caráter. Quanto mais próximo fica do preto, mais dramático e misterioso se torna. Quanto mais perto se chega do prata ou branco, mais esclarecedor e animado se torna;

5 – É a terceira cor menos apreciada no mundo, ficando atrás apenas do marrom (20%) e rosa (17%) com 14% dos votos;

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6 – Segundo pesquisas, apenas 1% dos homens citam a cor cinza como preferida. As mulheres não apreciam muito esse tom. Quanto mais idade os entrevistados tem, menor a apreciação pela cor;

7 – Considerada sem força, medíocre, tediosa, velha e sem nenhum embelezamento, é de fato a cor da tristeza. Dizem que a associação à isso muito provavelmente tem início na infância quando aglomerações de nuvens em épocas de chuva costumam enclausurar a maioria dos pequenos em suas casas, impedido-as de sair e brincar. A cor do céu é associada ao desagradável, solidão e felicidade impedida, fixando esse sentido até o momento da morte das pessoas;

8 – Cor conformista, combina com tudo – de tons claros aos escuros – depende do que está cercado. Na decoração isso pode ser visto como uma qualidade;

9 – Psicologicamente, o cinza é a cor de todas as adversidades que destroem a alegria. Quer um exemplo? Os dias de Carnaval terminam na quarta-feira de cinzas;

10 – Nos Estados Unidos, as regiões onde o desemprego costumar ser alto são chamadas de “áreas cinzentas” (grey areas);

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11 – Dizem que os que se preocupam demais, adquirem uma expressão cinzenta no rosto – os cabelos ficam grisalhos, a pele pálida. A expressão “não vá ficar de cabelos brancos/grisalhos” equivale a dizer “não se preocupe”;

12 – As plantas cujas folhas são cinzentas, se tornam símbolo de tristeza, de algo ‘sem vida’. Isso vem desde a Idade Média, quando os ramos de alecrim (enfeites típicos de jazigos – que ficam da cor quando secos), eram usados como enfeite em túmulos e considerados a planta do ‘amor enganado’;

13 – Tempos cinzentos é também uma expressão usada no sentido figurado, que traz uma rotina sem graça e o aborrecimento (até em dias de sol). A cor passa a ser do antipático, do mau, do ruim, do hostil;

14 – Um estudo provou que o mundo é literalmente cinza para as pessoas que sofrem de depressão. A pesquisa revela que a doença causa uma alteração fisiológica na visão, levando à perda de sensibilidade na vista e fazendo com que os pacientes enxerguem a vida literalmente nesses tons; (Saiba mais aqui.)

15 – Essa pode ser a razão também para explicar o motivo de tantos artistas ao longo dos tempos, independentemente da cultura ou língua, retratarem os sintomas da depressão usando símbolos da escuridão usando tons em cinza, como na tela ‘O Velho Guitarrista‘ de Pablo Picasso, produzida em 1903;

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16 – Na literatura, temas que não são interessantes para leigos ou livros que não se encontram facilmente em bibliotecas, são chamados de “literatura cinza” ou “catálogos cinza”;

17 – A característica mais positiva do cinza é ao se juntar com o azul e branco. Isso passa reflexão e valoriza o tom. Mas quando falamos em insegurança, o cinza aparece ao lado do amarelo da falsidade, do rosa da ingenuidade e do marrom na burrice, efeitos sempre negativos;

18 – Em alemão, a própria língua denota seu aspecto malévolo. O cinza (grau) gera o grauen (o terror, o horror) e o grausen (cruel). Em português, cinza deriva do Latim cinis, “material sobrado de um processo de combustão, cinzas”;

19 – No sentido jurídico, uma “zona cinzenta” significa um campo difuso entre o que é permitido e o que já é proibido. Quem age nas zonas cinzentas usa as lacunas que existem nas leis;

20 – Já o “mercado cinza” não é tão ilegal quanto o “mercado negro”. No mercado cinza, as normas sobre o comércio e os preços são eludidas;

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21 – Todos os sentimentos mantidos em segredo se tornam cinzentos. O cinza é uma das cores da avareza e da inveja;

22 – No mundo animal, é a preferida para a camuflagem. Muitos animais são cinzentos, principalmente os noturnos. Corujas, morcegos, mariposas, mosquitos. Os da terra, a mesma coisa, como exemplo, algumas raças de cachorro, o elefante e a baleia;

23 – Na decoração, tecnologia e na moda, o cinza é considerado a cor da neutralidade e sutileza. Não é a toa que sempre é combinada com outros tons mais fortes como verde, amarelo, laranja, azul. Neste caso é considerada futurista, moderna, inovadora, imparcial. Não precisa ir muito além, basta pensar no curinga que é um sofá cinza dentro de casa, no design escandinavo ou nos produtos da marca Apple;

24 – Velho e cinza – eis uma associação internacional. Sua origem é óbvia: tanto faz se a pessoa é loira ou morena, na velhice todos ficam grisalhos. O cinza aparece também na palavra greis (velho em alemão), assim como na palavra grisalho, que vem do francês gris;

25 – As “cinzas” simbolizam as coisas destruídas. Portanto, também é considerada a cor do esquecimento e do passado. A imposição das cinzas remonta o século X, na Cristandade europeia, e marca o início da Quaresma;

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26 – Na arte, a técnica de pintura cujo colorido é feito totalmente em tons de cinza chama-se crisalho. É um cinza sobre cinza, também chamada de pintura em cores mortas. A estética é algo bem parecido com um esculpido em pedras. O artista Giotto usou em 1310 na Capela de Arena, em Pádua, em sua obra intitulada ‘Os Sete Vícios: Desespero, Inveja, Incredulidade, Injustiça, Ira, Inconstância, Insensatez‘;

27 – Até o século 19, os artistas criavam os pigmentos de cinza pela simples combinação de preto e branco. Rembrandt Van Rijn, por exemplo, normalmente usava branco, chumbo ou carbono e marfim, juntamente com toques de azul e vermelho para esfriar ou aquecer o cinza. No início do século 19, um novo cinza, cinza de Payne, apareceu no mercado. O Cinza de Payne é um escuro azul-cinza, nomeado após William Payne, um artista britânico que pintou aquarelas no final do século 18;

28 – A obra de arte mais famosa pintada em cinza sobre o cinza é o quadro Guernica (1937) de Pablo Picasso. Guernica é uma cidadezinha do norte da Espanha cuja população, durante a guerra civil, foi totalmente dizimada por bombas. O quadro retrata as vítimas do assassinato em massa;

29 – Até hoje, freiras e frades fazem três votos: o de pobreza, obediência e castidade. Todos vestem hábitos cinzentos desde o tempo em que as lãs de antigamente nas roupas não eram tingidas, assim como o marrom, significando humildade e insignificância. O manto de Cristo, a Rocha Sagrada, também é retratado como cinza. Os peregrinos também sempre usaram a cor;

30 – A roupa da Cinderela (Gata Borralheira) foi baseada neste conceito também. Ela vestia-se de marrom e azul acinzentado, passando a imagem de ser humilde e também ‘insignificante’, até ser descoberta pelo príncipe;

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31 – Muitos nomes de mulheres (principalmente no exterior) derivam da cor cinza, como por exemplo, Griselda, Cindy, simbolizando a modéstia e a humildade;

32 – Todo material quando cinzento dá a impressão de ser menos valioso: o papel reciclado, plástico, farinha. Essa desvalorização afeta inclusive materiais nobres como mármores, porcelanas. Por isso, antes era muito difícil encontrar um artigo de luxo em uma embalagem da cor, já que antigamente era muito associado ao barato, dando a impressão de ser grosseiro e bruto;

33 – Cinza é uma cor que absorve a sujeira. Essa era a premissa também para decidir as roupas dos órfãos antigamente. Assim se vestiam os desamparados acolhidos em asilos e até hoje é o uniforme de alguns presídios, associando-os também com a pobreza;

34 – No século XIX, as costureiras de Paris usavam vestidos simples dessa cor. A capital da moda contava com diversos profissionais na época dos anos 1800-1900. Em função do tom de suas roupas, essas mulheres passaram a ser chamadas de grisettes (em francês, cinza = gris). Eram moças de famílias mais pobres que trabalham com um salário bem miserável e por isso confeccionavam suas roupas com os tecidos mais baratos em que a sujeira era menos notada. Mais tarde, Grisette chegou a ser sinônimo das prostitutas também;

35 – O provérbio alemão grauer Maus (rato cinza) também significava mulheres que passavam desapercebidas, que não tinham nenhum atrativo sexual na época;

36 – A cor também era comum para uniformes militares; na época dos rifles com maior alcance, os soldados vestidos assim eram menos visíveis do que aqueles em azul ou vermelho. O cinza foi o tom dos uniformes do exército na guerra civil americana e do exército prussiano durante a guerra franco-alemã de 1870;

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37 – O típico terno masculino cinza virou moda e passou a ser muito usado pelos homens no século XIX. Muitos odiavam justamente pela associação com a pobreza. O filósofo Friedrich Theodor Vischer lamentava-se (1850) dizendo: “Recentemente chegou-se ao cinza. E com motivos de sobra: o corte insosso e anódino tinha mesmo que combinar com a cor do uniforme dos órfãos; a indolência perfeita é incolor, até mesmo o preto seria demasiadamente assertivo; cinzenta, cinzenta, como por dentro das almas, a indumentária deve ser.”

38 – Em 1930, o pintor e teórico das cores Hans Adolf Buhler também dizia sobre os ternos da cor: “Cinzento por dentro e por fora, assim é o homem de hoje, leitor de jornais”;

39 – O alfaiate Umberto Angeloni também se queixava contra a cor por volta dos anos 2000, quando a moda entre os designers era usar terno, camisa e gravata cinza, todos da mesma cor. “Diante de alguém que veste cinza sobre cinza sobre cinza, pensa-se apenas uma coisa: no nada. Um nada gigantesco e absoluto.”

40 – Na Teoria das Cores, Goethe dizia que a soma de todas as cores era o cinza – e não a luz branca como Newton propunha. Para Goethe, todas as cores se produziam a partir dela, do turvo, ao serem misturadas. A tragédia de Goethe é que ele não diferenciava o que era “mistura aditiva” (somatória da luz colorida do arco-íris, em que obtém-se a luz branca – que propôs Newton)) e “mistura subtrativa” (somatória de matérias corantes, em que teremos o cinza/preto). Goethe não queria acreditar que elas obedeciam leis diferentes do que as cores de sua caixa de aquarela (mistura subtrativa), mas acredite, ele não foi o único a querer provar isso. Suas últimas palavras antes de morrer foram: “Mais luz!” – seu grande e eterno problema;

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41- No dia 11 de setembro de 2002, a página de abertura do Yahoo mudou as cores da home para preto e tons de cinza em sinal de luto no aniversário de um ano dos atentados terroristas nos EUA;

42 – No filme “Os Passageiros”, toda vez que a cor cinza aparece (como em um lençol, carta ou envelope), uma verdade sobre o acidente da trama é revelada;

43 – 50 Tons de Cinza de E.L. James é um título interessante. A autora disse que escolheu o sobrenome Grey porque no livro, nada é preto ou branco. Ela não julga Christian Grey pelo comportamento e sim, por sua vida cheia de “tons”. Esses tons seriam as diferentes facetas da vida do personagem. Em uma conversa com Anastasia, Christian conta um pouco sobre sua infância e diz que tem uma alma atormentada, é um homem com muitas “nuances”;

44 – A cor que seus olhos veem quando você está na total escuridão não é o preto, mas sim, um cinza escuro que é chamado de Eigengrau;

45 – O primeiro uso registrado do cinza como um nome de cor no idioma Inglês foi em 700 Antes de Cristo;

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46 – De cima, em um avião, as nuvens parecem perfeitamente brancas. Mas no solo, o céu parece sombrio e cinza. Isso acontece porque se você olhar de baixo para cima, verá pouca luz do sol que é capaz de ali atravessar;

47 – Na impressão gráfica, o cinza é normalmente obtido através do modelo de cores CMYK, usando ciano, magenta, amarelo e preto. A cor pode ser produzida tanto usando preto e branco, ou através da combinação de quantidades iguais de ciano, magenta e amarelo. Existem vários tons de cinza disponíveis para uso com HTML e Cascading Style Sheets (CSS), enquanto 254 verdadeiros cinzas estão disponíveis pela especificação dos valores RGB;

48 – Em 1900, os monges cistercienses não admitiam nada de colorido em suas igrejas (nem mesmo as vidraças), pois achavam que a luz colorida causada prejuízos à suas adorações. Desse modo, paredes, janelas de suas igrejas sempre foram todas ornamentadas com pinturas em tons de cinza e branco;

49 –  A substância que compõe o cérebro é muitas vezes referida como massa cinzenta, ou “as pequenas células cinzentas”, fazendo assim, a cor cinza ser associada com o intelectual. No entanto, o cérebro humano vivo é, na verdade, rosa; ele só fica cinza quando morto;

50 – Tudo nos faz pensar que realmente, segundo a psicologia das cores, a cor não tem energia; não é nem tranquilizadora nem calmante, nem estimulante, nem emocionante, nem agradável, nem convidativo. Mas se for combinado com outras cores, ela definitivamente pode proporcionar energia e vida!

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Textos baseados na obra de Eva Heller (A Psicologia das Cores – Como as cores afetam a emoção e a razão) e outras fontes revisadas como Wikipedia.

Imagens: Shutterstock, Pexels, Unsplash, Pinterest.

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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