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Por aqui você já ficou sabendo várias curiosidades sobre a cor azul. É a favorita de 45% das pessoas do mundo e possui 111 tons diferentes nomeados. Isso até o momento. Recentemente, cientistas da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, descobriram por acidente uma nova tonalidade, mais intensa e muito brilhante. Chamada de YInMn, a cor é tão durável, segura e atóxica e seus compostos são tão estáveis – que mesmo em contato com óleo e água – ela não desbota.

Tudo começou em 2009, quando o professor Mas Subramaniun do Departamento de Química da Universidade Estadual do Oregon fazia experiências com materiais eletrônicos. Sem querer ele obteve um pigmento vibrante de azul formado pelo aquecimento de óxido de manganês, índio e ítrio em um forno a mais de 1.200 graus Celsius. A intenção de Subramaniun e seu grupo de pesquisa não era criar um novo pigmento, mas sim, novos materiais para aplicações em eletrônica em estado sólido. O resultado foi um péssimo condutor de eletricidade, mas com uma cor tão incrível que chamou a atenção do chefe da equipe.

Agora, eu sei que você está pensando. Como podemos ter uma cor “nova” no mundo? Sabemos que a luz branca contém todas as cores do arco-íris. Presumivelmente, isto significa que todas as cores concebíveis foram descobertas, certo? Bem, não exatamente. Nós sabemos que existe um espectro completo de cores, mas muitas delas não foram criadas ou observadas na vida real.

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Algumas explicações para você entender melhor: o arco-íris possui uma gama de comprimentos de onda de luz. Cada um dos pigmentos de cor tem um perfil espectral, que mostra os comprimentos de onda da luz que é absorvida e refletida por ela. De um modo geral, um pigmento é a cor do comprimento de onda da luz que é mais refletida. Um exemplo disso são as plantas. Plantas tem muita clorofila, por isso parecem verdes – porque a luz verde da substância é refletida mais do que qualquer outras das outras cores presentes ali do arco-íris.

O novo pigmento YInMn é formado por uma estrutura única que permite que os íons de manganês absorvam o comprimento de onda de luz vermelha e verde, enquanto reflete apenas o azul. E o azul é a cor mais difícil de se obter porque você precisa absorver o vermelho, segundo pesquisadores. Ou seja, uma descoberta acidental e muito feliz.

Para você ter ideia, os egípcios foram os primeiros a desenvolverem os pigmentos sintéticos azuis. Chamado de azul cerúleo, ele é encontrado em muitos tesouros arqueológicos até hoje, já que eles usavam em tudo o que achavam digno de ser realçado: papiros, estatuetas, amuletos, olhos e etc. Porém, desde a Antiguidade, várias civilizações já tentaram desenvolver um pigmento da cor mais próximo da perfeição. Outra vantagem é que, diferente dos que usam cobalto, que pode causar câncer, o YinMn não é tóxico.

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Subramanian reconhece não saber exatamente de onde veio a tonalidade – a cor natural dos elementos usados na mistura feita por seu estudante foram o preto e branco. “A estrutura cristalina básica que estamos usando era conhecida antes, mas ninguém tinha pensado em um uso comercial, incluindo seu uso em pigmentos. Desde que os egípcios desenvolveram alguns dos primeiros azuis, a indústria de pigmentos luta para tratar de problemas como segurança, toxicidade e durabilidade.”

“Eu trabalhei para a empresa (de tintas) DuPont no passado. Percebi que tínhamos encontrado um bom pigmento. A tonalidade não apenas era quase perfeita, muito parecida com a do lápis-lazúli, como também apresentava durabilidade, estabilidade e resistência que nunca tinham sido observadas em outra cor azul disponível no mercado. O chamado YInMn blue pode refletir o calor. Logo, se for usado para pintar edifícios ou carros, pode mantê-los mais frescos”, afirmou o pesquisador.

Agora, o YinMn está pronto para a comercialização – e poderá abrir as portas para outros novas cores. A ideia é tentar reproduzir o “acidente” ocorrido em 2009 e descobrir novas tonalidades, segundo a Universidade.

O artista Van Gogh costumava dizer: “Eu não me canso da cor azul“. Alguém discorda dele por aqui?

Via/Via.

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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