Esses brincos, pulseiras, tiaras e colares chamam a atenção por onde passam. Não à toa. Eles trazem brinquedos e outros materiais que iriam para o lixo transformados em fantásticos e coloridos acessórios. A ideia é da designer e figurinista Juliana Morais, que conta que além da estética cool, as peças de sua marca chamada Ecool são sustentáveis, resgatam a memória afetiva e as lembranças da infância.

Juliana resolveu lançar a Ecool em fevereiro de 2016 e celebrar o slow fashion, o eco friendly e o feito à mão, além de apresentar ao mundo seu design divertido e diferente. Os materiais, todos reaproveitados (upcycling), vem de parcerias com lojas, fábricas de brinquedo e ateliês de decoração. Além disso, ela garimpa objetos em feiras de antiguidades, bazares, brechós e tem a doação de pessoas físicas. São Legos, cabeças de bonecas, soldadinhos, cubos de Rubik, pompons e outros berloques que fazem qualquer pessoa brilhar!

A ideia fora da caixa foi tão bem aceita e deu tão certo que já rendeu bons frutos em 2016. A Ecool ganhou o Prêmio Iniciativa Jovem da Shell e o Selo Sustentável da Shell que atesta a viabilidade comercial, inovação e sustentabilidade da marca.

Confira a entrevista exclusiva que fizemos, saiba mais sobre a marca e suas inspirações:

FTC: Juliana, conta pra gente um pouco sobre você e como chegou até a criação da Ecool;

Bom, meu nome é Juliana Morais, sou figurinista e designer de moda. Sempre fui muito ligada às artes e moda desde criança (via minha mãe costurar e criar diferentes coisas toda semana em casa) e isso se refletiu total no que faço hoje. É muito engraçado isso, porque quando eu tinha 9 anos comecei a fazer bijuterias para vender e hoje com 30 depois de percorrer um longo caminho, é o que eu faço para viver. Amo criar, seja uma roupa, acessório, um bordado ou até pegar um objeto quebrado e consertá-lo dando nova cara a ele.

Trabalhei em algumas marcas de moda carioca no estilo, design gráfico, marketing e até desfile. E foi numa delas que comecei a prestar atenção no quanto é jogado fora de tecido. Metros e metros iam pro lixo todo dia! Nesse mesmo momento eu estava acabando a faculdade de Design de Moda e aproveitei esse exemplo tão próximo para fazer meu projeto final sobre a sustentabilidade na moda, criando uma coleção toda feita com reaproveitamento de tecidos dessa marca.

A partir desse estudo e de entrevistas concluí o quanto as pessoas ainda têm preconceito com o sustentável com uma visão de que é feio, eco chato ou brega. Fiquei pensando nisso e me deu vontade de criar algo que tirasse esse pensamento. Foi assim que nasceu a Ecool, uma marca de acessórios eco friendly, sustentável, que celebra o slow fashion e o feito à mão, com um design cool, lúdico, diferente, divertido, chamando atenção por onde passa e resgatando a memória afetiva que temos com os brinquedos.

FTC: A gente já falou bastante aqui sobre o lowsumerism, sobre marcas slow fashion e a conscientização do consumidor. Onde e como a Ecool se encaixa nisso?

Temos em nosso DNA exatamente esses conceitos. Nossas peças são feitas de modo artesanal, à mão e grande parte delas são peças únicas. Nosso processo de criação é todo ao contrário de uma marca de moda como a gente conhece. Não escolhemos os brinquedos que vamos trabalhar, ele chega até nós através de sobras que seriam descartadas e a partir daí pensamos como ele pode ser trabalhado para se chegar no resultado final que é um acessório de moda.

Além disso, queremos chamar atenção do nosso consumidor para a conscientização do slow fashion e da sustentabilidade, e em breve estaremos lançando nosso canal com vídeos bem explicativos e com a cara jovem da marca.

FTC: Qual foi primeira peça que criou e o que ela hoje representa para você?

A primeira peça foi um brinco de globo que foi peça única e até hoje recebemos perguntas se ainda tem. É uma peça bem representativa, porque o que a gente faz, e quer é cuidar da terra e propagar para todos a mensagem da sustentabilidade através dos acessórios.

FTC: Vocês tem peças totalmente divertidas e coloridas. Qual a dica que vocês dariam para quem quer usa-las?

Acho que cada um vai acabar colocando as peças conforme o seu estilo. Como são bem chamativas, elas por si só já são a peça chave do visual. O importante é se sentir bem e sustentar, porque com certeza alguém vai perguntar sobre elas.

FTC: Da onde vem a inspiração para criar as peças feitas com brinquedos?

A inspiração real mesmo vem dos próprios brinquedos. A gente não segue uma tendência porque é algo muito único. O que prestamos muita atenção na hora de criar é com os materiais do brinquedo e as possibilidades de manipulação dele, já que ele não foi feito com essa finalidade.

Temos algumas musas da marca que sempre estamos prestando atenção e gostamos muito do estilo, como a Karol Conka (que usa nossas peças), a Magá Moura, meninas do squad londrino Confetti Crowd e as Fairy Kei no Japão.

FTC: Uma frase que define a a “vibe” da Ecool;

Ser diferente, lúdico, e eco é cool.

FTC: O que dá mais prazer neste trabalho? E o que dá menos?

Acho que o que dá mais prazer é ver o reconhecimento das pessoas e principalmente quando eu encontro alguém na rua usando e sei que salvei o meio ambiente de mais um descarte. E o que dá menos é não conseguir tantos parceiros quanto o que nós queríamos e saber que muitas das fábricas que conversamos falam uma coisa, mas na prática fazem outra e assim não apoiam a gente na hora do seu descarte.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Estamos trabalhando em algumas mini-coleções novas que serão lançadas em Maio, sendo uma delas toda de peças únicas em homenagem às mulheres. Vamos lançar nosso canal no Youtube com nossos vídeos, e por fim um projeto social que começará no segundo semestre do ano.

Acompanhe a Ecool no Facebook e no Instagram. Compre as peças aqui.

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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