Criações incentivam o consumo consciente, a produção artesanal e a valorização do trabalho local. Conheça essas fantásticas marcas brasileiras independentes de joias de madeira. 

A pauta da sustentabilidade tem sido cada vez mais discutida nos dias de hoje e, aos poucos, percebemos como é uma questão importante em diversos aspectos, sejam eles sociais, econômicos, éticos ou ambientais.   

No Brasil, o ramo da moda é um dos pioneiros a abraçar a causa e a colocar em prática uma nova forma de se produzir e consumir. Assim, é crescente o número de marcas criadas por pequenos produtores que acreditam no reaproveitamento de materiais e ressignificação, valorizando o tempo necessário de produção manual e um comércio justo.

Pensando nisso, selecionamos algumas marcas brasileiras de acessórios que têm como material principal a madeira descartada e fazem esse trabalho de unir a sustentabilidade com a criatividade, estimulando o consumo consciente, a valorização de cada produto e fortalecendo uma nova maneira de se comprar.  

Confira suas histórias e inspire-se com as exclusivas joias de madeira:

1 – Design Côté – acessórios unem materiais veganos e de descarte 

A Côté surgiu a partir do olhar diferenciado da arquiteta Priscila Berselli para algo que até então era descartado. Durante sua pós-graduação, Priscila se aprofundou em estudar a concepção de móveis de madeira e se encantou com a versatilidade do material. Foi aí também que ela notou uma grande quantidade de materiais descartados pelo setor moveleiro – incluindo madeiras de tipos mais simples até algumas mais nobres, como as madeiras de lei.

Em 2014, junto com a arquiteta Samille Machado, começou a criar acessórios feitos a partir do que era reutilizável. As primeiras peças ainda eram protótipos e foram feitas para uma feira de rua de Porto Alegre. Atualmente, a Côté faz parte do Coletivo828 que também engloba outras marcas sustentáveis e criadas por mulheres, como Ada, Brisa Slowfashion, Cria, SALL, Shieldmaiden e Valéria Sá.

A preocupação com o meio ambiente e a valorização em ser uma marca sustentável se reflete em toda a cadeia produtiva da Côté. Inspirada pelo conceito de upcycling, Priscila busca trabalhar com os resíduos, sem que novos recursos precisem ser aplicados para o seu uso. “A ideia é que os produtos surjam a partir dos materiais”, explica.  

Além da madeira, outros materiais de descarte como pó de cimento, mantas, pisos de borracha, chapas de circuito elétrico e retalhos de chapas metálicas ganham destaque, diversificando a produção dos acessórios.

Outro ponto de destaque é que a marca é vegana e não utiliza nenhum material de origem animal. Todas as peças recebem o nome de algum artista, arquiteto ou designer que inspiram sua criadora.    

Site: designcote.com – Instagram: @designcote. Imagens: Marcelo Donadussi e Morgana Mazzon. 

2 – Utrópica – marchetaria em madeira reaproveitada

Por trás dessa marca está o casal Lucas e Nathália. Ele já trabalhava há quase 12 anos como artesão, produzindo acessórios, quando decidiram criar a Utrópica, em junho de 2016. O nome é uma junção de “utopia” e “tropical”.

“Pensamos que utopia reflete a nossa posição ideológica, de acreditar e apostar no artesanal, no comércio justo. O tropical significa nossa relação territorial, um misto de natureza e cultura”, explicam. “O nome foi ideia da Nati, que é responsável pela parte administrativa e também fotógrafa e modelo da marca.”

A madeira usada na confecção dos acessórios sempre provém de uma situação de descarte. Seja doação de empresas, amigos, ou até mesmo de garimpos feitos pela rua. Lucas também trabalha com o coco seco, para fazer as máscaras decorativas. A prata 950 dá o toque final em algumas joias, enquanto outras peças levam um fio de camurça sintética.

Além de trabalhar com material reutilizável, a sustentabilidade também está na técnica aplicada por Lucas em sua produção. A marchetaria possibilita que cada pedaço de uma madeira seja usado.

Como um mosaico, as peças são cortadas e coladas umas nas outras, garantindo um aproveitamento de quase 100% do material e uma produção sem resíduos.  

Site: utropica.com.br. Instagram: @utropica.joias. Imagens: Nathália Procópio. 

3 – Re-d.eck – reaproveitamento de shapes de skate

Danielle Domuci é designer de joias e já trabalha com isso há oito anos. Sua relação com o reaproveitamento de materiais começou algum tempo depois de seu namoro com Rob. Ele é skatista e tinha consciência da grande quantidade de shapes que quebravam e eram jogados fora.

Os dois perceberam que as lâminas de madeira dos shapes eram um material de boa qualidade que estava sendo jogado no lixo. Além disso, também gostavam muito das cores que compunham as peças. Assim, Danielle decidiu dar uma novo uso para elas e começou a criar acessórios a partir do material reaproveitado.

Quando o material não serve mais para a prática do skate, nós o transformamos e damos um segundo ciclo de vida para ele”, explica. O trabalho da marca é importante porque os shapes são feitos de lâminas de madeira e camadas de resina, sendo difíceis de se decomporem. Assim, ela evita o descarte incorreto e transforma em arte algo que seria lixo.  

Sua matéria-prima é basicamente maple canadense. Além da madeira, os acessórios também são criados com prata 950, em um processo totalmente artesanal.

Site: redeck.com.brInstagram: @re_d.eck. Imagens: Marina Pires.

4 – Crua Design – Acessórios a partir de resíduos de madeira

Germana Lópes, idealizadora da Crua, já tinha contato com a questão da ressignificação (tema de seu TCC/conclusão do curso de design de moda) e resolveu unir essa prática com o trabalho que já fazia com resíduos de madeira. Assim nasceu em 2014 a Crua Design, um estúdio criativo que produz acessórios com material reutilizado.

As madeiras usadas na produção são coletadas em marcenarias, caçambas e outros lugares onde esse material tão valioso acaba sendo descartado como lixo. Gostamos de dizer que o que temos é uma ação sustentável. Resgatamos o potencial latente de materiais que iriam para o lixo”, diz.

Desde a coleta da madeira, até o corte, a pintura e o acabamento, todo o processo é feito de forma artesanal. Com o sucesso das peças, que misturam cor, design e valor, a Crua já fez até parcerias com outras marcas sustentáveis, como a estilista Flávia Aranha.

Site: cruadesign.comInstagram: @crua.design 

5 – Estúdio Ripa – transforma natureza em joia

A marca surgiu em 2014, nos laboratórios da PUC-RJ, com a parceria do designer Mairê Ramazzina e a jornalista Gabriella Real. A Ripa é a concretização de um sonho que tinham, de desenvolver projetos próprios.

Além do trabalho com a madeira descartada, a marca dá uma atenção especial para os resíduos de sua produção, que também são reaproveitados. O reuso de materiais traz uma característica única para cada peça, que carrega uma história diferente, dependendo da origem da madeira usada. Em todo o processo, é valorizado o trabalho local e manual.

A Ripa acredita que o movimento sustentável está ganhando cada vez mais força e influenciando o comportamento das pessoas. Isso inclui um consumo consciente e a preferência por pequenos produtores, que permitem que se saiba quem fez o que se está comprando e com quais materiais.

“Esperamos que esse movimento continue ganhando força e que mais pessoas vejam o potencial dos materiais recicláveis”, contam.  

Site: estudioripa.com.br. Instagram: @estudio.ripa

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade. Escreve um blog sobre meio ambiente, sustentabilidade e consumo consciente. Também se dedica a cozinhar, como forma de prazer e arrisca novas receitas no tempo livre.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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