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Curitibano, geminiano e nerd hiperativo, Wash Albuquerque, mais conhecido na web como ALBQRQ, cursa Publicidade e Propaganda, já escreveu diversos livros, é artista plástico e tatuador conceitual no Broken Ink Studio em Curitiba, PR.

ALBQRQ trabalha atualmente com dois tipos de traços: a dermopigmentação, o Blackwork, e o estilo Watercolor, a aquarela, inspirado principalmente nas formas da natureza: flores, animais e galáxias são temas recorrentes em suas tattoos.

Wash é muito versátil e cria uma arte contemporânea na pele que une diferentes técnicas e estilos, sempre com muito talento.

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“Esses são alguns dos meus trabalhos pequenos, sutis, mas com grandes significados. Acredito que cada um seja especial por carregar, além das minhas características e do melhor que posso oferecer, significados pessoais também para os clientes, o que torna a construção da arte algo mais íntimo, divertido e valioso.”

Confira entrevista exclusiva que fizemos com o artista:

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FTC: O que você fazia antes e como foi parar na tatuagem?

Bom, minha relação com a tatuagem sempre foi um lance de amor e ódio. Me envolvi com a arte na adolescência, lá pelos 15 anos fiz minha primeira tattoo e fiquei apaixonado. Sempre estive no meio artístico: pintava, desenhava, era viciado em animes e games, então vivia reproduzindo cenas e personagens. Foi nessa fase que experimentei máquinas caseiras, era uma gambiarra total, mas dava pra fazer uns pontos aleatórios na molecada.

Depois do colégio comecei a estudar administração e a trabalhar na área, eu acabei me afastando, parei até de desenhar. Alguns anos depois voltei a pintar e aos poucos a tatuagem foi ressurgindo na minha vida. Comprei material profissional e me empenhei, consegui até um espaço em um estúdio no centro de Curitiba, onde executava muitos trabalhos comerciais na época, nada demais.

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Não fiquei muito tempo no estúdio, mas logo que sai, deixei mais uma vez isso de lado. Foquei em publicidade e design, mergulhei mesmo, fiquei anos trabalhando com isso. Por fim, um ano atrás, eu voltei a pintar e comecei a explorar a aquarela. Foi aí que decidi passar para a pele.

Fiz alguns contatos e quando me dei conta, já estava imerso nesse universo outra vez, mas agora, conciliava a arte e a publicidade, e fui tocando.

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Em 2016, um ano estranho, foi o primeiro depois de muitos outros em que eu não planejei quase nada. Foi aí que eu passei a explorar mais o blackwork e a aquarela. Algumas portas se abriram, convites apareceram, detalhes e características minhas tornaram meus trabalhos singulares e agora estamos de mãos dadas outra vez. Relação de amor e ódio, como eu disse.

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FTC: Como você define a sua arte?

Difícil dizer! Em questão de estilo, acho que eu trabalho com dois extremos, o colorido e o preto. Nunca gostei muito de linhas duras e a aquarela me permite ser livre, fazer bagunça mesmo com as cores. Quanto a minha relação com o blackwork, uso muitas formas geométricas e abuso de pontos, trabalho o que me dá prazer e acredito que isso torna a minha arte mais minha, sabe?

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FTC: Com o que você se inspira?

Eu diria que fotografia e música são as minhas principais inspirações. Eu gosto muito de pintar e criar desenhos que envolvem a natureza, botânica, animais, galáxias, cosmos e também corpos, tanto no blackwork quando com as cores. E curto muito produzir aquilo que eu vejo misturado as minhas sensações. Aí entram as fotos, e então a música, uma mistura doce.

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FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Minha primeira tatuagem, pra valer mesmo, foi uma bruxa voando em uma vassoura e de fundo a lua e um pentagrama. São anos já e por incrível que pareça, eu me recordo perfeitamente do desenhos, cores, traços. Foi algo bobo, mas ao mesmo tempo foi um ponto marcante, um momento que serviu pra solidificar minha paixão por essa arte e entender o quão importante também é a técnica e o conhecimento.

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FTC: Está tocando algum projeto especial ou específico atualmente?

Com a tatuagem estou ainda moldando algumas ideias para séries. A última, que está em andamento, é criar personagens negras. Quero trabalhar moças vitorianas e egípcias, por exemplo, com vestimentas características das épocas, mas usando apenas a etnia afrodescendente. Possui um significado pessoal, e acho que vai ficar legal.

Estou trabalhando também em uma série botânica em blackwork para compor um livro, e lançá-lo, com sorte, no fim de 2016.

Fora a tattoo, faço uma zine que mistura poemas e desenhos de corpos, retratos, com um toque realista, grafite e respingos de nanquim, para desequilibrar um pouco. Tem uma prévia no meu site, na aba ‘Projetos‘, vale a pena espiar.

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FTC: Uma frase que você carrega para a vida.

Essa parte é engraçada, pois há uma frase de um filme bem recente que me marcou muito, quero dizer, ela comprimiu inúmeras palavras que eu carregava antes tentando explicar inspirações, criatividade, momentos, e se encaixou perfeitamente:

“Any successful artist has this moment where they stop being an admirer and they find their signature. Sounds have soul. Build them from scratch. Find new ones. Get your head out of that laptop and start listening to what the world’s trying to tell you.” (James ~ We Are Your Friends)

“Qualquer artista de sucesso tem esse momento, onde ele para de ser admirador e encontra sua assinatura. Sons tem alma. Construa-os do zero. Encontre novos. Tire sua cabeça do laptop e comece a ouvir o que o mundo está tentando te dizer.”

Para mim ela se traduz como “arrisque”, “sinta”, é difícil até explicar. Acho que arte é feeling, ponto.

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FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Listar coisas assim é complicado – haha – já me passam várias coisas na cabeça e aí não faço ideia de como hierarquizar. Bobeira, não? Logo uma pergunta que deveria ter uma resposta tão simples. Vou citar três que carregam dentro delas muitas outras, é justo? Acho que arte, tanto admirando quanto executando, música, pois é o combustível desse feeling e amigos, que proporcionam momentos bons e estão sempre presentes.

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Confira mais trabalhos de ALBQRQ em seu site, FacebookInstagram. Contatos: (email: contato@albqrq.com) Tel: (41) 9958 1362.

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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