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O artista brasileiro Felipe Padilha lembra de ter contato com a tatuagem muito novo. Seu avô era aposentado da Marinha e tinha uma pequena oficina nos fundos de casa. Seu passatempo predileto quando o visitava era mexer em tudo que tinha lá dentro.

“Certa vez achei uma lapiseira com uma haste, uma agulha dentro e um motorzinho na outra ponta. Ele prontamente me explicou que era uma máquina de tatuagem caseira que tinha feito pro meu pai. Perguntei ao meu pai sobre isso e ele disse que usou a máquina para fazer umas tatuagens em uns amigos quando era mais novo, para arrecadar dinheiro para viajar e tal. Isso me encantou, e sempre que escuto essa história da boca do meu pai me da maior orgulho dele.”

Desde criança, Felipe sempre desenhou, dedicava as últimas páginas dos cadernos da escola para isso. “Tenho guardados muitos desses cadernos até hoje. Mas nunca passou muito disso, tentei algumas telas e paredes. Mas sempre como diversão, catarse mesmo.”

Quando cresceu, por opção, estudou e se formou em Publicidade. Trabalhou durante 5 anos em agências, estúdios fotográficos e gráficas e por ironia do destino, as coisas começaram a não fazer tanto sentido pra ele, quando estava na melhor fase da carreira. Ele decidiu jogar tudo pro alto e se dedicar a algo que realmente gostava e tinha disposição de estudar em tempo integral, algo que envolvesse paixão. Assim surgiu a tatuagem em sua vida, de forma muito natural.

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Felipe iniciou seus trabalhos como aprendiz em um estúdio que tinha uma linha bem tradicional.

“Entrei como aprendiz e sócio, o que me impulsionou a trabalhar MUITO, tanto na administração da loja, como na criação de uma identidade própria para meu trabalho. Foi bem importante pra mim esse período pois pude ter contato com vários estilos, e com isso, absorvi muito sobre técnicas e maneiras de fazer diferentes tipos de traços. Isso hoje se mostrou fundamental para os meus projetos.”

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Assim que seu trabalho evoluiu, decidiu por conselho do amigo Raiom, viajar e conhecer outros tatuadores no Brasil que assim como ele buscavam uma linha autoral e realmente se dedicavam a criação de novos conceito e ideias.

Foi para Curitiba, São Paulo, Juiz de Fora, fazendo esse intercâmbio com estúdios, criando novas amizades, parcerias e troca de experiências. Seguindo a mesma lógica, seguiu para a Europa e foi tatuar em estúdios de renome na Suécia, Noruega e Alemanha, o que tornou tudo mais abrangente e animador.

Em 2015, fundou a Rox Tattoo, seu estúdio próprio em Brasília. A ideia foi criar um espaço diferente, desconectado com o que vemos normalmente em estúdios de tatuagem. “Busco com esse espaço dar liberdade total para a criação, adequar o que fazemos e produzimos aqui com esse momento do mundo, que é extremamente rápido, criativo e conceitual.”

Felipe Padilha hoje cria incríveis tattoos contemporâneas em blackwork que unem diferentes técnicas e estilos. Sempre usando tinta preta, linhas precisas e muito talento, o artista explora diferentes temas, traços e sombras. Confira a fantástica entrevista exclusiva que ele deu ao FTC:

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FTC: Como você define a sua arte?

É um mix de experiências, ideias e técnicas. Meu trabalho segue uma mistura do sólido com orgânico, busco criar uma base bem estruturada mas sempre desconstruindo algumas partes para trazer a tona minha visão das coisas.

Busco principalmente solucionar os problemas dos meus clientes criando algo realmente relevante e único para eles, que agrade aos olhos e se equilibre no corpo de cada um. Normalmente encontro essa soluções em trabalhos usando preto, pois acredito muito na força, intensidade e poder dessa cor.

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FTC: Com o que você se inspira?

Uso de tudo que já aprendi e vi para compor meus trabalhos, desde experiências da época em que trabalhava em agências de propaganda até o que vi hoje pela manhã a caminho do estúdio.

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FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Foi uma caveira com um vinil, se não me engano, em um amigo DJ aqui de Brasília. Ainda o tatuo até hoje, melhor que a primeira com certeza!

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FTC: Está tocando algum projeto especial ou específico atualmente?

Além da Rox, que se tornou prioridade diante da abertura e visibilidade que tive no último ano, paralelamente estou buscando construir uma estética mais autoral no meu trabalho. Isso engloba tudo, não só a tatuagem, já que quero experimentar em outros veículos essa minha nova linguagem.

Tem sido intenso, porém satisfatórios, os estudos para alcançar isso. O caminho da construção desse projeto em si já tem me deixado muito satisfeito e meus trabalhos hoje se encontram mais com “minha cara” do que nunca antes estiveram.

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FTC: Tem alguma frase que você carrega para a vida?

“Trabalho, solidariedade e tolerância.” – Meu pai pintou essa ‘frase’ na porta da primeira empresa dele, é uma memória da infância que sempre vem a tona e que representa muito pra mim.

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FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Tatuagem, minha filha Anna Clara, amigos, uma boa conversa e boa música.

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Acompanhe o trabalho de Felipe Padilha no FacebookInstagram e Tumblr e o seu estúdio Tattoo Rox, no Instagram e Facebook.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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