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Frederico Rabelo é um artista contemporâneo e grande tatuador brasileiro do cenário atual, que cria trabalhos de grandes dimensões em tinta preta incrivelmente detalhados. Fred começou cedo na carreira ao lado de outros sócios em Juiz de Fora, onde montaram o Covil Tattoo.

Desde então, ele já passou por diversas cidades do país, além de ser convidado por estúdios internacionais renomados pelo mundo todo, como o AKA de Berlim e o Sang Bleu em Londres. Formado em artes e design, Fred dedica-se a trabalhos sempre autorais, com traços em blackwork, pontilhismo e em hachuras, que nos lembram antigas gravuras barrocas e desenhos sombrios medievais.

Foi no final de 2012 que tudo começou. Fred e os amigos se juntaram em uma garagem desativada para desenhar e trocar ideias. Lá, montaram um pequeno ateliê com 1 mesa e algumas cadeiras, até que começaram a divulgar alguns flashes das tattoos que faziam. No Facebook, muito amigos animaram e a procura pelo estilo, nunca antes visto no Brasil, continuou a se espalhar. Até que eles tiveram que sair do local para alugar um estúdio. Assim surgia a Covil Tattoo.

Suas inspirações vem de diferentes vertentes. O mineiro, que desde criança tem contato com a arte, já pintou, grafitou, pixou e criou letterings, hoje nos conta um pouco mais sobre todo esse universo, seus planos para o futuro e sua arte única e original. Confira entrevista exclusiva:

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FTC: Queria que você falasse um pouco sobre você com as suas palavras, contasse o que fazia antes e como foi parar na tatuagem; 

Eu sou uma pessoa que não vê limitações, tenho grandes expectativas sobre mim mesmo e sobre o quão longe eu posso chegar na vida. Sou um profissional criativo, um artista contemporâneo, eu crio coisas e procuro gerar cultura para a nossa geração e fazer das minhas plataformas, um lugar onde se produza inteligência para a humanidade.

Meu interesse pela arte começou quando eu era criança. Desde a minha pré-adolescência estive totalmente envolvido com graffiti, pixo e lettering, no fim da adolescência comecei a enxergar a tatuagem como uma plataforma para o desenvolvimento do meu trabalho tipográfico; Meu interesse inicial pela tattoo surge por aí: um lugar aonde eu poderia trabalhar com minhas letras.

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Nessa mesma época, um amigo da faculdade, Breno Bitarello, me apresentou os materiais básicos para tatuar e comecei a fazer, não tive mestre. Aprendi por mim mesmo. Durante essa período eu também estava tentando alicerçar meu trabalho em pintura e desenho, coisa que é extremamente árdua, pois em um trabalho profissional de pintura, você tem de gerar as suas perguntas e depois um trabalho visual para respondê-las, não existe predefinições.

Essas perguntas e respostas tem de ser interessantes, boas e inovadoras se possível, para talvez ter alguma pertencia. Não existe demandas ou precedentes óbvios para elas, isso parte de você, é necessário você descobrir o que você é e qual conteúdo tem dentro de si para fazer isso acontecer. Foi nesse embalo dos pensamentos, das metodologias, dos anseios e logo também das práticas do graffiti e da pintura que eu comecei a tatuar.

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FTC: Como você define a sua arte?

Acredito que ela é um processo, o que eu faço é a externalização visual das coisas que eu acredito. Isso é mutável e amadurecido, por isso é um processo em construção, orientado e em desenvolvimento. Estou frequentemente em um ciclo de pesquisar novas coisas e depois investir uma grande quantidade de energia e verticalizar todas esse novos elementos nos meus projetos.

Pelo ponto de vista plástico venho dedicando-me a realizar tatuagens prioritariamente pretas desde o começo da minha carreira, e ainda há muito o que se fazer com ele, quero continuar explorando-o. Quando eu penso no preto, eu penso em poder, em calor, em elegância e em força. O preto é muito dinâmico.

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FTC: Como o que você se inspira?

Com a possibilidade que temos como seres humanos de fazer coisas e de sermos grandes.

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FTC: Está tocando algum projeto especial ou específico atualmente?  

Desde o fim de 2015 eu comecei a trabalhar uma estrutura um pouco diferente da habitual, que geralmente ocorre na maioria dos estúdios de tatuagem. O que eu fiz foi conceber uma lista de projetos que eu acredito que são as melhores tatuagens que poderia realizar, e ofereci esses projetos para todos os meus potenciais clientes. Essa foi a melhor maneira que encontrei de investir meu tempo, e o tempo e a pele de todos que acreditam nessa mesma ideia, a fim de atingir o meu melhor resultado possível e produzir cultura para a nossa geração.

Além disso, estou criando uma iniciativa criativa internacional, juntamente com meu sócio André Castanheira, que será uma plataforma de promoção da tatuagem contemporânea, sobretudo da brasileira. Temos altas expectativas sobre esse projeto, em breve teremos novidades sobre ele.

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FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Foi um coração em uma mão.

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“Eu preciso de uma razão para tatuar, pois eu comunico algo como qualquer artista faz. Um pintor contemporâneo que pretende permanecer relevante sabe que ele tem que acrescentar algo ao mundo, para continuar criando cultura, e é isso que eu tento e quero fazer com minhas tatuagens”.

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FTC: Uma frase que vc carrega para a vida

Não existe milagre. Existe trabalho e progresso. A felicidade é consequência.

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FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Trabalho, conhecimento, saúde, amigos e música.

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Recentemente, Fred realizou uma tatuagem experimental em colaboração com seu amigo, o tatuador Fredão Oliveira, que mistura dois estilos diferentes para criar algo ainda maior. O resultado final é surpreendente:

“Nós dois acreditamos que a colaboração é um caminho necessário na tatuagem contemporânea, porque quando nos dispomos a isso, cria-se um ambiente onde conflitam e convergem duas linhas de trabalho diferentes. Cada uma das pessoas tem um repertório e uma vivência diferente. No choque entre essas diferentes linhas de trabalho podem surgir algumas novas soluções que vão encaminhar a gente pra o progresso. É uma ferramenta importante a gente acredita que carrega um grande potencial de produzir inovação, e contribuir para a cultura, que é o objetivo da tatuagem contemporânea.”

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Acesse seu site para ver mais trabalhos. Na parte de downloads, Fred disponibiliza material educativo gratuito para artistas em geral. Siga o artista no Instagram e acompanhe o Covil Tattoo, também no Instagram e no Facebook

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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