Ela nunca quis ser tatuadora, mas conta que já nasceu com o lápis na mão. Dentre uma série de rabiscos, Luiza Oliveira começou a se dedicar aos desenhos de retratos e aquarelas, que sempre foi encantada. Na época da faculdade, entrou na Belas Artes (UFMG) e seguiu em busca de aprimorar as técnicas e “viver de arte”, agregando outros cursos paralelos e workshops.

No sétimo período, largou a faculdade e se sentiu muito feliz (e aliviada). Começou então no meio de uma crise profissional a tatuar algumas peles. Havia finalmente encontrado algo que fazia seus dedos pulsarem.

Numa série de treinos incansáveis, se viu encantada pelo traço fininho e temas suaves, forma de trabalhar o que acredita que seja o melhor desse mundo: a natureza, os animais, e algumas belezas que ainda estão lindamente intocáveis.

Luiza explica: “Por trás de cada desenho tem uma história, e tem sido um prazer escrever essas histórias com tinta. Desde junho de 2015 não fiquei um dia sequer sem tatuar. Hoje não sei se fui eu que escolhi ou se a tattoo me escolheu”.

Luiza Oliveira é também conhecida como Luiza Blackbird. A mineira é casada com o amor da vida, tímida, gosta de fotografar plantas, tomar açaí, viajar – mas acredita que o melhor lugar continua sendo seu pequeno espaço onde cria em Belo Horizonte, MG, chamado Blackbird Atelier.

Dona de traços finos que misturam cores e tinta preta, suas fantásticas ilustrações na pele parecem ter saído de páginas encantadas de livros. Luiza é mestre em criar desenhos femininos, minimalistas e delicados, é puro talento.

Confira entrevista que fizemos com a artista:

FTC: Luiza, como você virou tatuadora?

Comecei a rabiscar desde que me entendo por gente. Desenhos, ilustrações e retratos, muitas vezes sem um objetivo específico, mas sempre curtindo o processo e ainda mais o resultado de algo construído por mim. Parei na tatuagem há exatos dois anos, por acaso, ou não! Haha. Foi realmente uma necessidade de viver de arte, a acabou dando mais certo do que imaginava.

FTC: Como você define a sua arte? 

Acredito que gosto de retratar como eu vejo as coisas, como se meus olhos tirassem uma foto – e eu tentasse passar isso pro papel.

FTC: Com o que você se inspira? 

Me inspiro com quase tudo, de verdade. Mas mais intensamente com a fauna e flora, vejo Deus, antes mesmo de ser Deus, um verdadeiro artista e tudo isso virou uma obra de arte maravilhosa. Me encanta ver os detalhes nas folhas, flores, como as nuvens se formam, como tudo é perfeito e ao mesmo tempo tão orgânico e mutável.

FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Sinceramente não lembro da primeira tatuagem em cliente. Lembro que a primeira foi no meu atual esposo (uma cruz torta no pulso, terrível) e as outras foram amigos, conhecidos, amigos dos amigos. Não sei quando eles começaram a serem clientes haha.

FTC: O que você tem lido, ouvido, visto? Quais artistas preferidos no momento?

Tenho lido “A arte moderna e a morte de uma cultura” do Rookmaaker, e ouvido de tudo! Os artistas preferidos são os tatuadores coreanos, como o Doy e a MiniLau e cito uma aquarelista em especial que faz meus olhos brilharem, Agnes Cecile.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

A vida! Seguir desenhando, mexendo com as mãos, seja na tattoo ou em qualquer coisa que não deixe minha arte morrer, haha.

Acompanhe Luiza Oliveira (Luiza Blackbird) e saiba mais sobre como é o processo de tatuagem em seu atelierSite e Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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