Cinque Terre é o nome dado a um acidentado trecho de terra na Itália, na costa da Riviera Ligure. Formado por cinco pequenas vilas (Monterosso, Vernazza, Riomaggiore, Corniglia e Manarola), as atrações turísticas vão desde suas casinhas coloridas à beira-mar, deliciosa gastronomia, ao Parque Nacional, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Confira tudo sobre o destino!  

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Dá um trabalhão danado chegar até Cinque Terre, mas quando você olha para as vistas, parece que toda dificuldade passa. Destinos dos sonhos de muitos (inclusive meu), poder passar dias na costa italiana é sinônimo garantido de contemplação e felicidade.

Para chegar até ali tem que ter uma certa disposição, seja pelo acesso de trem (em certas épocas, maio, lotado de turistas), pelo calor, pelas longas caminhadas e degraus ou pelo número alto de visitantes, principalmente durante o verão. Mas esse lugar merece toda atenção. As Cinque Terres são declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (em 1999 foi instituído o Parque Nacional de Cinque Terre, área protegida). Não à toa: as cinco pequenas comunidades (Monterosso, Vernazza, Riomaggiore, Corniglia e Manarola) são incrustadas em uma serra toda recortada por montanhas, com muito verde e paredões de pedra que despencam no fantástico mar da Liguria.

Cinque Terre é um destino pouco visitado pelos brasileiros, mas bastante conhecido pelos turistas por suas casinhas coloridas na encosta (antigamente comunidades de pescadores), pela água verde-turquesa, além de estar entre as cidades mais românticas do mundo. Hoje, as aldeias não são mais isoladas como antes, mas ainda há uma sensação de autenticidade, poucas estradas para se chegar até lá (carro não são permitidos e o acesso mais fácil é por trem), arquitetura perfeitamente preservada, além de quilômetros de trilhas ecológicas deslumbrantes entre as montanhas que podem ser percorridas a pé.

Também é preciso falar, claro, da comida: com o mar tão perto, as Cinque Terre são particularmente famosas pela gastronomia com base nos frutos do mar. Selecionei algumas particularidades e imagens de cada uma das vilas, para você se inspirar. Veja como chegar, quantos dias ficar e mais:

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A maneira mais fácil, barata, de chegar e viajar entre as aldeias é de trem. Os carros devem ficar em estacionamentos especializados, já que veículos são proibidos além da entrada das vilas. A solução é parar o carro (as estradas no Cinque Terre são super sinuosas por ali, muitos precipícios) no estacionamento seguro da estação ferroviária de La Spezia, uma das cidades-base ao lado do local. (Veja mais detalhes sobre isso no final do post)

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MONTEROSSO AL MARE

Ao sair de La Spezia, o trem parte para o Cinque Terre com paradas nas seguintes cidades: Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare. Resolvemos fazer o sentido do final para o começo, por isso, até chegar em Monterosso demorou uma meia hora com as paradas.

Monterosso é a única vila que possui praia. Quando eu digo praia, não espere areias brancas ou inúmeras barracas vendendo delícias. A faixa de areia é pequena e as águas podem ser bem geladas – mesmo no verão, quando comparadas ao Brasil.

O legal ao chegar por ali é caminhar pelas ruas e inúmeras lojinhas e artesanatos. Para chegar até essa vista é preciso um certo esforço. Vá preparado: use calçados confortáveis, leve óculos de sol, protetor, garrafa de água, câmeras e muita disposição. O que te espera? Trilhas, degraus, subidas íngremes, gelatos deliciosos e um caminho lindo. Chegar até o topo é realmente mágico.

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É aqui que também começa uma trilha pela montanha que leva até Vernazza e por onde estão alguns vinhedos típicos da região. Dizem que o melhor modo de visitar Cinque Terre é a pé percorrendo o assim chamado “sentido Azzurro”. Muita gente realmente vai preparado para caminhar pela trilha (trekking), mas você pode fazer como eu: andar até certa parte dessa estradinha para tirar as maravilhosas fotos (cerca de 15 minutos). É subida, mas vale a pena: é a melhor vista de Monterosso que você pode ter.

Há séculos, essas trilhas eram a única maneira de viajar entre as vilas de Cinque Terre e eram a única ligação com o mundo exterior. Caminhar por ali é ter a companhia constante do mar, de fazendas, vinhedos, barcos e plantas costeiras únicas.

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A faixa de areia em Monterosso Al Mare. Tudo muito organizado e limpo;

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A areia da praia é feita de pedrinhas e seixos. A água costuma ser gelada, mas é cristalina e super limpa!

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Tomar sol nas pedras é bem comum. Caiaques e barcos coloridos decoram a paisagem;

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Tons terrosos como vermelho, amarelo e laranja colorem as casinhas no centro.

Um dos pontos turísticos de Monterosso é a ‘igreja listrada’ (Chiesa di San Francesco) que antigamente era um convento;

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Monterosso é bastante conhecida por seu limão e anchovas. Não deixe de sentar na praça e tomar um delicioso gelato de frutas frescas!

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VERNAZZA

Partindo de Monterosso, chegamos em Vernazza. É onde se produz o vinho Vernaccia, típico da região, e possui um pequeno porto, ideal para barcos de pescadores e demais embarcações de pequeno porte. É ali também que os visitantes se concentram.

A Piazza Marconi virada para o mar e as casas em tom pastel trazem suspiros. Para conseguir fotografar essa vista, prepare-se para andar bastante por uma trilha média (não esqueça a garrafinha de água), subir váaarios degraus e ruas estreitas.

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Um labirinto de escadas e pequenos terraços te esperam, com grandes vistas do mar azul aparecendo a cada parada.

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Cada uma das vilas de Cinque Terre está associada a um santuário com vista para o mar. Atingir esses antigos retiros religiosos costumavam ser parte da penitência Católica. Atualmente, estas caminhadas são muito menos penosas. A maioria destes passeios são fáceis, apesar de íngremes, e podem durar entre 20 minutos e 3 horas em um sentido único.

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É incrível ver como a vida tranquila dos habitantes locais se mistura com os turistas que chegam para conhecer o pequeno paraíso.

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Na beira do pequeno porto há restaurantes, bares, hotéis, lojinhas e artesanato. As crianças aproveitam para brincar na água, os adultos tomam um sol, um drink e curtem a vista.

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O artesanato local é bem forte. Prepare-se para encher a mala com ímãs, pratos e outros objetos de decoração!

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As casinhas típicas de Vernazza e um dos moradores locais;

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CORNIGLIA

Corniglia é a menor de todas as vilas. Ela fica bem no alto, então, quando chegar de trem, não se assuste se você não conseguir ver a cidade logo de cara. Cercada de vinhedos, é a única aldeia que não tem acesso direto ao mar. O local possui milhares de degraus íngremes (por isso, a estação ferroviária fica muito abaixo). Para chegar até ali são 33 rampas e 377 degraus. Dica: use o serviço de ônibus interno do parque que é grátis com o 5 Terre Card para ir da estação de Corniglia até a cidade.

Suas ruas levam a um terraço virado para o mar, o único ponto de vista de onde você pode fotografar todas as cinco aldeias de uma só vez. Pela dificuldade de acesso, Corniglia é a menos visitada das Cinque Terre.

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MANAROLA

A mais antiga de todas as terras, é cercada por videiras. A produção do vinho local, o chamado Sciacchetrà, é bem famoso. A cidade foi erguida seguindo o caminho do Rio Groppo, mas também há outra rua principal chamada Via di Mezzo. É nestas duas ruas que você encontrará o movimento da cidade, as lojinhas, restaurantes, barcos de pesca e outros detalhes da vida e do cotidiano local.

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Vale a pena caminhar 10 minutos morro acima, para tirar umas fotos e descobrir o ângulo mais bonito.

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No verão, há muitas crianças e adultos mergulhando no local. A cor da água é realmente incrível!

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Uma das grandes atrações desta vila é a Via dell’Amore, um caminho onde casais juram amor eterno. A trilha une Manarola e Riomaggiore, e dali é possível observar uma belíssima vista do mar rodeando as rochas, além de possuir uma ponte cheia de declarações e cadeados.

A famosa Via Dell’Amore tem uma história interessante: ela foi construída nos anos 20 como uma via auxiliar para obras de ampliação da galeria ferroviária entre Riomaggiore e Manarola. Terminada a obra, o caminho permaneceu e começou a ser usado pelos moradores. Reza a lenda que ao longo da via, os jovens de ambas as comunas marcavam de se encontrar ali para namorarem.

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Em Manarola, você encontra muitas lojas de frutas, produtos típicos, restaurantes e bares.

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O pesto genovês é especialidade local. Nada como uma pizza italiana, acompanhada de uma bela spremuta d’arancia (suco de laranja)!

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RIOMAGGIORE

Riomaggiore é a mais populosa e mais animada no fim da tarde. Nas ruas, há inúmeras barraquinhas de frutas e doces típicos. É a maior de todas os cinco aldeias, possui predinhos íngremes coloridíssimos e um pequeno porto. Suas cores pastel brilham ao pôr do sol, que é melhor apreciado perto do mar.

O ponto máximo da visita é descer até a Marina. Para chegar ali é preciso cruzar toda a cidade, descer escadas, passar por diversos túneis e depois apreciar vistas incríveis com um copo de Limoncello. Na Marina você tem uma bela vista da vila, com as casas lado a lado em suas diversas cores.

Caso Riomaggiore seja sua última escala, fique até o pôr do sol – há cafés e bares próprios para aproveitar o momento.

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Dica especial: se você pretende fazer bate e volta, comece da última cidade para a primeira. Deixe Riomaggiore, que fica em uma das pontas da Cinque Terre, por último. Isso facilita na hora de pegar o trem de volta para La Spezia.

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O Cinque Terre é um destino atemporal, e é impossível fazer justiça em um dia de viagem. É realmente o tipo de lugar que recompensa visitar devagar. A ideia ali é sentar a beira-mar, com um copo de vinho na mão, tomar vários gelatos, descansar as pernas cansadas de tanto andar no topo de um rochedo no alto e muito, muito Dolce Far Niente!

Recomendo a visita!

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Como chegar: A maneira mais fácil, barata, de chegar e viajar entre as aldeias é de trem. Os carros devem ficar em estacionamentos especializados, já que veículos são proibidos além da entrada das vilas. A solução é parar o carro (as estradas no Cinque Terre são super sinuosas por ali, muitos precipícios) no estacionamento seguro da estação ferroviária de La Spezia, uma das cidades-base bem perto. Durma por ali se quiser aproveitar bem o dia.

Compre o 5 Terre Card, um ticket multiserviço (dá direito ao trem, percorrer os trechos do parque, pegar ônibus interno) com validade de um dia (ou 2, dependendo do seu trajeto). Cada vila tem sua estação de fácil acesso, os trens partem a cada 15 ou 20 minutos, não há dificuldade alguma com o transporte. Chegar por via marítima também é uma opção. Da Páscoa até setembro, as balsas funcionam a partir de Génova, Portofino e Porto Venere. E se você quiser chegar chegando, você pode até mesmo contratar um iate em um desses portos.

A viagem demora cerca de 7 minutos a partir da estação de trem de La Spezia para a 1ª comuna (Rionaggiore) e cerca de 15-30 minutos para a mais distante, Monterosso. Você pode comprar o seu bilhete único no guichê da estação. Atenção: as máquinas não vendem o Cinque Terre Pass. É bom lembrar de validar antes de usar pela primeira vez, é só colocar cada um nas maquininhas que ficam espalhadas pelas estações.

A linha de trem também conecta todas as cinco aldeias diretamente com Gênova, Pisa e Roma. Mas cuidado porque algumas cidades podem ficar um pouco longe caso você opte por um bate e volta. O trem vai por dentro da montanha quase todo o tempo, com poucas aberturas para o mar.

Quantos dias ficar? Se o tempo é apertado, tente passar o dia todo no lugar para sentir o clima, assim você conhece rapidamente todas as vilas. De dois a quatro dias lhe dará tempo suficiente para visitar todas as cinco aldeias, fazer vários passeios pelos centros, caminhar pelo parque, usufruir dos restaurantes.

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Mais informações no site oficial.

Fotos © Carol Moré. Vai pra Itália? Vale a pena também visitar Dozza, uma vila medieval que é uma verdadeira galeria de arte a céu aberto e Burano, uma das cidades mais coloridas do mundo.

Carol T. Moré é editora do Follow the Colours. Cores, internet, design, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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