Não há melhor lugar para recarregar as energias em Nova York do que seus parques. A cidade tem uma grande quantidade de locais verdes e espaços públicos incríveis mesmo no meio dos arranha-céus mais altos do mundo. Neles você pode relaxar, fazer uma caminhada, praticar esportes, treinar o olhar fotográfico, comprar um sanduíche, um suco, café e sentar para comer, ver um pouco de arte ou apenas assistir a vida passar. E, entre tantas opções, há um local que merece todo o nosso destaque: o High Line Park.

O High Line é um parque público elevado construído em cima de uma linha de transporte ferroviário que corria na cidade. A chegada de inúmeras mercadorias em West Side até os anos 80 acontecia ali, no maior distrito industrial de Manhattan, que chamava Meatpacking Industries (o nome é devido aos inúmeros açougues que tinha na área).

Após o crescimento do transporte rodoviário interestadual, as linhas de trem ficaram no passado. Os últimos vagões passaram por ali em 1980, três carros cheios de perus congelados. Os trilhos estavam fadados ao fracasso. Um grupo de proprietários de imóveis fez lobby para a sua demolição, mas Peter Obletz, um morador do Chelsea, ativista, desafiou todos a preservarem o local.

A área depois de um tempo estava completamente esquecida e foi somente em 2002 que começou um projeto para ser revitalizada. Hoje, é uma das principais atrações turísticas de NY, modelo excepcional de arquitetura, sustentabilidade, de como trazer mais verde à um espaço público, além de ter se tornado um parque exemplar para os moradores e visitantes.

“I want a president” (1992), icônico trabalho da artista americana Zoe Leonard, reapresentado no parque por conta da eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016;

Na época, o High Line lançou um concurso aberto de ideias e os responsáveis conduziram um processo para selecionar uma equipe de design para dar início as obras e transformá-lo. Em Junho de 2009, a primeira parte do parque foi entregue a população. Dois anos depois (2011), a segunda parte e em 2014, a terceira seção, o High Line Rail Yards, abriu ao público. Hoje, não há quem não comemore a bem sucedida ideia para preservar toda a estrutura.

“Sunbathers”, por Kathryn Andrews. A artista se apropria de imagens da cultura popular, muitas vezes de filmes americanos, TV e arquivos de fotografias, as altera e recontextualiza em configurações tridimensionais para criar novas narrativas; (*PS: muitas pessoas realmente comentavam e aguardavam encontrar pessoas nuas no local!)

São 2.33 Km acima da cidade. O parque elevado percorre diversas avenidas, traz plantas que crescem sobre os trilhos fora de uso, apresenta obras de arte por todo percurso, além de food trucks, feirinhas, um mirante, mostra de filmes e eventos culturais que acontecem constantemente no local.

Ao longo do High Line há uma variedade enorme de murais, instalações e street arts que fazem parte do projeto High Line Art, um programa de arte pública da cidade. E tudo está em constante mudança, ou seja: as artes vistas por mim podem não ser vistas por você, dependendo da exposição atual e da época do ano.

“Smart Tree”: Um Smart que tem uma macieira em seu telhado foi inspirado por uma memória da infância do artista Jamaicano Nari Ward que mora em NY;

A arquitetura ao redor do High Line também é muito inspiradora! 

“Blind Idealism is reactionary scary deadly”, mural em grande escala, pintado à mão pela artista Barbara Kruger, baseado em uma citação do filósofo Franz Fanon. O trabalho dá continuidade as palavras do filósofo e critica descaradamente a cultura e o poder; 

Apreciar pequenos animais e os diversos tons de verde pelas trilhas também é delicioso! 

Quando falamos em plantas, arbustos e árvores, saiba que foram escolhidas especialmente pensando na sustentabilidade, na textura e em dar cor ao local, tendo como foco as espécies nativas. Muitas das plantas que originalmente cresceram na trilha ferroviária do High Line foram incorporadas na paisagem do parque.

Um sistema de telhado verde também permite que elas retenham o máximo de água possível da chuva. Além disso, existe um sistema de irrigação instalado com opções para rega automática ou manual.

Seria uma estátua viva? A perfeição é tão grande que muitos confundiam a intervenção artística de Tony Matelli com um homem de verdade. A obra “Wanderlust: Sleepwalker” é uma das mais impressionantes;

O ideal é deixar-se levar e descobrir pelo caminho as surpresas que o High Line reserva.

Do alto do High Line é possível ver outras obras de artistas famosos como a do fotógrafo francês Jr. (acima) e de Pixel Pancho (abaixo); 

Obs: Quem procura o famoso “mural do beijo” do brasileiro Eduardo Kobra, pode decepcionar-se: ele foi recentemente apagado (dizem que pelo dono do prédio).

Para conhecer o High Line 

Existem vários tours especializados que tem como tema jardim, arte, história, que podem ser de graça ou privados. Você pode simplesmente pode desbravar todo o local andando mesmo. É uma bela caminhada, mas que vale todo o esforço.

Eu pude ver uma das últimas obras de Zaha Hadid sendo construída de perto, inúmeras intervenções urbanas, descansar na sombras e cadeiras e observar os passantes, ver de cima os estabelecimentos de NY, tirar belíssimas fotos e liberar muitas endorfinas!

O “mirante” do parque faz sucesso. Compre um café ou marque de encontrar alguém por ali com essa linda vista da cidade;

Dica: O que fazer perto do High Line no mesmo dia

Você pode ficar ali o tempo que quiser. Acredito que 2-3 horas foi o suficiente para caminhar por todo local com calma e ainda ter pique de visitar estabelecimentos legais bem pertinho dali, como o Chelsea Market (mercado delicioso de comidas) ou percorrer as galerias de arte em Chelsea que sempre tem exposições muito bacanas (vi Os Gêmeos, Mr. Brainwashed, por exemplo, em um dia só!)

Recomendo a todos o passeio!

Vai lá: O High Line Park fica ao lado oeste de Manhattan, entre a Gansevoort Street (Meatpacking District) e a West 34th Street na altura da 10th Avenue e 12th Avenue. Saiba mais no site oficial do parque.

Fotos © Carol Moré. 

Vai pra NY? Vale a pena também visitar esse bar de sobremesas cheias de design!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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