Quando alguém pergunta o que te leva à Índia, costuma ouvir como resposta que é a Índia que atrai. E foi ouvindo esse chamado que o fotógrafo paulistano Richard Hodara desembarcou pela primeira vez no país, acompanhando um grupo que estuda Hatha Yoga, história da Índia e os mistérios da filosofia hindu.

Nessa viagem que se estendeu por um semestre, Hodara passou por cidades como Goa, Pune, Rishkesh, Lonavala, Agra e Varanasi, onde descobriu um novo lado da Índia às margens do rio Ganges, para além do senso comum na superfície. Encontrou cores, sorrisos, solidariedade e espiritualidade em um lugar onde à primeira vista se destacam a miséria, o sofrimento, a pobreza, o lixo, a sujeira.

Os encontros guiaram as inseguranças da viagem. Um garoto com 12 anos na frente de um Tuk-tuk cheio de crianças. Foi assim que a Índia recebeu o fotógrafo. Esse garoto, com olhos de cores diferentes, um provavelmente cego, sorriu e assim como todas as crianças compartilhou uma alegria contagiante. Expressões únicas, dessas que não saem da memória.

Em outro momento, uma visita ao Taj Mahal. Em busca de uma imagem além da arquitetura, Hodara encontra três monges fazendo um tour na mesquita, religiões tão diferentes coexistindo em paz.

Além de nadar nas águas gélidas do Ganges, Richard acompanhou uma cremação, cerimônia que só é aberta para famílias locais, pegou carona com um barqueiro com deficiência visual, mas que não precisava dos olhos para guiar e correu atrás de um ônibus só para conhecer as pessoas de mais perto.

Viu decadência, viu vibração, viu felicidade, viu gêmeos escovando os dentes nas margens do rio poluído, viu uma garota vendendo oferendas com o rosto maquiado, todo azul representando o Deus Shiva. Viu a Índia além do que os olhos podem ver

Confira o relato do fotógrafo e inspire-se com as diferenças, com a cultura, com as cores. Quem sabe a Índia não entra como o seu próximo destino?

Índia: Contraste de cores, alegria e decadência

“Foi numa dessas que um amigo meu ficou sabendo de uma viagem para a Índia com Marcos Rojo, professor de hatha yoga, um dos pioneiros no Brasil, e que ele ia ficar 24 dias para conhecer a história da Ioga e do país. Topei e embarquei nessa primeira jornada. Eles foram embora depois de 20 e poucos dias e eu fiquei. 

Quando alguém me pergunta o que me levou à Índia, eu falo que a Índia é quem chama. É um chamado espiritual, antropológico, mas que eu ainda não tinha tido tempo, força e a vontade de conhecer.”

“O que mais me impressionou foi a forma que as pessoas vivem, a quantidade de gente morando miseravelmente, mas mesmo assim com sorriso no rosto, respeito e uma crença muito grande na religião, um povo muito espiritualizado. Os cenários eram incríveis.

O Taj Mahal é lindo, mas não coloco isso como prioridade no que eu vi, tem muitas outras coisas mais bonitas. Rishkesh, por exemplo, é essa mistura, cada um tentando sobreviver da melhor forma. São 1.3 bilhões de habitantes.”

Varanasi 

“Não sei porque, mas Varanasi me chamou. Pra mim, um lugar muito místico, misterioso, um chamado espiritual. Conhecida como a Cidade dos Mortos por causa das cremações que são realizadas diariamente à beira do rio Ganges, o local não estava nos meus planos originais.

Uma amiga minha indicou a viagem. Fiquei inseguro, mas fui, e no que cheguei já fui para a beira do Ganges e estava vendo um pesadelo, fiquei mal. Demorou quatro dias pra ter uma transição de pensamento. Primeiro senti o inferno e no último dia o paraíso. Não importa que as coisas são feias e há sofrimento, tive um olhar espiritual sobre o desapego do corpo e da matéria.”

A insignificância da vida e expansão da consciência 

“Há cinco anos, comecei a praticar Ioga e a me aprofundar mais nas suas raízes, na cultura hindu e isso me despertou uma vontade muito grande de conhecer o mantro, o lugar onde a Ioga iniciou.

Em uma viagem dessas, a gente percebe o quão insignificante a gente é e o quanto de respeito a gente deve aos outros seres. Também aprendi que a espiritualidade é tudo na vida de uma pessoa, é a esperança. Essas pessoas são muito pobres, mas a espiritualidade faz toda a diferença, assim elas conseguem viver uma vida mais plena.”

“No período que estava na Índia pegou mais pra mim espiritualmente, segui o fluxo da natureza, acordava cedo pra meditar. As cidades eram sagradas e eu queria mais aproveitar o dia mesmo.”

“Às vezes a gente acha que sabe muita coisa sobre a vida, sobre o mundo, sobre a pobreza, sobre a cultura, a religião, mas em um lugar desses, totalmente diferente do que a gente tá acostumado é aí você se choca, é a expansão da consciência. Não basta ler sobre isso, é ir lá e viver a experiência“.

Para ver mais relatos sobre a viagem de Richard Hodara acompanhe sua página no Facebook e novidades de projetos!

Namastê! नमस्ते

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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