Paris. Há tantas coisas maravilhosas para visitar na cidade que é até difícil saber por onde começar. Bem, os museus por lá são visitas obrigatórias para quem curte cultura e arte. E o que falar do Musée d’Orsay, um dos mais famosos do mundo? Além de possuir uma arquitetura linda (ele fica em uma antiga estação de trem), o local conta com diversas obras de arte de enorme valor.

Localizado ao longo do Rio Sena, em frente aos Jardins Tuileries e perto do Louvre, o Museu d’Orsay passou por um incêndio, foi um palácio, central de correios e só em 1986 que se tornou oficialmente um museu. Suas coleções apresentam principalmente peças da arte ocidental do período entre 1848 e 1914.

Hoje, possui também a maior coleção de obras impressionistas. Isso significa que você pode ver pinturas, fotografias e esculturas de escolas e artistas renomados como Van Gogh, Rodin, Manet, Monet, Edgar Degas, Courbet, Renoir, Cézanne, Gauguin, entre outros.

O local que antes era uma estação ferroviária foi transformado em museu em 1986. E que museu!

Algumas esculturas já ficam expostas logo na entrada do pátio central;

O famoso relógio do átrio principal do museu. Dizem que a maior obra de arte do d’Orsay é ele mesmo. 

Au-delà Des Étoiles

Foi no final de 2009 que o Musée d’Orsay renovou suas salas e trouxe mais obras impressionistas e pós-impressionistas. A grande novidade, é que este ano (2017), Paris recebe a Saison Culturelle, a Temporada Cultural – onde acontecerão na cidade inúmeros eventos (dança, teatro, música, festivais, feiras, exposições, cinema, arte de rua).

Um dos grandes destaques quando falamos em exposições é justamente a mostra Au-delà Des Étoiles (Além das Estrelas – A paisagem mística de Monet a Kandinsky) no Musée D’Orsay que tivemos o privilégio de conferir de pertinho. Isso mesmo!

De março até 25 de junho/2017, quem visita Paris pode conferir quadros de Gaughin, Van Gogh, Cézanne, Klimt, Munch, Giacometti e outros mestres ao vivo. Incrível!

As obras expostas em Au-delà Des Étoiles falam sobre o além das aparências e das realidades físicas e aproximam os artistas dos mistérios da existência, mostrando a união e a harmonia com o cosmos. É exatamente a experiência mística que inspira os simbolistas do final do século XIX, que, ao reagir contra o culto da ciência e do naturalismo, optaram por evocar a emoção e o misticismo em suas pinturas.

As paisagens, portanto, pareciam ser os cenários perfeitos para mostrar essa busca, para a contemplação e a expressão de seus sentimentos internos, como vemos no famoso quadro de Van Gogh, o tão conhecido Nuit étoilée sur le Rhône (Noite estrelada sobre o Rhone), pintado em 1888.

O quadro de Van Gogh foi pintado nas margens do Rio Rhone, o que lhe permitiu captar os reflexos da iluminação a gás na cidade de Arles e as águas azuis cintilantes. O céu é iluminado pela constelação da Ursa Maior e em primeiro plano, dois amantes passeiam nas margens do rio, sobre a areia.

Uma das grandes obsessões de Van Gogh era retratar a noite e a natureza que encontrava em Arles.

Outro grande destaque da exposição é Le Semeur (O semeador), também de 1888. O que mais encanta nas obras de Van Gogh é o brilho único de suas tintas (diferentes de qualquer artista, quem já viu um de seus quadros aos vivo sabe) e as pinceladas em camadas.

O artista também pintou pelo menos 18 quadros de oliveiras. Na época, ele vivia em um asilo e essas pinturas tiveram significado especial representando o divino e o ciclo da vida. Esta, “Oliveiras em uma paisagem montanhosa”, segundo o artista, era um complemento à Noite estrelada. (Van Gogh, Les Oliviers, em 1889);

A exposição, organizada em parceria com a Galeria de Arte de Ontário, Toronto, explora as paisagens também de Paul Gauguin, Maurice Denis, Ferdinand Hodler, Monet, Mondrian, além de apresentar pintores norte-americanos como Giorgia O’Keeffe e Emily Carr.

Há pinturas vindas de diversas instituições de arte como o Museu de Nova York, Louvre, Chicago, Boston e até o Museu de Van Gogh em Amsterdã.

Claude Monet aparece com seus lírios e os jardins de Giverny. Durante a 1ª guerra, o artista aumentou consideravelmente sua produção intensificada por pinturas dessas flores e close-ups coloridos do horizonte;

Outra coisa que Monet retratou foi a mudança das coisas no universo. “Tudo muda, até uma pedra”, declarou o artista em seu projeto. Na época, 1892, ele criou vários retratos desta catedral e a mudança da luz durante o dia/tempo. Existem 28 versões diferentes desse quadro abaixo;

Gustav Klimt (abaixo) aparece com seu quadro Roen unter Baumen (Rosas sob árvores) preenchido de folhas e rosas criado com a técnica similar a do neo-impressionismo, dando a ilusão de alívio e contemplação, um espaço plano que nos remete à um mosaico. Klimt passou a sua carreira toda tentando acabar com a barreira que definia arte/arte decorativa;

Há também alguns exemplares de Kandinsky como o moderno Accord réciproque de 1942, que deu início ao que chamamos de abstracionismo. Kandinsky era puramente fascinado pelas cores, pela música e a ligação cósmica;

Munch, bastante famoso por “O Grito”, mostra em Dans pa stranden (Dança na Margem), o lado negro deste misticismo.

“- Há sempre um lado escuro em mim. Olhe ao lado de meus dois personagens principais, as meninas vestidas com cores brilhantes, você consegue vê-los? – Os homens de preto? – Sim. É a morte, a dor. – E o personagem vermelho ao lado? – Paixão. Ela ainda está lá, também.”

Outras obras: acima, Lawren S. Harris; Abaixo, Frederik Varley; 

Quando falamos no cosmos, várias pinturas se destacam aos olhos. Duas delas são: a de Wenzel Hablik (Sternenhimmel Versuch -1909) e a de Augusto Giacometti (Sternenhimmel – 1917).

Hablik manteve um forte interesse ao longo da vida em cristais e formas geológicas em geral. Sua arte é conhecida pela imaginação e fantasia. Wenzel criou representações de templos, cidades voadoras e abismos – sempre utilizando o cristal;

Augusto Giacometti, em Sternenhimmel – 1917, mostra as cores da Via Láctea, seus mitos e mistérios. A obra de perto parece um bordado. Pura inspiração!

A contemplação do infinito, a provação da noite e a questão da luz, a fusão do indivíduo com o todo, a experiência sensitiva e espiritual, as forças transcendentais da natureza são algumas das reflexões que essa exposição nos convida a pensar.

Se você se interessou pelo assunto, saiba que há a possibilidade de fazer uma visita guiada.

Vai lá: Au-delà Des Étoiles – Musée D’Orsay

De terça a domingo, aberto das 9h30 às 18h diariamente. Quinta-feira até as 21:45h. Entrada: 1, rue de la Légion d’Honneur, 75007. Paris.

Até 25 de junho/2017 – Mais informações aqui.

Outras Dicas – Visita Musée d’Orsay

Em 2011, o museu passou por renovações para reforçar ainda mais a sua posição como um museu de arte especializado no século XIX. Se você tiver tempo de visitar todo o local, saiba que há novas salas abertas (o 5º andar, por exemplo, abriga uma Galeria Impressionista com vista para o Sena) e um espaço exclusivo dedicado a Van Gogh (contendo 24 peças, incluindo alguns dos famosos auto-retratos).

Outra coisa linda é o salão (acima) que fica bem em frente ao restaurante (Le Restaurant), no primeiro andar. O local é ainda tão magnífico quanto era em 1900, considerado um monumento histórico.

No Le Restaurant, o mobiliário colorido das cadeiras se destaca junto aos candelabros deslumbrantes e os tetos pintados de dourado. Se você tiver uma grana sobrando, é uma experiência única e exclusiva almoçar/jantar no local!

O chef oferece pratos deliciosos da cozinha tradicional francesa, intercalados com outras delícias originais que estão ligadas aos eventos atuais do museu. Não esqueça da sobremesa. Super recomendo!

*Carol viajou a convite da Atout France para conferir o Lançamento da Temporada Cultural de Paris e Île-de-France e amou. Esse post é resultado da experiência #FeelFrenchCulture, uma colaboração entre Atout France e o Ministério da Cultura e da Comunicação da França.

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Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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