Entre os clientes do designer gráfico Sascha Lobe estão a Adidas, a Mercedes e a Hugo Boss. Seu escritório é também responsável por dar uma nova cara ao Arquivo da Bauhaus em Berlim, a lendária escola de arquitetura e design fechada em 1933 pelos nazistas. Veja o que ele tem a dizer sobre o design hoje no mundo!

Você atua como designer gráfico há mais de duas décadas e já trabalhou, com seu escritório de design de comunicação, para grandes marcas, como Daimler, Adidas e Hugo Boss, e realizou projetos para museus e centros culturais de renome. Na sua opinião, como o design gráfico mudou nos últimos anos? 

Sascha Lobe: O design gráfico atual opera muito livre de pressões. Por um lado, os meios de produção mudaram: muitas coisas para as quais antigamente um designer gráfico precisava de uma técnica altamente profissional ou de um especialista com formação, como um tipógrafo, por exemplo, podem ser feitas hoje por ele mesmo. Programas de utilização intuitiva permitem que ele edite clips de filmes, integre músicas, crie suas próprias fontes de escrita. No momento o design gráfico é incrivelmente diversificado. Vê-se muito minimalismo, preto e branco, em especial na tipografia. Por outro lado, também se trabalha muito com imagens poderosas, há colagens coloridas e opulentas. É um pouco como na moda: os grandes modelos e tendências se dissolveram, é o individualismo que dá o tom.

Você já realizou trabalhos para os mais diversos clientes e instituições internacionais. Que projeto foi o mais desafiador?

Particularmente interessante foi – e ainda é – nosso trabalho para o Arquivo Bauhaus em Berlim. Desde 2014, estamos desenvolvendo para ele uma nova identidade, ou seja, uma nova imagem. Um projeto em que poderíamos facilmente ter nos dado mal.

Por quê?

Porque a Bauhaus é um mito absoluto. E como acontece com os mitos: todo mundo tem uma opinião e todos acham que sabem como fazer melhor ainda. Compreendemos como um grande desafio refletir sobre como sintetizar a imagem da Bauhaus e transmiti-la sem cair no caráter histórico. Como transportar o que a Bauhaus representa, inclusive ideias de design de 1919, para 2018?

Qual foi a abordagem?

Analisamos meticulosamente a tipografia e o design gráfico da Bauhaus, os desconstruímos e montamos de novo. Um exemplo: tomamos como ponto de partida uma fonte gráfica do designer da Bauhaus Herbert Bayer e a suavizamos para torná-la mais funcional. Então estudamos os princípios construtivos de outras fontes de escrita concebidas na Bauhaus. Nós as processamos e adaptamos para criar o que se chama de “glifos alternativos” – e acrescentamos mais de 500 deles a essa escrita. Assim pudemos desenvolver uma linguagem gráfica que é reconhecida claramente como Bauhaus – só que num formato contemporâneo.

Bauhaus é um conceito de design muito alemão. O que acontece atualmente em outros países na área do design gráfico?

Interessante é olhar para a Ásia: na Coreia do Sul, as coisas têm evoluído bastante nos últimos anos. Há fortes referências ao chamado Estilo Suíço – um estilo que teve muita importância nos anos 1950 e 1960. Naquela época, aparência e lógica eram rígidas, orientadas por padrões; a ordem e a funcionalidade dominavam o design. Os coreanos tomam esse design como fundamento artesanal e inspiração e o fundem a seu otimismo asiático e uma postura de “anything goes”. Assim é gerada uma mistura de estilos interessante, que, em contrapartida, exerce influência sobre o design europeu.

Também há novos estilos se cristalizando nos países europeus? Talvez na Itália, onde este ano você foi palestrante convidado do festival Torino Graphic Days?

Não, não há tendências identificáveis. Eu diria até que não existe nem sequer o estilo europeu especial. Pois o que é criado nos Estados Unidos é o mesmo que na Europa. Nas últimas décadas, as fronteiras se dissolveram.

Há algum projeto que você gostaria de realizar – uma espécie de obra dos seus sonhos? 

Eu gostaria de renovar o Prêmio Nobel, de dar a ele uma imagem geral bem pensada, que funcionasse. Isso seria um projeto muito desafiador. Mas não quero ficar sonhando, pois estamos fazendo algo muito interessante atualmente para a Biblioteca Nacional de Luxemburgo. Estamos concebendo e projetando o sistema de orientação e identificação para o novo prédio da biblioteca, uma tarefa legal. Vejo assim: o projeto mais interessante é sempre o próximo.

Abaixo, o designer Sascha Lobe

*Esta entrevista faz parte da Revista Humboldt, desenvolvida pelo Goethe-Institut e foi cedida gentilmente, em parceria, ao FTC. Você pode ler outras matérias sobre os 100 anos da Bauhaus aqui.

Todas as imagens foram cedidas por Sascha Lobe. 

AUTORA

Romy König é jornalista e autora especializada nos temas saúde, ciência e cultura.

O FTC traz conteúdo informativo e criativo sobre arte, design, cultura, decoração, tecnologia, gastronomia, tatuagens, viagens e muito mais!

FTC – já escreveu posts no Follow the Colours.


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