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Antes de mais nada, eu preciso dizer que tô muito feliz de estar aqui e tô sorrindo com todos os dentes enquanto escrevo. Primeiro porque acompanho o FTC há muito tempo e admiro demais o trampo da Carol, e segundo, porque vou falar de uma das coisas que mais amo na vida: ilustração.

Resolvemos criar um espaço todo good vibes, quase intimista, pra você que curte ilustrar e tem aquelas questões que te corroem por dentro e que acha que são exclusivas da sua cabeça. Ou ainda, perguntas que você nem sabia que precisava fazer. Sim, na coluna #ilustralover eu vou falar sobre isso e um pouco mais.

Curiosidades, realidades, utilidades e mais alguma palavra que termine com “ades“. A ideia é cavocar esse terreno fértil, mexer a cuca e botar a mão na massa. Por isso, eu faço questão de te dar dicas práticas, até porque já tem muita gente falando de ilustração só como inspiração. Eu espero poder ajudar você a lidar melhor com a carreira e ser um ilustrador porreta que eu sei que você pode ser.

Não vou te mostrar um jeito mais fácil pra ser um ilustrador, até porque eu não acredito nisso, mas vou tentar deixar seu caminho mais leve, desanuviado e te ajudar a sair da toca.

Comecemos então este primeiro post com algumas verdades que todo ilustrador iniciante ou aspirante a ilustração vai precisar entender em algum momento da vida (quanto mais cedo, melhor).

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1 – Desenhar por diversão é diferente de desenhar a trabalho;

O choque acontece quando você passa do desenho de um Batman mucho-loco para uma ilustração para um cliente. Sim, você terá um briefing pra seguir, prazos, verba. Pode ser que tenham 142 pessoas para aprovar o projeto. E você terá que equilibrar o seu “eu artista” com o seu “eu comercial”, principalmente se resolver ser independente. Como lidar?

Dica-mão-na-massa: saia um pouco dos grupos de desenho do FB e vá atrás de jobs reais. Não tem escola melhor que o mercado. Desenhar é a essência da sua carreira e você tem que treinar todo dia, mas vender seu peixe é fundamental. Não sabe por onde começar?

Leia cada linha do basicão e ótimo Guia do Ilustrador, os artigos do Business of Illustration ou ainda pra quem curte um livro, o Graphic Artist’s Guild Handbook of Pricing and Ethical Guidelines, que tem um conteúdo legal pra quem quer se aventurar na gringa. Ah, e por falar em grupos de FB, entre naqueles que possam precisar de ilustração: designers, publicitários, escritores. Afinal, tem mais chances de você conseguir trabalho com pessoas que não saibam o mesmo que você!

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2 – A timidez, essa bandida!

Timidez pode ser um charme, mas no trabalho é um baita tiro no pé. E eu sei que 9 entre 10 ilustradores preferem virar noites a fio trabalhando do que enfrentar um cliente, por exemplo. Você não precisa mudar sua personalidade, mas precisa enxergar quando alguma coisa está atrapalhando sua evolução.

Dica-mão-na-massa: se coloque em situações constrangedoras. ‘Clau, você bebeu Toddynho depois da meia noite?’ Não. Acredite, se você se colocar em situações desconfortáveis com frequência, vai ter uma hora que a vergonha vai desaparecer ou você vai se acostumar com ela.

É muito fácil ilustrador virar um ermitão. Tá na hora de você publicar suas ilustras e botar a boca no trombone (expressão muito usada no auge da minha adolescência). Tá na hora de você ligar para aquela agência dos sonhos e marcar uma hora pra mostrar o seu trabalho. E-mail não dá medo e o que dá medo é normalmente o que vale a pena.

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3 – Você precisa consumir conteúdos diferentes!

Eu sei, quando a gente gosta de alguma coisa, só dá vontade de consumir isso. É revista, livro, blog de ilustração. Mas não esqueça que a inspiração está lá fora: na pessoa tomando um café na sua frente e até num arbusto ignorado.

Dica-mão-na-massa: saia de casa, do seu office, da frente do Netflix, pegue seu sketchbook e vá rabiscar. Vá no cinema, teatro. Vá numa exposição que você não entenda lhufas. Engane um Facebook da vida e procure por grupos de biologia, de ficção científica. Precisamos ter repertório.

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4 – Quando a persistência vira obsessão;

Eu sempre brinco que ilustrador é um bicho obsessivo. A gente fica horas tentando desenhar uma mão. Esquecemos de nos alimentar e beber água, nem se fale. Tomara que minha mãe não leia isso. Ilustrador tem que se esforçar, desenhar todo dia sim. Mas a plaquinha de warning aparece quando a sua persistência se torna obsessão e sua saúde começa a perigar. Ninguém quer contratar um ilustrador ranhento.

Dica-mão-na-massa: normalmente a gente perde o controle quando fica mais inseguro. Pergunte pra você mesmo: estou dando o meu melhor? Você tá mirando no seu objetivo? Se sim, largue um pouco o lápis e vá comer um pizza que coisas boas vão rolar.

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5 – Nunca subestime os clássicos!

É engraçado como tem gente que se acha descolada demais pra estudar conceitos básicos de desenho ou movimentos artísticos. Não seja um mala, humildade pra aprender é necessário para um ilustrador (independente do seu estágio).

Dica-mão-na-massa: tem dois livros que eu sempre indico pra quem quer (re)visitar o básico sem medo de ser feliz: um é o classicão Tudo Sobre Arte, do Stephen Farthing e o outro é Desenho, da Sarah Simblet.

Bom, pra começar acho que já escrevi um bocado. Espero que tenha sido útil, nem que seja pra você dar umas risadas.

Lembrando que se você quiser saber mais sobre ilustração, tem um conteúdo esperto e grátis aqui ó. Foi feito por mim e é cheio de amô! <3

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Clau Souza é ilustradora há 10 anos e está a frente do Estúdio, Lojinha e Cursos Criativos da Borogodó. Durante a sua caminhada pela estrada de tijolos amarelos da ilustração já teve a felicidade de estar em grandes publicações da área, como Lürzer’s Archive, Zupi e Computer Arts. Desconfia seriamente de pessoas que não gostam de cores e tem pavor de palhaços (mas já teve que desenhar alguns).

Clau Souza – já escreveu posts no Follow the Colours.


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