Natural da cidade de Lima, no Peru, a artista Ana Teresa Barboza cruza diversas linguagens como o crochê, o bordado, colagem, ilustração e fotografia na construção de suas obras. Aos 39 anos de idade, ela diz que não consegue viver sem linha e agulha. Partindo desses materiais, Ana cria objetos híbridos entre a tapeçaria e a escultura, que retratam elementos naturais de maneira muito singular.

Ana começou a desenvolver seu trabalho artístico no final de sua graduação em Pintura, em 2004, na Faculdade de Arte da Universidade Católica Pontífica do Peru.

Em entrevista ao site Textile Artists, ela comenta que seu contato com os trabalhos manuais vem desde a infância, e que o interesse pela tecelagem veio da observação de sua avó trabalhando: “Quando eu estava na casa dela, ela estava sempre bordando, tecendo ou costurando na máquina”, ela ressalta.

A autora dos bordados ainda afirma que sua atração pela arte têxtil se dá pela qualidade das imagens que essa técnica consegue produzir, que o tecido faz as pessoas pararem para admirar as peças que são construídas a partir dele.

Segundo o site Workplaces, Ana “retrata o seu poder de observação da natureza e da sua relação com a realidade”. Algumas de suas peças brincam com a escala, e se estendem em grandes intervenções que tomam conta do espaço, como talvez a própria natureza que ela interpreta faria.

 

A TRAJETÓRIA DE ANA TEREZA BARBOZA

Sobre o seu percurso enquanto artista, Barboza conta que sua formação seguiu princípios modernistas, com foco nos aspectos formais da Arte, como a linha, a cor e a composição. Mas seus interesses a encaminharam para outras maneiras de pensar criativamente, a partir da observação de artistas que usavam diferentes técnicas.

Logo após concluir sua graduação, Ana começou a desenhar roupas, e revela que foi essa proximidade com os tecidos que começou a gerar impacto na sua obra. A artista ainda conta que se interessava em usar a vestimenta como uma linguagem para discutir as relações entre as pessoas.

Os principais materiais que compõe suas peças são, além do tecido, diferentes espécies de fios. E ela emprega fibras de todos os tipos, de naturais a sintéticas. “Eu gosto do trabalho manual, de usar minhas mãos para transformar diferentes materiais”, afirma.

A respeito do seu processo de criação, Barboza comenta que seus projetos normalmente nascem de pequenos rascunhos e anotações, juntamente com as referências que ela e no cotidiano. Ela completa que só começa um trabalho quando já tem em mente o quê quer fazer e como irá fazer, e que ainda faz pequenos testes iniciais para garantir que o resultado será como o esperado.

Mais especificamente sobre seu espaço de trabalho, ela revela que precisa somente de um espaço iluminado e com uma mesa espaçosa.

 

TRABALHOS

O bordado é um elemento central em suas peças. Ana Tereza Barboza afirma que ele deixou de ser uma técnica para “falar algo”, para ser o foco de seu trabalho, como podemos observar em algumas de suas coleções.

Na série “Animais Familiares”, por exemplo, ela explora a sua relação consigo mesma e com as pessoas através da representação da interação entre seres humanos e animais, que são usados como metáforas para a forma como essas relações se caracterizam.

O projeto “Tecendo o Instantâneo” promove uma reflexão das semelhanças entre a tecelagem e as plantas, “que sem esforço estão em constante crescimento, como ficções que nos aproximam do presente e nos tornam conscientes de nossos sentidos”, segundo o Workplaces.

Nas obras da série, a artista busca por uma reconexão entre o homem e as espécies botânicas. Nesse contexto, ela salienta as diversas propriedades benéficas das plantas e de como o ser humano fazia uso dessas propriedades, e como essa relação se perdeu com o tempo, criando um distanciamento entre as pessoas e o clima, a paisagem, a geografia e até mesmo com o seu próprio corpo.

Esses conceitos embasam atualmente o trabalho de Ana, que conta que está focada em “bordar e tricotar para fazer um paralelo entre o processo de artesanato e o processo da natureza”. Ela ainda ressalta que esse paralelo que ela traça entre os processos manuais e as plantas geram no expectador um novo ponto de vista sobre a natureza, e que pretende investir cada vez mais em obras em três dimensões.

Para conhecer os outros projetos de Ana Teresa Barboza, acesse o site da artista.

Via/Via/Via.

Affonso é arquiteto e urbanista e tem dificuldade em ficar parado. Amante dos trabalhos manuais desde pequeno, criou sua loja online, a Caixote dos Milagres, em 2015. Por lá ele comercializa bordados que confecciona a partir de suas próprias ilustrações. Affonso adora artes, decoração e qualquer projeto de “faça-você-mesmo”. Acredita que com criatividade é possível transformar o espaço e as pessoas ao seu redor.

Affonso Malagutti – já escreveu posts no Follow the Colours.


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