Ele é um dos patrimônios vivos da cultura brasileira. Conheça o fantástico artista J.Borges. 

Aos oito anos, José Franciscotrabalhava na terra com o pai. Aos dez, fabricava e comercializava na feira colheres de pau. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel. Aos vinte e um anos, José resolveu que iria escrever literatura de cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.

Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo: começou a entalhar os desenhos na madeiraDesde então, não parou mais de ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.

Descoberto por colecionadores e marchands, viu seu trabalho de xilogravura ser levado aos meios acadêmicos do país. Ganhou exposição na França, Espanha, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha e Suíça. O grande escritor Ariano Suassuna o considerava o melhor gravador popular do Nordeste.

Hoje, suas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte pelo mundo todo.

Dono de uma técnica própria de colorir, atende pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestinoÉ considerado um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco.

Pensando em sua história junto a arte brasileira, a CAIXA Cultural até criou uma exposição exclusiva – J. Borges 80 anos -, coletânea que trouxe 30 xilogravuras e suas matrizes, sendo dez inéditas para diversas cidades do Brasil.

As xilogravuras da mostra retratavam temas de diversas fases de sua trajetória. A mostra exibia ainda as peças que notabilizam a jornada artística de J. Borges. O espaço dedicado à literatura de cordel permitiu um verdadeiro mergulho na poesia popular de J. Borges, na qual ele versa com genialidade os acontecimentos, fatos políticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela é.

“Eu ainda quero viver bastante. O que me inspira é a vida, é a continuação, é o movimento. É aquilo que eu vejo, aquilo que eu sinto”, afirma J. Borges.

A Criação de J. Borges

J. Borges desenha direto na madeira, equilibrando cheios e vazios com maestria, sem a produção de esboços, estudos ou rascunhos. As narrativas próprias do cordel têm seu espaço nas imagens das gravuras. O fundo da matriz é talhado ao redor da figura que recebe aplicação de tinta, tendo como resultado um fundo branco e a imagem impressa em cor.

Suas xilogravuras não apresentam uma preocupação rigorosa com perspectiva ou proporção, é a sua mais pura forma de arte original. A originalidade, irreverência e personagens imaginários são notáveis nas suas obras. J. Borges realmente nos alimenta com seu talento, vida e o sensível universo cultural do povo nordestino.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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