Bárbara Malagoli sempre desenhou muito e desde pequena sabia que faria algo relacionado a artes. Mesmo não entendendo direito sobre a profissão, via documentários dos desenhistas da Disney e achava o máximo. Na época, acabou cursando Artes Gráficas. Depois disso veio a faculdade de Design Gráfico (2007), período em que já desenhava para algumas revistas. Bárbara então passou pelo meio editorial criando ilustrações em lugares como Revista GlossCapricho e MTV.

Descobriu que dava para ser ilustradora profissional quando trabalhou no Estúdio Colletivo, em SP. Em 2015, conforme a vida em agências de publicidade foi ficando corrida, ela focou em trabalhar por conta própria. Hoje, ilustradora freelancer, desenvolve projetos incríveis para diversos clientes de renome como Google, Computer Arts, Vogue, ESPN, Editora Abril, Editora Globo, entre outros. Seus desenhos são veiculados em livros, revistas, viram pôsteres, produtos, dão vida à anúncios e jornais.

O que mais nos chama atenção em seu fantástico estilo peculiar é a forte relação com as cores e as inúmeras formas de suas mulheres com personalidades fortes, representadas por vários tipos de corpos naturais e fluídos. Entre um traço e outro, Bárbara cria poesia feminina sem o usar palavras. Suas linhas flutuam.

Confira entrevista exclusiva com Bárbara Malagoli:

FTC: Há quanto tempo cria as ilustras e quais materiais utiliza? 

Trabalho no meio editorial desde 2007. Eu comecei na Revista Capricho, na época eu fazia tudo a lápis, tinta acrílica e caneta nanquim. Hoje em dia trabalho principalmente com ferramentas digitais como o Illustrator e Photoshop e deixo os processos manuais para projetos pessoais.

FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos? 

Tenho uma forte relação com cores, com elas consigo contar diferentes histórias a partir do mesmo desenho, minha parte favorita é quando posso relaxar um pouco e brincar com as mil possibilidades das paletas e suas nuances. Com as ferramentas digitais esse processo fica mais fácil do que numa pintura e eu adoro essa liberdade pois sou muito indecisa. Sei que tenho uma queda por rosados e tons quentes, então sempre acabo indo para esse lado, pois conversa mais com a minha personalidade.

FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente? 

Enquanto respondo essa entrevista, estou montando uma palestra/workshop que vou apresentar como convidada do evento NDesign, que acontece em Curitiba para estudantes de Design. Por mais que ensinar e falar sobre ilustração seja uma vontade muito grande minha, ainda me pego muito nervosa com esse tipo de trabalho. O lado bom é que eu sou obrigada a estudar mais sobre o assunto para poder falar com mais segurança.

FTC: O que é arte para você e como você definiria a sua arte? 

Tenho muita dificuldade em me analisar, ainda mais trabalhando sozinha. Sinto que meu trabalho está se encorpando aos poucos profissionalmente e ganhando peso no mercado, mas ao mesmo tempo quero que ele tenha uma personalidade e não só uma função. Para mim, a arte não deve apenas preencher um vazio e sim ter a voz do artista, trazer novos pontos de vista e acrescentar algo no mundo.

Sou muito rigorosa comigo mesma nessa sentido, para não cair na armadilha de parar de evoluir e deixar de experimentar coisas novas. Se eu não me divirto enquanto estou criando, sei que estou fazendo algo errado.

FTC: Com o que você se inspira? 

Eu gosto muito de ficar no computador, ver mil referências, mil abas, mil tudo. Mas me sinto muito mais inspirada quando saio pra andar pela rua ouvindo um som ou encontro alguém que trabalhe no meio criativo para trocar ideias. Sempre volto pra casa mais motivada e com a cabeça a mil.

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Voltei a ler muitos quadrinhos. Recentemente me apaixonei pelo livro ‘Killing and Dying’ do Adrian Tomine e algumas obras do Daniel Clowes que não tinha lido ainda. Pra relaxar acabo assistindo alguma comédia pastelão como ‘It’s Always Sunny in Philadelphia’ e ‘The Office’ ou desenhos animados como ‘Steven Universe’ e ‘Rick and Morty’. 

Alguns dos artistas que curto ouvir enquanto trabalho são Mort Garson, Jerry Paper, Piero Umiliani , Thundercat e músicas japonesas dos anos 80.

FTC: Quando viu que dava pra viver disso, ou não dá? Quais as dificuldades nessa carreira?

Quando decidi trabalhar de casa há dois anos e desde então tem dado super certo. A maior dificuldade com certeza é a burocracia e a cabeça fechada de alguns clientes.

“As mulheres de Bárbara Malagoli são inesperadamente leves. Nas curvas robustas que habitam seu imaginário feminino, elas pairam no ar como bolhas de sabão feitas de açúcar. Suculentas, elas convidam o leitor a interagir com elas – ou a contemplá-las. Sedutoras, elas despertam a vontade de chegar ao sublime e, assim, flutuar”. – Bebel Abreu, Editora. 

Veja mais trabalhos de Bárbara Malagoli em seu site e acompanhe a artista pelo Instagram!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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