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Pinturas feitas com vários materiais como guache, aquarela e nanquim. Ilustrações em aquarela com texturas, padronagens ou finalizadas digitalmente. Tanto faz os materiais ou superfícies: a ilustradora e designer brasileira Brunna Mancuso esbanja estilo quando falamos em traços e cores, criando um trabalho único e original.

Como resultado temos personagens incríveis inspirados na força feminina, na fauna e na flora, além do uso de formas orgânicas e geométricas transformadas em estampas. A artista freelancer já ilustrou várias publicações editoriais, além de participar de feiras criativas ao expor seus produtos, pintar murais e fazer trabalhos comissionados pelo mundo todo.

Brunna é curiosa, atenta e dedicada a cada detalhe de seus trabalhos. Nessa entrevista exclusiva que fizemos, ela conta um pouco mais sobre seus desenhos, seu dia a dia e inspirações. Confira:

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FTC: Brunna, queria que você falasse um pouco sobre e como chegou até a arte ilustração;

Olha, não tenho certeza que já cheguei em algum lugar, mas estou curtindo bastante a estrada. Comecei a trabalhar com design em 2006 e depois de passar por algumas agências de publicidade, gráficas e estúdios, fui para uma editora que me deu a oportunidade de fazer ilustrações. Logo em seguida eu me formei em Artes Visuais e meu mundo se abriu, então não parei mais de desenhar.

Eu até desenhava antes, mas estaria mentindo se dissesse que era uma daquelas crianças que não largava o lápis de cor. A minha paixão pelo desenho começou tarde. Adoro contar isso pras pessoas, porque na cabeça da maioria, se você já é adulto é impossível aprender a desenhar e desenvolver um estilo. Não é! Comecei a desenvolver o meu com 23 anos e ainda não parei!

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FTC: Há quanto tempo cria e quais materiais utiliza? 

Ilustro desde 2013 de maneira intensa (praticamente todos os dias), de forma pessoal e profissional! Uso muito o computador pela conveniência que o trabalho exige, mas venho cada vez mais procurando mídias tradicionais, como a aquarela e o guache, para fazer trabalhos manuais. Gosto muito de pintar em porcelana e paredes, também.

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FTC: Qual sua rotina de criação? 

Eu trabalho fora, então eu chego em casa e vou fazer meus desenhos, o que me deixa acordada até tarde. De final de semana eu costumo estar imersa em freelas, então quase sempre estou desenhando também. É basicamente isso: se não estou no meu emprego fixo, estou desenhando!

Mas falando mais especificamente de processo: as ideias costumam pipocar na minha cabeça. Vejo referências o dia inteiro, inclusive como parte do meu trabalho, então se eu tenho algo promissor eu já vou logo pro Photoshop ou pro caderninho anotar tudo pra não deixar o momento passar. Ai é desenvolver a ideia e fazer estudos de cor, perder um tempo olhando pro desenho, sentir se a composição está equilibrada, etc.

Essa parte do trabalho é bem fluída, é mais uma conversa com o desenho, mesmo, ver o que ele precisa, se é de detalhe ou algo mais limpo, uma cor que realce ou pouco contraste. Depois é finalizar com os detalhes. Adoro estamparia, botânica e formas orgânicas, então isso sempre está presente no meu trabalho.

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FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos? 

Poxa, cor pra mim sempre foi algo difícil de dominar. Eu gosto de algo bem gráfico, com paletas definidas e enxutas (não consigo negar meu lado designer que é forte). Mas nem sempre foi assim. Quando comecei eu mal usava cor, porque ela me intimidava. Quando terminava algum desenho meu marido – então namorado – costumava perguntar “não vai colocar cor?” e eu falava que não gostava, mas a verdade é que não sabia como explorar as cores e isso me assustava!

Mas com o amadurecimento do trabalho vem também a segurança de fazer explorações e eu perdi o medo aos poucos. Mas pra ser bem sincera, ainda preciso fazer muitos estudos no Photoshop pra decidir que cor vou usar, e só depois partir pra tinta!!! Minha paleta preferida são os tons quentes, pastéis e variações de vermelho: rosa, roxo e laranja. De preferência juntos!

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FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente? 

Eu costumo fazer feiras alternativas de arte, zines e artesanato em SP onde eu vendo prints, originais, pratos pintados à mão, etc… Isso já me consome bastaste pois a produção é intensa, e tem sempre um ou outro cliente/editora que me procura pra fazer alguma ilustração pra um projeto bacana.

Claro que eu tenho alguns livros e zines na gaveta, mas eles precisam de uma atenção que requer semanas, talvez meses, então vou deixá-los para um momento mais tranquilo da minha vida.

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FTC: O que é arte para você e como você definiria a sua arte? 

Essa é a pergunta de um milhão de reais! (rs) Qualquer resposta que eu dê vai soar genérica e ensaiada, provavelmente, maaas vou tentar… Arte, pra mim, é a forma com que o homem encontrou de expressar seus sentimentos. Antes mesmo de desenvolver uma linguagem, o homem já pintava nas cavernas. A arte visual é uma forma (com ressalvas culturais) bastante universal de dizer o que está se passando dentro de você.

Além disso, desde o começo, a arte também encontrou espaço no mercado, sendo aplicada à moda, aos objetos, aos meios de comunicação, fazendo parte da vida das pessoas. Nesse caso, não necessariamente transmite o sentimento efêmero do artista, mas tem a função de marcar um statement, transmitir uma mensagem. Eu não sei muito bem ainda o que eu faço, mas tem muito de mim e da minha doação nos meus desenhos.

É uma entrega, mesmo. É a forma com que eu vejo o mundo. Desenhar mulheres talvez seja a forma mais direta de fazer isso. Aos poucos, estou tentando trazer mais profundidade ao meu trabalho, com mais metáfora, mais conteúdo.

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FTC: Com o que você se inspira? 

Por ordem de influência sobre mim: viagens, o Instagram, filmes, caligrafia, livros, fotografia, música, a cidade, conversas, a natureza. Basicamente tudo! hahah Meu radar está ligado o tempo todo. Tudo pode virar desenho.

Desde uma pessoa que tem um perfil interessante na rua, a capa de uma revista que eu vejo passando por uma banca de jornal, um restaurante novo que eu conheci, o livro que estou lendo ou uma fotografia de moda que tem uma luz bonita.

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FTC: 5 sites que adora visitar;

BooooooomKinfolkThe Jealous CuratorIllustrated Ladies, e um que não tem muito a ver com arte mas gosto muito, Modefica.

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FTC: Qual dica daria para quem quer começar a desenhar?

Desenhe até sua mão cair. E quando ela cair, desenhe com a outra! (haha) Ah, e muito importante: diminua suas expectativas. Tenha paciência. Vai demorar muito até que você desenhe algo que realmente sinta orgulho, acostume-se com a ideia.

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Confira mais trabalhos de Brunna Mancuso em seu site. Acompanhe seu dia a dia no Facebook, Tumblr e Instagram e veja os produtos que ela cria em sua loja virtual.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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