Cécile Giovannini é uma artista de 33 anos de idade que expressa seu universo imaginário através de pinturas repletas de inspirações surrealistas. Ela cresceu na cidade de Valais, na Suíça, e este lugar teve grande influência em seu estilo estético.

Entre as florestas da região e as margens do mar Mediterrâneo, Cécile construiu seu universo lúdico ouvindo sobre as lendas das florestas, a magia das plantas, os mistérios do mar e sua mitologia.

dois anos ela se divide entre seu país de origem e a Itália para se dedicar a sua residência artística, para visitar a família e para poder “ficar próxima do mar”, segundo ela.

FORMAÇÃO ARTÍSTICA

Cécile Giovannini graduou-se na Escola Profissional de Arte Contemporânea, na Suíça, no ano de 2007. Lá ela estudou pintura e arte sequencial, uma expressão artística que consiste em usar imagens em uma ordem específica para criar narrativas gráficas.

Ela conta que ingressou na escola quando tinha apenas 16 anos, e que os demais alunos de sua turma eram todos mais velhos ou já tinham alguma formação.

Ao concluir a Escola de Arte, aos 20 anos de idade, ela ainda não tinha ideia da direção que poderia seguir profissionalmente: “Era cedo para eu me estabelecer como artista. Então, eu continuei a ‘estudar’ como assistente por mais alguns anos, diz Cécile.

Além disso, a pintora também trabalhou como diretora artística em um festival de quadrinhos e ilustrações durante dois anos. E essa foi uma grande oportunidade de conhecer novos artistas e de entender que “não há somente uma maneira de ser artista, mas infinitas”, segundo ela.

AMADURECIMENTO PROFISSIONAL

Cécile começou a desenvolver seu trabalho artístico atual entre 2012 e 2013, ao se sentir mais preparada com as experiências profissionais anteriores. Como ilustradora, ela já criou artes para para diversas capas de álbuns de música e diferentes instituições e marcas. Ela gosta de assumir novos desafios e de experimentar novas abordagens através do seu trabalho.

Imagem: Jordan Espagne

As suas pinturas sempre trazem uma história sobre um mundo interior entre sonho e realidade. Seu imaginário é nutrido por fortes símbolos, memórias, literatura e imagens que marcaram sua infância e vida adulta.

Imagem: Jordan Espagne

Referências de arte sacra e mística se espalham pelo interior das conchas e demais superfícies pintadas por ela, e reforçam a relação da suíça com o mar. Entre suas inspirações estão artistas como René Magritte, Frida Kahlo, David Lynch e a pintora espanhola Maruja Mallo.

ENTREVISTA – CÉCILE GIOVANNINI PARA FTC

 Cécile Giovannini concedeu uma entrevista exclusiva para o FTC, e contou um pouco mais sobre o seu trabalho e processo criativo. Confere:

FTC: Conta pra gente num tweet, quem é Cécile?

Cécile: Uma artista visual que gosta de contar histórias.

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para começar a se expressar através da arte?

Cécile: Houve vários momentos “a-ha” na minha vida! Por exemplo, depois de receber meu diploma na Escola de Arte, trabalhei em lojas de discos, locadoras de filmes e fiz outros pequenos trabalhos para pagar minhas contas. Percebi que eu realmente precisava viver da minha arte e que era vital pra mim me expressar através dela. E foram esses pequenos trabalhos que me deram o ímpeto de trabalhar duro e de ir melhorando minhas habilidades.

FTC: Você tem um trabalho multidisciplinar. Quais técnicas e materiais você utiliza na criação de suas obras?

Cécile: Eu uso principalmente a tinta acrílica, que fica entre tinta a óleo, guache e acrílico. Ela me permite explorar um grande número de estilos diferentes. Gosto da sensação da pintura, dos pincéis, das misturas, do contato com o material. Eu também uso o computador de tempos em tempos, mas é raro.

De maneira geral, eu pretendo experimentar de tudo algum dia: Filmes, animações, instalações, quadrinhos. A vida é muito longa, então eu pretendo fazer tudo no seu próprio tempo, mas atualmente meu principal meio é realmente a pintura.

FTC: Pode contar pra gente um pouco do seu processo criativo no seu dia a dia?

Cécile: Meu processo criativo é constante. Eu o imagino como uma janela aberta para o mundo, permitindo uma maneira de enxergá-lo. Pessoas, natureza, emoções, filmes, passado, futuro, tudo o que olhamos pode nos levar a criar.

Não faz muito tempo, eu estava conversando com uma cliente (que é uma pessoa muito legal, inclusive), e ela me disse que o desconhecido, o não compreensível, a assustava. Nós acabamos conversando sobre mistério. Na minha opinião, mistério significa aceitar,  se surpreender, fazer perguntas sem nunca ter certeza da resposta. E pra mim, a criatividade segue os mesmos caminhos.

FTC: O que te dá mais prazer no seu trabalho? E o que dá menos?

Cécile: A calma durante os momentos criativos é para mim um grande prazer. Eu estou sozinha comigo mesma. Eu tento, eu cometo erros, às vezes eu tenho sucesso. É uma exploração real.

O que eu menos gosto é o que cerca a profissão artística: Responder e-mails, falar sobre dinheiro, ter que divulgar o meu trabalho. É um processo difícil, porque a publicidade é uma profissão real, e hoje, como artistas, temos que aprender a lidar com esse tipo de trabalho.

FTC: Qual dica você daria para quem está começando na carreira artística?

Cécile: Eu diria o que minha mãe me disse uma vez: “Seja fiel aos seus valores e trabalhe duro, sua vez chegará”.

Se quiser acompanhar o trabalho de Cécile Giovannini, siga o perfil da artista no instagram.

Affonso atua como artista visual e ilustrador e tem dificuldade em ficar parado. Amante dos trabalhos manuais desde pequeno, ele se dedica ao bordado manual como expressão artística e acredita que com criatividade é possível transformar o espaço e as pessoas ao seu redor.

Affonso Malagutti – já escreveu posts no Follow the Colours.


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