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Em tempos de softwares, tablets e uma boa parte da vida profissional em frente a um computador, sempre que recebo um email de alguém perguntando sobre o universo analógico, me emociono profundamente. 

Porque na minha cabeça (e de tantos outros ilustradores) o sketchbookesse livreto de páginas em branco cheio de potencialdeveria ter muito mais relevância na vida de um ilustrador do que qualquer tablet ou software. Sim, eu sei. A gente se deslumbra, eles facilitam a vida, mas estamos falando de papel, a ferramenta mais primária e insubstituível na vida de quem trabalha com ilustração. 

Lá no Curso Carreira Ilustrador (que se você não tá sabendo, é lindo e tá aqui ó) dedico um dos capítulos pra falar exclusivamente do sketchbook: como ser mais produtivo e como escolher o ideal. Porque agora temos tantas infinitas opções, que isso também é a causa de muita confusão e o risco de rolar uma compra mal feita. Por isso, aqui eu selecionei algumas dicas de coisas que você deve levar em consideração na hora de escolher seu sketchbook-amigo:

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1 – Tamanho é documento

Desenhar em espaços pequenos pode ser um perrengue, mas eu te indicaria um sketchbook menor justamente pra se criar o hábito de levá-lo na bolsa. Muita gente fica com vergonha de tirar um caderno grande pra desenhar em público ou acaba esquecendo de levar. O negócio é não deixar de desenhar!

Pra quem tá começando eu só falaria pra evitar os modelos em espiral, por dois motivos: se você quiser fazer uma composição tomando as duas páginas, o espiral estará lá no meio. Que deselegante. E ele também te induz a arrancar as páginas com mais facilidade. – Odiei esse desenho, deixa eu arrancar isso aqui, que ninguém tá vendo! Não se engane, isso não te ajuda. 

2 – Te oriente: a orientação do papel

É mais comum que a gente encontre formatos proporcionais a A4, mas existem vários diferentões por aí. Por isso é importante você saber o que quer desenhar. Se você quer criar cenários, um formato paisagem ou bem wide pode ser uma boa. Se você quer fazer personagens, um retrato pode ser melhor. Mas eis um pulo do gato: um formato estranho e fora do comum, pode fazer você pensar em alternativas criativas para preenchê-lo. Pense nisso.

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3 – Não seja tão duro com você: tipos de capa

No mundo ideal, onde ilustradores ganham muito dinheiro felizes e saltitantes, é legal ter mais de um sketchbook. Se o seu objetivo é levá-lo pra passear, invista em capas duras, são melhores para te dar suporte e não amassam na bolsa. Tá no conforto do seu lar e vai usá-lo numa mesa? Não precisa ter capa rígida e podem ser mais baratos!

4 – A wonderland: os tipos de papéis

Lisos, porosos, de cores diferentes, grossos ou mais finos (gramatura) e acid free (que não amarelam com o tempo). Eu poderia falar dois dias seguidos sobre papéis e perder os dedos conferindo as texturas. Mas de forma bem resumida, os de maior gramatura tem a tendência de se comportar melhor com base líquida, como aquarela e acrílica. Mas atenção: gramatura não é sinônimo de qualidade!

Dar uma olhada na quantidade de algodão do papel é importante – quanto maior, melhor a durabilidade. Lembrando que tudo depende de qual material você vai usar pra desenhar: Opaline é bom para nanquim, Marrakech é bacana pra carvão e pastel e o Canson (o queridinho) tem uma variedade grande, pra todos os gostos. Só sou meio desconfiada com tipos Mix Media, que vendem a ideia de que aceitam ferramentas secas e molhadas com maestria, mas já vi muitos reviews de que não é lá aquelas coisas para os molhados.

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E na hora de escolher onde comprar? Bom, eu sou fã de sketchbooks artesanais, principalmente pelo fato de você poder ter a opção de escolher os papéis (e inclusive dá pra misturar) e por trazer essa poesia para o desenho. Ai que romântica que eu to <3 Lugares como a SchizzibookZoopress e Miolito vendem sketchbooks muito bacanas e que vale a pena conferir. 

Agora que você já sabe como escolher seu sketchbook, não tem desculpa pra não desenhar hein?! Carregue ele pra todo lado, vá sem medo de errar ou pensar que ele irá engolir sua mão, caso você desenhe toscamente. E eis o que mais gosto do papel: ele não dá com a língua nos dentes!

Espero que eu tenha te ajudado e não deixe de contar como você escolhe seus sketchbooks. 😀

Clau Souza é ilustradora há 10 anos e está a frente do Estúdio, Lojinha e Cursos Criativos da Borogodó. Durante a sua caminhada pela estrada de tijolos amarelos da ilustração já teve a felicidade de estar em grandes publicações da área, como Lürzer’s Archive, Zupi e Computer Arts. Desconfia seriamente de pessoas que não gostam de cores e tem pavor de palhaços (mas já teve que desenhar alguns).

Clau Souza – já escreveu posts no Follow the Colours.


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