Quando analisa o que é viver profissionalmente da arte, o brasileiro Newton Mesquita, nascido em 1949, diz que hoje em dia parece que há algo de pejorativo em ser artista profissional, pois isso pode dar a impressão de estar vendido, da arte por causa do dinheiro. “Eu acho que o interesse é o que move você”, diz. A dedicação o faz olhar para seu trabalho e ter sempre uma autocrítica, buscar melhorar e se aprimorar em técnicas e conhecimento.

É algo que ele costuma fazer com suas próprias obras, se debruçar sobre elas e analisar o que pode ser melhorado, explorar as possibilidades do que podem vir a ser. “Um quadro leva ao outro, como um jogo de tênis ou xadrez, um movimento leva ao próximo”, explica. Newton diz que ele mesmo é o seu pior patrão, o mais exigente e crítico. Ele costuma trabalhar sempre em duas ou três pinturas ao mesmo tempo. “Você nunca sabe o que vai vir pra você. Em função daquela ideia, você tem que se adequar e responder intuitivamente e tecnicamente”.

Newton tem até um olhar mais rígido em relação ao assunto. Para ele, experimento é algo que pode vir a não dar certo, o que é diferente de realmente fazer algo com a intenção de acertar. Quando acaba um quadro costuma adorá-lo, mas depois de uma semana já muda alguma coisa na obra. “E depois de cinco anos eu acho legal e depois de dez eu falo ‘Puxa eu era bom’”. 

Quando era mais jovem, acreditava que já sabia tudo e aos poucos foi entendendo que há muito mais para se aprender. “Eu acredito muito em intuição, acho que é uma coisa que você desenvolve, como desenvolve uma técnica”. E compara a intuição como uma forma de meditação para o artista, já que o momento de pintura é um tempo solitário, de reflexão, de ficar só consigo e pensamentos, ideias e dúvidas. A dúvida e a intuição são fundamentais para o artista, em sua visão.

REFERÊNCIAS E INSPIRAÇÕES DE NEWTON MESQUITA

Ao falar de suas principais referências e inspirações, cita que gosta “cada vez mais dos caras mais antigos: Michelangelo, Leonardo Da Vinci e os pintores pré-impressionistas franceses são citados como artistas sobre os quais têm lido a respeito ultimamente. Newton cita ainda Picasso como um grande exemplo que, em sua opinião, poderia ser comparado com Da Vinci, sem analisar o conhecimento técnico entre eles, mas na questão de trabalho e pesquisa.

Nos últimos anos tem se dedicado exclusivamente à pintura, mas deseja resgatar os desenhos e aquarelas. Seu principal material é o acrílico, que é possível aprender a trabalhar bem e atingir ótimos resultados como a transparência do óleo. “O óleo acaba sendo uma lenda pois todas as grandes pinturas foram feitas assim”, analisa.

Apesar de ser um artista ‘das antigas’, gosta da tecnologia e diz que ela facilitou seu trabalho ao longo do tempo. Acredita que é uma ferramenta mal usada. “Se você pensar nos gregos e na gente, a gente evoluiu muito pouco. A tecnologia tem uma facilidade que as vezes te engana, te corrompe. Ela ajuda muito, se você souber usar e não deixar que ela use você”.

COMO SER ARTISTA? POR NEWTON MESQUITA

Para novos artistas, Newton deixa 3 dicas ótimas de como melhorar sempre:

1. TRABALHE

2. SEJA TEIMOSO

3. ESQUEÇA O MODISMO

Para conhecer mais o trabalho de Newton Mesquita, acesse seu site e o acompanhe no Instagram!

*Entrevista realizada em parceria com a @ACasadoArtista. 

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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