Daniel Pardal é artista visual. Suas obras ‘umanos’ trazem artes com sentimentos sem sentido. Confira nossa entrevista

Caetano. Madeira compensada, 3D, tinta acrílica. Observador e curioso, Caetano tem a criatividade surrealista que toda criança tem. Para não cair na monotonia e caretice da vida adulta, troca de pele, de cor, mas nunca perde a sua essência. 

Ele deixou o Adobe de lado em 2017 para sujar sua mão de tinta. Foi assim que começou a desenhar com a intenção de ver seus sentimentos tocando as pessoas. Desse caminho, surgiram seus ‘seres umanos’- (sem h) mesmo -, que começaram a habitar sua mente e a demonstrar um pouco do que sentia e pensava do mundo, das pessoas e da sociedade.

A arte de Daniel Monteiro, também conhecido como Daniel Pardal, traz um agrupamento de raças que nos aproxima de seres universais. “Sou diretor de arte, já trabalhei em agência até dizer chega e um dia eu disse chega! Me encontrei depois de um ano sem ter que criar nenhum job e consegui mudar minha cabeça e meus pensamentos. Gosto do irreal e do abstrato, passando pelo surrealismo e futurismo.”

SERES UNIVERSAIS, UMANOS DE DANIEL PARDAL

“Um ‘umano’ é um humano universal que perdeu o H de homem; ele deixou de ser um elemento secundário, sem vida autônoma deixou de ser afixo; deixou de se agregar com radicais e temas; ele se derivou, como o latim aceitou o que é incomum e agora é um ‘umano’ despreso – solto seria o correto; descobriu que não podia mais ter uma identidade limitada. Como a lemniscata, agora é uma forma sem começo, nem fim num movimento circular de inversão; de conjunção do que existe e o que se sonha. Passo pelo incompatível quando falo do onírico, passo pelo surrealismo quando trago eles para realidade no contexto do absurdo. É isso que represento”. Confira nossa entrevista exclusiva com o artista e conheça o seus umanos.

ENTREVISTA DANIEL PARDAL

FTC: Há quanto tempo cria os umanos? 

Daniel Pardal: 1 ano e meio

FTC: Qual influência nos seus trabalhos?

Daniel Pardal: Me inspiro com arte urbana, surrealismo, com o abstrato e a arte contemporânea. Quando digo arte, para mim é como entendo o meio em que vivo, o planeta onde habito, como ele me educa todos os dias com sensações, sentimentos diferentes e como isso molda meu comportamento.

FTC: Cada um dos seus umanos tem uma história. Pode falar um pouco mais sobre isso? 

A minha arte valida todas essas experiências diárias que disse acima e o objetivo dela é passar informações de como uma sociedade poderia ser melhor, mais justa e igualitária de um jeito lúdico e nonsense.

Onde não haja destruição natural por causa da excessiva produção de bens materiais e que respeitem todas e quaisquer indiferenças com as minorias.

FTC: Com o que você se inspira no dia a dia?  

Música é muito importante para mim. Outros artistas de qualquer vertentes ou estilos, a rua, as pessoas, a política, as reações que o planeta sente e nos passa todos os dias…e por aí vai.

É uma inspiração diária do passado, do presente e do futuro que adoro encaixar com uma pitada lúdica e surrealista, em formas orgânicas e ao mesmo tempo com sentimentos Humanos bem presentes no nosso cotidiano.

Gamboa. Madeira compensada, 3D, tinta acrílica. Dentro de cada mulher tem uma Deusa e a que habita em Gamboa desperta a conexão com a natureza e com a libertação de padrões. Suas raízes afloram, de forma orgânica, em uma miscelânea de valores classes e estéticas. Não é o ter que importa e sim o ser.  

FTC: Uma frase que você carrega para a vida.

” Nada como um dia após o outro”.

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Os últimos livros que mudaram a vida foram de um historiador israelense chamado Yuval Harari (Sapiens, Homo Deus e 21 lições para o Século XXI). Estou lendo “Um novo mundo – o despertar de uma nova consciência” do Eckhart Tolle. Paulo Freire é referência sempre de leitura. Outros escritorxs que aparecem sempre num feed ou numa matéria de algum canal importante.

Ouço de tudo, mas tenho navegado bastante pela música brasileira: Baiana System, Luedji Luna, Céu, Samuca e a Selva, Lia Paris, Alice Caymmi, entre outros. E minha banda favorita é o The Growlers, junto com Alalah-Las e Mystic Braves.

Na arte, eu consumo muita coisa do Crânio, Finok, Os Gêmeos, Michael Reeder, Salventius, Jason Limon, Alex Yanes, Toco-oco, Otto Dambra, Russ Morland (Lurklovesyou), Keiichi Tanaami, etc. São muuuuuuiittasssss fontes.

Gosto de citar atualmente uma personagem chamada Rita Von Hunty e  Sabrina Fernandes. As duas tem canais ótimos no Youtube.

Solangela. Madeira compensada, 3D, tinta acrílica. Da mescla do animal irracional com o racional nasceu Solangela. Uma mulher que se entende como parte de um todo, e por isso, aprendeu a respeitar e a cuidar da natureza. Seu instinto para sobreviver na selva de pedra é a felicidade. 

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Esse é o ano que quero me desenvolver mais com novas técnicas e conceitos, criar mais consciência de onde habito e o mundo em que vivo para poder transmitir mais ideias e questionamentos do nosso cotidiano.

Uma coleção será lançada, com novos ‘umanos’ interagindo com cenários e sentimentos. Quero muito realizar minha arte pelas ruas afora e o que for pintando de parcerias e novos mundos eu sempre topo! Expor novamente também está nos planos.

Gi. Técnica: Madeira, Tinta acrílica e Posca. 

Acompanhe Daniel Pardal no Instagram. Veja os seus ‘seres umanos’ disponíveis para venda aqui. Para contato, email: dacmonteiro@gmail.com

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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