“Minha especialidade em morada/ é beira de abismo/ extremo de rama/ forquilhas do céu/ frágil é ali que me edifico/ em pena e palha/ tênue/ parede que me separa da lua/ frágil vivo pelo prazer e desafio/ de reconstruir-me/ após cada temporal”

O trecho acima faz parte do poema Ninho do paranaense Hélio Leites, um artista de múltiplas linguagens ou, como dizem por aí, um ‘significador de insignificâncias’. Meio louco, meio pardal, ele inventa formas e performances com caixas de fósforos, palitos de sorvete, restos de linha, rolhas, botões, enfim, pequenos objetos inválidos.

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Hélio Leites nasceu José Hélio Silveira Leite. E nasceu na Lapa, no Paraná. Foi bancário por 25 anos, trabalhando no Banco do Estado de São Paulo. Nas horas vagas, pintava quadros em acrílico. Um dia, decidiu que não era aquilo que queria para sua vida. Largou então a vida bancária e passou a se dedicar à arte. Hoje, Hélio bate ponto todo domingo na Feira do Largo da Ordem.

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Todas as suas obras possuem nomes e, principalmente, uma história. “Sermão aos peixes”, “Nossa Senhora da Luz dentro da caixa de fósforo” e “Finalizador de TPM”, são alguns dos seus trabalhos mais populares.

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Não contente em ser o fundador da Associação Internacional do Botão, aquele mesmo que se desprendeu da sua camisa outro dia, e papa da Igreja da Graça, esta mesma que, ao contrário da Desgraça, só faz rir, criou também a menor escola de samba da América Latina, com carros alegóricos minúsculos, feitos de sucatas diversas, e a bateria feita com caixas de fósforos.

Leites gravou um breve depoimento – de onde tirei o título desse post – para o projeto O que é tristeza pra você? que já foi divulgado aqui mesmo no FTC em abril. Se você não teve a oportunidade de assistir, reserve cinco minutinhos para iluminar seu dia 😉

Paulo Moura é jornalista, sócio-diretor da Agência VIRTA e autor do blog Mosca Branca. Além do FTC, também escreve sobre inovação e criatividade para o Hypeness.

Paulo Moura – já escreveu posts no FTCMAG.



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