Por Heloísa Righetto.

Heloísa Righetto é designer por formação, mas dedica-se a escrever sobre o assunto para sites, revistas e blogs no Brasil e no mundo. Mora em Londres desde 2008, trabalhando como correspondente para as mídias especializadas e também como analista de tendências do site Homebuildlife, o braço de interiores e lifestyle do WGSN.

Sei que a palavra tendência anda super utilizada, na maioria das vezes erroneamente, mas não há expressão melhor pra explicar um movimento que está começando a tomar forma no meio criativo: o design “hackeado”. Ok, a primeira vista a palavra hackeado tem conotação negativa – roubado, ilegal – mas nesse caso o conceito é positivo e carrega muito significado.

A tendência tem tudo pra decolar, já que o design hackeado é a combinação do melhor de dois mundos completamente opostos: produção em massa e o fazer artesanal. A ideia é personalizar, fazer do “quebrado” algo novo e destacar defeitos ao invés de escondê-los. Em um mundo onde tudo é descartável e oferecido com tanta facilidade, consertar peças defeituosas ou quebradas parece uma tarefa desnecessária e cara. Além do mais, todo mundo gosta de mudar de vez em quando, principalmente qiando falamos de móveis e decoração.
Hackear uma peça de mobiliário soluciona todas essas questões e ainda por cima a transforma em algo único, impossível de ser copiado. Alguns designers já estão trabalhando com essa tendência há algum tempo, transformando feio em bonito e provisório em definitivo. Karen Ryan foi uma das primeiras a trabalhar com design hackeado, e sua linha de cadeiras é feita a partir de partes de cadeiras quabradas, que seriam descartadas. O resultado tem alto apelo estético, mas não peca no quesito funcionalidade.
Paulo Goldstein também usou a tendência, ao consertar luminárias usando componentes que não faziam parte dela originalmente. A mistura de materiais chama atenção imediatamente! No Brasil temos o trabalho maravilhoso do estúdio Fetiche Design, com a coleção “Conserta-se Móveis. Tratar Aqui”. A pegada “hack” fica por conta das bandagens nas cadeiras: o conserto fica totalmente a mostra, a preocupação é justamente deixar claro que a peça é antiga. Os vasos também fazem parte da coleção, produzidos a partir de vasos quabrados na linha de produção de uma fábrica de cerâmica. Ideia super original, uso de descarte inteligente.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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