Henrique Nobrega, também conhecido como HNR, teve contato com a arte desde cedo. Seu tio, Ismael dos Santos, tinha a tutela de uma escola de artes plásticas e cartoon que ficava na Leopoldina, em São Paulo, e foi lá que ele teve seu primeiro contato com a disciplina. “Lembro de dividir as atividades artísticas com meu primo que sempre foi um ilustrador foda. Eu acabei seguindo para o lado mais artístico da coisa, já que nunca me considerei um bom ‘ilustrador’.”

Henrique conta que suas criações sempre foram mais soltas e ele sempre utilizou o desenho como ferramenta para representar as coisas que pensa. “Não de forma tão literal quanto os quadrinhos e cartoon, mas sempre nas entrelinhas, misturando técnicas, pesquisando minhas próprias referências e muito conectado com tudo que eu via desde criança.”

OS TRABALHOS DE HENRIQUE NOBREGA

Em seus trabalhos, Henrique insere um pouco do que aprendeu e absorveu ao observar as ruas de São Paulo. Letras, rabiscos, colagens, stickers. “Essa sempre foi e sempre será o cor do meu trabalho. Não posso deixar de falar que sou apaixonado por arte clássica e nos últimos 7 anos dediquei todo meu sangue e money que consegui com meus trampos para ir em museus como: Louvre, Van Gogh Museum, conhecer as artes e arquitetura do Gaudi, Salvador Dali, Moco Museum para ver de perto trampos do Banksy, Toronto art Gallery, Rembrandt House e também o FOAM que fica em Amsterdam. Tive a oportunidade de ver as fotos do Helmut Newton que deram um novo significado para o que eu conhecia como ‘fotografia'”.

Desde então, o artista procura colocar um pouco desse amor que sente pela arte desses artistas na sua arte também e através de toda essa vivência, estudos e referências, cria obras que misturam tipografias, pinturas a óleo, neon, spray, stickers, murais, e o que mais sua imaginação deixa-se levar. Confira entrevista!

ENTREVISTA COM HENRIQUE NOBREGA
FTC: O que te levou a começar a criar?

Como esse lance de desenho e arte sempre esteve muito próximo da minha realidade, achei que seria importante para mim expor como eu vejo o mundo, como eu uso as técnicas que aprendi, como que eu conseguia misturar tudo isso de forma autêntica (não curto muito ver referência de Pinterest, Behance, por mais que ajude muito nos trabalhos, utilizo uma técnica que aprendi vendo um documentário do artista polonês Stanisław Szukalski, que falava que todo artista deve absorver o seu próprio conhecimento e desde então levo isso para o meu trabalho).

Eu me sinto na obrigação de criar, inventar algumas coisas, me permitir a errar.. eu amo arte e saber que com o passar dos anos de certa forma aprendi alguns caminhos para materializar o que penso, uso esses atalhos para colocar um pouco de mim nesse mundo. Fico feliz quando vejo minhas artes em revistas de arquitetura, é bizarro ver algo que fiz ali no meu espaço sem tanta pretensão sendo valorizado por um mercado. Em resumo, o que me levou a começar a criar, foi o amor que eu sinto por arte! E saber que eu também sou capaz de contribuir com a minha verdade para esse universo.

FTC: Há quanto tempo cria e quais materiais utiliza?

Eu ilustro desde de criança, tipo uns 7 / 9 anos de idade, mas como meu primo sempre foi mais foda que eu, isso me ofuscou um pouco, eu achava que era ruim. Mas com o passar do tempo fui evoluindo e percebi que pelo fato de não me considerar tão bom, eu estava criando o meu próprio estilo, estava fazendo coisas que outras pessoas não faziam, não estava com um traço viciado.

Minha vó é Alagoana, e ela sempre teve uma ideia de que deveríamos ter a letra bonita para ter um bom emprego, etc. Uma baita viagem, mas que fez com que eu sempre prestasse atenção na construção das letras, ser legível, bonita! Na adolescência eu fazia tags nas ruas e fui aos poucos percebendo que eu tinha facilidade para a parada. Misturava os riscos com umas frases legíveis e por ai foi indo. Quando eu fui estudar pintura a óleo vendo as artes dos grandes mestres tive uma ideia crucial para o meu trampo.

Pensei em usar essas técnicas para fazer letras e não para pintar retratos. Desde então, eu só pinto com tinta óleo, eu amo o processo, o cheiro da terebentina, a sensação de abrir um recipiente de tinta, o fato de não poder errar, poder passar uma mensagem, um texto, uma frase de impacto!  As pessoas se conectam com texto facilmente, uso isso e várias vezes sou irônico nos meus trampos, coloco palavras positivas sempre a frente, mas no fundo sempre tem uma mensagem que se a pessoa tentar ler ela vai dar uma boa viajada tentando entender. Tinta óleo SEMPRE!

FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos?

Apesar de utilizar muito preto e branco nas minhas artes, coloco cores quando quero me desafiar. Trabalhar com cor é difícil e fácil de errar, de não sair como você imagina. Principalmente quando você utiliza tinta óleo, onde tem que criar as suas próprias cores misturando os pigmentos.

As cores são a vida da coisa, ela é nítida, implacável! Deixa o trampo lindo ou brega! Transitar nesse fio é arriscado mas é foda ao mesmo tempo.

FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente?

Tenho um projeto de Sticker que criei em 2013, chamado Sticker attack (sim é um verdadeiro attack), quem já viajou comigo sabe que fico o dia inteiro colando Stickers seja lá onde for, mas principalmente em lugares mais paradisíacos onde ninguém colou ainda. Como por exemplo em Perito Moreno, nas geleiras da Patagonia, colei muitos lá. Deu até medo de ser preso hahaha. Esse meu projeto já passou por países como: Irlanda, Canadá, França, Holanda, Espanha, Portugal, Bélgica, Alemanha, Colombia, Chile, Uruguay, Argentina. Na Colombia eu colei tantos, tantos e tantos, que acabei conhecendo uma americana que quis comprar o meu Pack. Vendi alguns pra ela mas o role continuou e foi um verdadeiro Attack.

Fui pra Bélgica em 2016, numa época em estava rolando atentados terroristas, o clima da cidade era tenso, todas as ruas lotadas de policiais extremamente armados. Não por isso, colei vários lá também. O último rolê foi no Canadá, colei muitos em Toronto e principalmente em Montreal no festival de artes “MURAL”, a nata da arte mundial estava lá, aproveitei a oportunidade para colar ALTOS STICKERS.

FTC: O que é arte para você e quais as características da sua arte?

Arte pra mim é se expressar, seja lá como for: na escrita, na dança, no teatro, na música. Colocar a sua verdade, o que você gosta, ou apreciar, tentar entender, se conectar com aquilo, se emocionar com um filme, com uma peça. Pow, me emocionei quando vi a “Ronda Noturna” do Rembrandt no Rijksmuseum. Lembro de tantas vezes que eu queria estar ali e o quanto aquilo foi importante pra mim, saca! Era meu sonho!

As características da minha arte é o amor que sinto pelo que faço. Sou verdadeiro com o meu trabalho, não me engano quando estou fazendo, me permito errar, mas sempre sei onde quero chegar e qual resultado estou buscando transparecer naquele momento. Tenho paixão pela parada, sabe? Essa é a principal característica.

FTC: Com o que você se inspira?

Sempre acompanho o que está rolando no momento, nessa era digital. Quando vejo uma tendência rolando pego uns livros de arte clássica e tendo fazer essas conexões. Isso me inspira, esses opostos, essas conexões, exposições.

FTC: O que vem pela frente?

Desde 2019 estou fazendo vários trabalhos utilizando NEON, acredito que nesse ano vou misturar letras, o próprio neon e pintura de personagens, tudo no mesmo contexto. Baita desafio, porque isso foi tudo que eu aprendi até agora. Nunca uni tudo e talvez 2020 seja a oportunidade.

Para ver mais os trabalhos de Henrique Nóbrega, acesse seu site e acompanhe sua evolução através do instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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