Itsuo Kobayashi é um artista de 58 anos de idade que registrou as suas refeições diariamente desde a adolescência. Natural de Saitama, no Japão, ele criou pinturas em cadernos e folhas avulsas durante 32 anos.

Ao longo desse período Itsuo criou mais de mil ilustrações que retratam tigelas de lámen, ensopados de curry e os mais variados tipos de bentô, que são tradicionais marmitas japonesas.

Segundo o site Colossal, o que se destaca nas representações é a perspectiva aérea escolhida pelo autor, que permite que todos os ingredientes do prato possam ser vistos individualmente.

Além das ilustrações é possível visualizar anotações sobre os ingredientes, o preço e opiniões do ilustrador sobre o prato e o tempero. Segundo o Nexo, a ideia das pinturas é que Kobayashi pudesse relembrar a sensação que teve ao comer as iguarias.

NOVA ROTINA DE TRABALHO DE ITSUO KOBAYASHI

Os anos de dedicação às pinturas tiveram seu ritmo diminuído devido a problemas de saúde que Itsuo começou a enfrentar em 2008. Segundo o Artnet, ele começou a sofrer de neurite alcoólica. O distúrbio afetou a capacidade de locomoção do artista, o que o obriga a permanecer em casa na maior parte do tempo até os dias atuais.

A sua arte passou a ter um significado ainda maior desde então, fazendo com que cada refeição se tornasse mais do que nunca uma “saída criativa” para sua rotina em casa.

A dificuldade de saúde também interferiu nas suas atividades profissionais. O japonês atuava como chef de cozinha e como auxiliar em um centro de fornecimento de alimentos para escolas de Tóquio antes de ser afetado pelo distúrbio.

RECONHECIMENTO PROFISSIONAL

Depois de cinco anos se adaptando à nova condição o trabalho do ilustrador passou a ganhar destaque. Em 2014 suas pinturas gastronômicas foram descobertas por N. Kushino, curador da galeria Kushino Terrace, localizada em Fukuyama, no Japão.

O curador conheceu as ilustrações em uma pequena exibição que reunia obras de artistas com deficiência: “Encontrei uma pequena pintura de Itsuo Kobayashi em uma exposição da arte de pessoas com deficiência na prefeitura de Saitama. Quando visitei sua casa, havia milhares de obras de arte, disse Kushino ao Artnet.

Ele então se tornou representante do trabalho de Itsuo e também foi curador de sua primeira exposição no Japão. Além disso, ele também foi o responsável por levar suas pinturas para os Estados Unidos. Suas obras foram exibidas durante a Outsider Art Fair, em Nova York, em janeiro de 2020, e foram comercializadas por até três mil dólares.

Embora sua rotina varie pouco, Kobayashi está levando sua prática a uma nova direção, criando uma nova série de pinturas em formato de cartões pop-up, em que as figuras levantam e parecem saltar aos olhos do observador ao abrir uma página.

O trabalho do japonês é um exemplo de que a arte pode tornar a vida um pouco menos difícil, como descreveu a Colossal: “Pra ele (Itsuo), pintar tem o mesmo significado de viver. A doença torna cada vez mais difícil andar, mas ele não para de pintar, concluiu.

Affonso atua como artista visual e ilustrador e tem dificuldade em ficar parado. Amante dos trabalhos manuais desde pequeno, ele se dedica ao bordado manual como expressão artística e acredita que com criatividade é possível transformar o espaço e as pessoas ao seu redor.

Affonso Malagutti – já escreveu posts no Follow the Colours.


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