Ela já apareceu por aqui com sua arte que transforma crochê em arte urbana e espalha mensagens inspiradoras sobre o universo feminino. Também, logo no início, com seus painéis e instalações fotográficas. A artista visual residente em São Paulo, capital, Karen Dolorez, continua a utiliza o crochê como principal instrumento para sua expressão artística pessoal, criando grandes obras com o material.

Com foco na arte contemporânea e street art, seus trabalhos, sutilmente provocativos, envolvem questionamentos relacionados a ocupação de espaços públicos, questões sociais, de gênero e pessoais. Em meio à sua pesquisa, o resgate da mulher tecelã na história tem grande importância e influência. É criada uma relação interna onde o papel da mulher na arte contemporânea dialoga com a mulher da história, ambas utilizando o ato de tecer como forma de expressão. A intenção de sua arte é também fazer com que a interação do público com suas obras proporcionem experiências sensoriais reflexivas, através das texturas e do próprio toque.

Nesta sua nova fase, Karen traz retratos que falam sobre o AMOR. São 3 retratos que simbolizam fases de um processo pessoal. “Acho que cada uma delas conta uma história (e as três juntas mais ainda) e tenho sentido diferentes interpretações de cada pessoa diante das obras. É muito interessante ver as possibilidades de significados de um trabalho. Me inspirei na poesia do João Cabral de Melo Neto para os títulos, ‘Os Três Mal Amados’ e acho que os títulos acabam se tornando parte do trabalho também: ‘Quando o amor comeu a minha paz e a minha guerra’, ‘Quando o amor comeu o meu dia e a minha noite’ e ‘Quando o amor comeu o meu medo da morte’ – conta a artista ao FTC.

“Quando o amor comeu o meu medo da morte”, 2018. Crochê s/ algodão, 105x150cm

“Quando o amor comeu a minha paz e a minha guerra”, 2018. Crochê s/ algodão, 105x150cm

“Quando o amor comeu o meu dia e a minha noite”, 2018. Crochê s/ algodão, 105x150cm

Conversamos com Karen para saber um pouco mais sobre seus novos trabalhos e o que mudou desde o início dessa jornada com o crochê. Acompanhe:

KAREN DOLOREZ EM SEU NOVO ATELIER

FTC: A maioria das suas obras trazem como tema o feminino. Uma das suas últimas é a ‘Mil Lábios’. Tem gente que ainda se incomoda com esse tipo de arte?

Ultimamente existe uma abertura muito maior, parece que é menos chocante, sabe? Tem muitas pessoas que ainda entendem como piada ou afronta mas acho também que a maioria das que acompanham ou tem contato com o meu trabalho compreendem o significado político e social.

“Mil Lábios”, trabalho de 1mx1m (caixa de acrílico) que foi selecionado pra participar da Bienal de Artes do Sesc 2018.

FTC: A gente já trouxe um pouco da sua visão antes aqui no site. O que mudou de lá pra cá?

Acho que acabei entrando numa nova fase no meu trabalho no geral. Desde o começo do ano, quando passei a ter um espaço só para o atelier, entrei nessa nova fase, criando trabalhos mais internos e saindo um pouco das instalações na rua. Foi bem importante pro meu processo criativo ter um espaço voltado somente para o trabalho, sabe? Consegui desenvolver novas obras, como essa série e iniciar a produção para uma exposição.

Auto-retrato. 18 de dezembro de 2017. Feito com restos de fio.

FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente?

Estou produzindo o tempo todo. A intenção é ter obras para uma possível exposição. O processo de produção das obras em crochê é bastante demorado e por isso é mais difícil ter uma quantidade significativa de peças em pouco tempo. Ao mesmo tempo, esse processo mais lento acalma o ritmo frenético da vida na cidade. É importante entender e respeitar a matéria que a gente trabalha e seus limites.

“Girl Gathering”, 2018. 0,65 x 1,00m

FTC: Com o que você anda se inspirando atualmente?

A minha inspiração vem muito do que sinto, das minhas vivências e da troca com pessoas. Mas além disso, posso citar alguns artistas que gosto demais e tenho acompanhado bastante ultimamente: Ines Longevial, Olek, Erin Riley, Gleo, Guimtio, Acidum Project, Alexandre Herberte… Fora isso tenho muitas referências de artistas contemporâneos, escritores e músicos, que colaboram demais para a criação.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Se tudo der certo, uma exposição interativa!

“The Queen of Hearts”. Obra exclusiva. 40x50cm. 

Acompanhe o lindo trabalho de Karen Dolorez no Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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