A artista utiliza a técnica de acrílico sobre tela, criando formas generosas de volumes. Conheça Miriam Postal!

Vestindo estampas e chinelos de dedo, seus personagens transmitem o retrato da alma brasileira. Passeiam de bicicleta, jogam cartas, sinuca, namoram no sofá, empinam pipa, acolhem seus animais, conversam com familiares. Miriam Postal tem profundo interesse por “Joãos e Marias”, e muitas vezes insere seus personagens por outros continentes sem perderem a sua verdadeira essência. As cenas sempre nos mostram situações de um povo simplório, porém feliz.

Miriam sempre foi uma criança curiosa. De Passo Fundo, RS, dona de um estilo próprio, ela se destaca por ter uma marca registrada, reconhecível em meio a tantos outros artistas, linguagens e temas. Desde cedo se interessava por fotografia, dança, teatro. Depois, na Universidade com o Bacharelado em Artes, aprimorou suas técnicas, fez viagens, até que chegou o momento em que as pessoas começaram a ver seu trabalho com outros olhos e assim surgia a demanda. No início, suas pinturas eram feitas em cima de uma chapa usada na confecção de sapatos, pois achava que a textura diferente trazia algo a mais para suas obras.

A chapa foi industrializada e Miriam passou a usar tela de pintura convencional, mas gosta de variar nas superfícies. Hoje passa pelo metal, madeira e acha interessante a variedade de coisas que pode compor: “Aquilo que lhe traz surpresas durante o trabalho, materiais alternativos, o desconhecido, dá um ‘up’ ao trabalho, você não sabe o resultado. A curiosidade é algo que me acompanha desde a infância.”

O ESTILO DE MIRIAM POSTAL

O estilo de suas figuras também evoluiu com o tempoelas eram magras, saltitantes, feitas na base do pincel, e depois se transformaram em grupos, acomodações, falam sobre simplicidade, pertencimento, e foram sendo aumentadas. Receberam chinelo de dedos, malas, muitas estampas. Esses símbolos, explica Miriam, existiram em algum lugar, lhe chamaram atenção no cotidiano, e foram transferidos para suas obras. Sofás, cortinas, janelas, animais – todos têm uma fonte de inspiração para fazer parte dos cenários.

Os tons que ela pintava antigamente eram os complementares: azul e laranja. Posteriormente, ela começou a usar os amarelados e avermelhados, terrosos, ou então, os laranjas, marrons, nessa gama de cores quentes. Ou então, só tons de azuis com interferência de verde. Hoje as obras tem uma variedade enorme de cores que se justapõem e se complementam. São uma miscelânea de tons e estamparias.

A princípio, os tons mais terrosos traziam a atmosfera de calor e envolvimento, proximidade das figuras. Com as formas já mais volumosas, as cores foram amenizadas. O trabalho buscava por coisas mais alegres, o afago, o amável, sem deixar de ser caloroso.

PRAZER E DIFICULDADES NO TRABALHO DE ARTISTA

Para Miriam, foram muitos percalços até se estabelecer como artista. Ela trabalhou até em 5 lugares diferentes como professora de arte, tudo ao mesmo tempo, até se dedicar totalmente ao seu ateliê. Mas hoje, a vontade de pintar um tema e perseguí-lo até a ideia de terminá-lo não tem preço! “Deu a cor certa, a sensação é prazerosa! Não são todas as obras que conseguimos isso. Quando chegamos a um bom resultado, valeu a pena criar!” 

Sobre as dificuldades, ela comenta que atualmente há muita concorrência, mas também, há a possibilidade de diversificar tudo, já que as mídias sociais estão aqui para ajudar o artista. A imagem chega muito melhor, o processo se espalha e atinge muito mais pessoas. Mas para viver disso, uma coisa muito importante é ter demanda da tua obra e ter locais para expor: “Nem sempre a internet é efetiva e vem junto a compra. E geralmente é um processo longo viver disso, o artista tem que ter outro trabalho para ter tranquilidade enquanto o caminho acontece”. 

Quando perguntamos se ela teria alguma dica para iniciantes, Miriam diz: “Seja curioso. Sua obra deve ser mostrada, a divulgação é sempre importante, por isso forme um processo coletivo, nunca desassocie a divulgação do seu trabalho e não fique preso em um ateliê”. 

SOBRE O FUTURO

E o que vem pela frente, Miriam? A artista quer alternativas de volume, trabalhos diferenciados, telas com novos significados, evolução de sua técnica, novas fases em seu estilo, além de aumentar a proximidade com mais pessoas, já que ela acha que a arte é muito restrita: “Gostaria de fazer exposições abertas para que um grande público e crianças possam visitá-las!”

Recentemente, Miriam recebeu a menção honrosa da Academia Passo-fundense de Letras, pelo seu trabalho e dedicação à arte e também por levar o nome da cidade de Passo Fundo a outros patamares. Seus trabalhos podem ser vistos em muitas galerias pelo Brasil e pelo mundo. Além dos inúmeros trabalhos sociais, Miriam também dedica uma parte do seu tempo para a educação: visita escolas ou recebe alunos em seu ateliê para contar sobre a sua vida e a sua obra.

Agora, após vários anos de projetos e sonhos, os produtos de Miriam Postal chegam ao público! “Minha vontade sempre foi fazer parte do cotidiano das pessoas, levando a minha arte como parte do mundo delas.”

Os personagens gordinhos estampam canecas, porta-lápis, mouse pads, porta copos, almofadas, jogos americanos, bandejas, abajures e outros produtos que trazem a arte inconfundível que é marca registrada da artista. Tudo disponível na sua loja virtual!

A novidade é que para 2020, Miriam deve estar muito mais ativa no mundo virtual, em um exercício contínuo de expansão da sua marca, prepara novas coleções de produtos de arte aplicada contribuindo para a democratização da Arte. Sabe aquela frase sobre ser curioso? Pois é, não pare nunca!

Aproveite para ver todos os trabalhos de Miriam Postal em seu site e a acompanhar nas redes sociais: Facebook, Instagram e Pinterest!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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