Direção de arte, colagens surreais e inspiradoras, que misturam fotografias e cultura pop. O estúdio Paste in Place é resultado da imaginação de Rodrigo Pinheiro, Designer de Produto por formação, mas apaixonado por Design Gráfico.

Rodrigo trabalha com Direção de Arte focado em imagem de moda, desenvolve campanhas fotográficas e peças derivadas, além de curtas e roteiros publicitários. Ele conta que desde moleque recortava revistas velhas e juntava as imagens que colecionava tudo em uma folha de sulfite pra tentar criar o mundo que passava pela sua cabeça.

Depois de anos, entre um job e outro, sentiu a necessidade de reviver essa ideia, porém, agregou a linguagem da moda – que está presente em seu dia a dia – com uma pitada de surrealismo. Nascia o “Paste in Place”, inicialmente como um hobby, mas que trazia arte nova aos seguidores toda semana pelo Instagram.

O projeto cresceu e suas publicações se espalharam por grandes veículos como FFW, IdeaFixa, The Storm Magazine Paris, Marie Claire Turquia, entre outras. O que era uma ‘brincadeira’ acabou virando seu estúdio criativo. Pensando nisso, conversamos com o artista para saber um pouco mais sobre como tudo se transformou. Confira entrevista exclusiva:

FTC: Como chegou até as colagens e a ideia do Paste in Place? 

Rodrigo: Há 6 anos trabalho com Direção de Arte focado em imagem de moda. Durante esse meio tempo, me especializei em Marketing/Propaganda e Direção de Arte para o cinema (AIC), o que me trouxe vivências em diferentes áreas e novos olhares sobre como traduzir a arte para o mundo da moda.

Apesar de trabalhar sempre com coisas novas, querendo ou não, estava preso a uma certa rotina. Vi a necessidade de ter um hobby que me tirasse desse ciclo vicioso. Surgia o Paste in Place.

“Meus trabalhos quando não comerciais, em sua maioria, seguem uma linguagem ligada a algum tema. Isso possibilita o desenvolvimento de séries que contam histórias e não algo apenas criado pelo fator estético.”

No início, comecei divulgando meus trabalhos semanais apenas pelo nome do projeto para que ele fosse reconhecido pela sua essência – não tendo ligação ou influência da minha pessoa sobre isso.

Isso gerou uma curiosidade de saber quem era o cara por trás e as pessoas começaram a mandar mensagens pra conhecer mais sobre. A partir daí, desenvolvi vários editoriais para empresas daqui e de fora do Brasil. Com isso, o que era um projeto de arte evoluiu para um Studio Criativo com foco em Arte & Moda.

FTC: Há quanto tempo cria e quais materiais utiliza? 

Eu iniciei o projeto em maio de 2015. A maioria das colagens são digitais, mas tem alguns analógicas também em que uso recortes de revista e papeis coloridos para criar profundidade, mas sempre acabo finalizando no photoshop mesmo.

O que estou fazendo ultimamente é criar em cima da arte impressa, interferências com materiais tipo glitter, papel laminado, entre outros, para dar uma textura mais interessante.

Muitas vezes crio do zero, desde a fotografia até as intervenções, mas em outras atuo também como um ‘reciclador’. Junto várias coisas que já foram feitas ou fotografadas e transformo isso em algo novo – tanto esteticamente quando no seu conceito como imagem.

FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos? 

Creio que as cores são fundamentais. Um dos pontos mais importantes e onde incrivelmente eu levo mais tempo no desenvolvimento, pois adoro fazer combinações diferentes e que estejam em harmonia com a composição.

Nessa brincadeira, eu testo mais de 10 combinações e tons diferentes para que elas sejam interessantes, tanto na tela do computador quando em um print gigante. Geralmente trabalho muito com tom e sobretom, além de curtir demais criar em P&B onde entram apenas alguns pontos com cores, geralmente um dourado no meio disso tudo.

FTC: Como surgem as ideias/temas?

Isso é uma pergunta que as vezes eu me faço também! (haha) Tudo vai muito do que eu estou pesquisando, lendo, de um filme que vi ou um lugar que visitei. Geralmente tudo que acho na internet ou foto que tirei vou salvando em uma pasta e quando acho que está ok de referências, na maioria as vezes, aleatoriamente, começo a ver pontos em comuns entre elas. Dai surge um tema ou ideia.

Muitas vezes, o tema é uma cor onde todas as composições tem que ter o mesmo tom – ou uma evolução deles – preciso transmitir essa sensação naquela arte. Também sento em frente ao PC de madrugada e começo a brincar: dali sai uma sequência. Creio que a melhor forma disso é deixar fluir, estar com a cabeça fresca e sem preocupações!

FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente?

Sim! Criei um projeto gráfico que mistura colagem e double exposure para o lançamento de uma marca de óculos de sol da Nova Zelândia. Está ficando super bacana, acho que acontece em fevereiro.

Ao mesmo tempo, tem um editorial lindão que fala sobre a deusa Kali, a deusa negra da destruição e renovação, ela destrói para construir. Pense nas voltas que dei para conseguir traduzir isso para um editorial de moda!

Em breve quero realizar um concurso de colagem digital para dar oportunidade pra galera que está começando e que tem talento de mostrar seu trabalho. Afinal, nessa área o que mais falta é incentivo!

FTC: O que é arte para você e como você definiria a sua arte? 

Podemos usar a tradicional definição de que a arte em si é uma forma de expressão. Mas, para que isso se torne verdade, tem que ser genuíno e levar seu DNA junto. Arte pra mim é uma forma de libertação. Quando estou criando, meio que esqueço o que está se passando nesse mundo aqui.

Essa é a pergunta mais difícil que se pode fazer a um artista!

“Eu diria que o que venho trazendo com o meu trabalho é uma experimentação de tudo que recebo de informação. Tenho que evoluir muito ainda. Apesar de ter um apelo estético grande, sempre tem um porque daquelas composições, cores ou texturas, ou de como eu posicionei os personagens. Está aí o segredo e o prazer de criar algo novo.”

FTC: Com o que você se inspira? 

Viagens! Adoro viajar e conhecer lugares novos. Isso me renova. Quando chego a uma cidade vou logo tentar achar o mapa dela e saio andando a pé. Você acha muito mais inspirações em rua e vielas do que andando de taxi.

Não sou muito de ir aos pontos turísticos, mas eles são bons para observar o comportamento das pessoas e isso é uma fonte de inspiração imprescindível. Quando não posso viajar, ouvir um bom set de música me ajuda demais a pensar no que vou fazer.

FTC: Uma frase que define o seu trabalho.

Na falta do que fazer, inventei minha liberdade.  – Engenheiros do Hawaii.


 Acesse o site do Paste in Place para ver mais trabalhos do Rodrigo e acompanhe o estúdio nas redes sociais: Instagram e Facebook.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no FTCMAG.



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