Como o dicionário diz, amor próprio é “sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada qual tem por si mesmo”. Ou, “admiração ou orgulho excessivo de si mesmo; vaidade, soberba, modéstia”. E a fotógrafa Roseane Moura não só consegue demonstrar isso através de suas imagens, como faz, despida de regras e preconceitos.

Roseane não captura só corpos, mas a alma que brilha através da pele de cada um. Em seu projeto com o mesmo nome, ‘Amor Próprio’, mulheres são registradas pela sua beleza natural, refletindo força, sinceridade, formas, cores e contornos reais.

A fotógrafa permite um mergulho no reconhecer-se, traz um olhar pra dentro e a possibilidade de viver certos momentos de entrega sem receio de ser o que se é. O projeto Amor próprio fala sobre honrar o corpo e a história que ele carrega, sobre ser, sentir e permitir.

A proposta do Amor Próprio não é um ensaio sensual. O importante é que, independente dos padrões de belezas expostos, essas mulheres se mostrem cada uma com o seu jeito, com sua luz e naturalidade. Além disto, Roseane quer fortalecer a força feminina, contribuindo para a mudança de referências visuais.

Roseane além de uma ótima profissional é uma mulher inspiradora. Com muita irreverência, ela nos deu uma entrevista exclusiva e falou mais sobre como a ideia começou. Confira:

PROJETO AMOR PRÓPRIO – POR ROSEANE MOURA

FTC: Conta pra gente, quem é Roseane e como chegou até a ideia do projeto Amor Próprio?

“Fui aparelhada para gostar de passarinhos”. Dia 28 de janeiro completo 40 anos. Larguei o barulho da cidade pelo som das ondas do mar. Estou morando há 2 anos em Ubatuba e esta conexão com a natureza era uma busca. É inspirador. Observar o tempo! As mudanças em nós e no mundo.

Sou mãe de dois lindos meninos e com eles aprendi a gostar das coisas simples e cotidianas. O meu olhar fotográfico sempre esteve ligado diretamente ao meu momento de vida. O que faz meu coração bater mais forte. A fotografia é meu jeito de falar com o mundo. Gosto do registro sincero.

Amor próprio é um projeto que estava no coração há alguns anos. Quando nasceu, foi tão natural! Em uma conversa destas longas da madrugada em minha casa com uma amiga. Contei deste meu novo momento de olhar pra mim. Olhar de dentro pra fora, do projeto. Foi um belo momento de inspiração, conexão e resgate.

Peguei a câmera e ela topou ser fotografada. Foi uma troca cheia de coragem e aprendizado. Depois, outras mulheres incríveis me escreveram contanto suas histórias de vida e querendo vivenciar esta experiência. Nasceu de essência simples. Amar-se! Permitir-se – ser o que somos!

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para se interessar pela fotografia? 

Eu tenho interesse pela fotografia desde criança. Sonhava em ter uma câmera fotográfica. Aos 15 anos, dia do meu aniversário, chegando da escola vi meu pai sentado na calçada da nossa casa com um fotógrafo amigo. Dentro do banco da frente do carro, algumas câmeras para eu escolher. Ah, minha primeira câmera, uma analógica.

Na faculdade de publicidade, entrei pela primeira vez em um laboratório fotográfico, fiquei fascinada pelo processo de revelação. Pude resgatar a câmera que ganhei na adolescência. Nessa época, eu comecei a explorar mais o meu olhar. Mas, só em 2006 comecei a ver a fotografia como profissão. Fiz cursos e surgiu a fotografia de casamentos na minha vida. Depois gestantes, bebês e famílias (que eu mantenho os registros com a Lente Materna Fotografia e agora com o Amor Próprio Retratos.

FTC: Como surgiu essa sua relação com as mulheres, o corpo, essa conexão de entrega? 

Na maternidade! Nas potentes rodas de mulheres. Como é fortalecedor caminhar junto. Na busca pelos meus partos, no estudo e pesquisa sobre natureza do corpo. Tudo isto foi muito importante na construção do meu olhar e jornada.

FTC: No seu olhar, pode contar pra gente um pouco de como o seu trabalho se destaca? 

Digo que a minha fotografia é uma saladinha de almas. O meu interesse é pela história, pelas pessoas. Extrair a essência e transformá-la em fotografias. Conexão. Não me encanta o registro pelo registro.

O Amor próprio, por exemplo, não é um ensaio sensual. É um momento de entrega. Um bate papo, um passeio. O ensaio tem o objetivo de olhar-se. E aí, cada mulher vai interagir de acordo com o seu momento de vida.

FTC: Pode falar um pouco mais sobre alguma fotografada/ensaio que te marcou bastante? 

Nossa, é muito difícil escolher um. Todos marcam minha alma. É uma troca de confiança. Cada ensaio é um aprendizado enorme. O marcante é que eu posso me ver um pouco em cada uma delas. É o retorno de como elas se sentem após o ensaio.

FTC: Qual o sentimento ou experiência que você quer que as pessoas tenham diante da sua câmera?

Celebrar as suas vivências. Que a arte seja um dos caminhos para isto.

FTCO que te dá mais prazer neste trabalho? E o que dá menos?

A sensação de empoderamento que elas me relatam. Os laços femininos e o auto cuidado. Representatividade é importante também.

Menos? Os padrões impostos que enfraquecem meninas/crianças desde muito cedo, mexendo tão fortemente com a auto estima e suas potencialidades.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Está nos planos exposições fotográficas e a possibilidade de uma imersão em Ubatuba para quem estiver com vontade de se olhar, experimentar, perceber as emoções, muita natureza e amor próprio. Viajar, aprender outras artes e confiar no que a vida traz.

FTC: Um bate bola jogo rápido: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Lido: Poesias. Visto: Projetos Autorais do Felipe Scapino – evidenciando a cultura e arte, através de seus filmes e produções. Referências visuais do livro One People – Many Journeys, é um livro com belas imagens fotográficas sobre a conexão entre os povos do planeta e os ciclos da vida. Estou no momento de ver a vida pulsar.

Ouvido: Os sons da natureza, Miles Davis, Badi Assad, Tulipa Ruiz e Thai – Flor de lótus.

Artistas preferidos na Fotografia: Irmina Walczak, Maggie Steber, Amy Toensing, Henri Cartier Bresson, Luciano Alves com o projeto Arco-Íris no Escuro.

Outras Artes: Na cerâmica, Malu Ramos e Carolina Tsai, as xilogravuras do Benedito, ilustração Mãe Solo da Thaiz Leão, Valdinei Calvento e Jhon Bermond – arte da terra, Re Vitrola… ufa. E por aí, vai. Muitos talentos pelo mundo.

A liberdade de ser o que se é. Quando foi a última vez que você reservou um tempo só para si?

Acompanhe o trabalho de Roseane Moura no site do projeto e no Instagram. Bateu uma vontade de fazer parte do Amor Próprio? Entre em contato com ela agora mesmo!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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