Luz, névoa, água, sons, tecnologia. O estúdio italiano Quiet Ensemble traduz em arte aqueles momentos em que muitas vezes passam despercebidos. 

Quiet ensemble é um estúdio de arte com sede na Itália, que cria instalações de arte e performances audiovisuais com foco no equilíbrio entre a natureza e a tecnologia utilizando a luz e sons. Nas obras, os artistas Bernardo Vercelli e Fabio Di Salvo estão interessados em revelar o invisível e o inaudível que nos rodeia no cotidiano.

Bernardo Vercelli e Fabio Di Salvo formam o Quiet ensemble

Criado em 2009, a pesquisa do Quiet ensemble passa pela observação entre caos e controle, natureza e tecnologia, criando intervenções que mesclam esses elementos e que se formam a partir da relação entre as formas orgânicas e os assuntos artificiais, com foco nos elementos insignificantes e ao mesmo tempo maravilhosos, como o movimento de uma mosca ou o som das árvores nas florestas.

Confira a nossa entrevista exclusiva com a dupla:

ENTREVISTA QUIET ENSEMBLE

FTC: Pode contar um pouco sobre vocês e como começaram a criar as instalações?

Somos Fabio e Bernardo e começamos a trabalhar juntos como Quiet Ensemble há dez anos. Começamos por coincidência, nosso primeiro trabalho que representa o Quiet é chamado Quintetto, uma orquestra de peixinhos dourados tocando um interminável concerto meditativo.

Esse momento foi o começo para nós, um universo muito interessante para descobrir e analisar um mundo que se abriu à nossa frente. Natureza e o inesperado, pequenas criaturas e forças ocultas relacionadas à tecnologia. A tecnologia nos ajuda a sublinhar todos os eventos que consideramos preciosos.

FTC: O trabalho de vocês é único. Quais materiais vocês usam com mais frequência?

Somos inspirados por muitos elementos diversos; porém, toda vez precisamos aprender técnicas e ferramentas muito diferentes. No último trabalho que fizemos “Efêmero”, tivemos que desenvolver um conhecimento que envolve canos.

Trabalhamos muito com luz e som e muitas vezes existe um elemento natural, que pode ser uma criatura viva ou vento, gravidade, água e assim por diante.

Também trazemos para as nossas obras o caos e o controle, tentando encontrar um equilíbrio entre os dois. É importante criar uma peça em que nos tornamos espectadores e nos maravilhamos ao vê-la.

Em “Mechanical Ballet”,  uma instalação robótica enfatiza a alma escondida em objetos aparentemente inanimados. Um concerto sinfônico e balé mecânico de luzes motorizadas envolventes dinâmicos e rítmicos, são revelados através de linhas ocultas de luz e som, tornando audível a “voz” dos objetos. Sincronizado em movimentos únicos, o coral robótico traz ao público uma verdadeira orquestra mecânica. 

Uma criatura flutuante orgânica semitransparente se move no espaço, moldada pelas forças do ar e da gravidade. A criatura está reagindo e mudando constantemente. Unshaped oferece uma gama completa de emoções, desde um humor profundo que nos lembra o mundo subaquático até uma tempestade nervosa e reluzente.

FTC: Como vocês se inspiram? Tem algum hobby? 

Nós nos inspiramos com os “shows invisíveis” e os “teatros microscópicos” escondidos ao nosso redor. Todos os dias, eventos que não chamam a atenção e nem ouvimos em uma primeira impressão.

Acontece que, enquanto caminhamos, somos atraídos pelo movimento de uma árvore ou pelo reflexo de uma poça, se ambos obtivermos o mesmo impacto emocional, decidiremos criar um projeto a partir disso … ou pelo menos tentaremos.

Poderíamos dizer que nosso trabalho também é nosso hobby, inclui tantos elementos que facilmente nos perdemos nele.

Orchestra Da Camera é uma instalação musical na qual os 40 elementos da câmara estão rodando conectadas a um carrilhão. Quando giram, cada um dos carrilhões começam a tocar uma nota musical. O grande número de carrilhões e as ações aleatórias destes ‘seres’ tornam irreconhecíveis as melodias (são canções de ninar de Brahms, Schubert e Mozart), criando um inesperado som determinado pelo microfone. 

FTC: Como vocês descrevem esse tipo de obra para as pessoas?

Trabalhamos em instalações e performances, criando peças inspiradas na natureza e construídas através da tecnologia. Nosso objetivo é despertar a maravilha infantil, adormecida dentro de nós.

FTC: O que vem a seguir?

Estamos nos mudando para um novo estúdio, organizando a distribuição dos projetos que fizemos e, enquanto isso, estamos lançando as bases para novos trabalhos. Mantendo a curiosidade.

Em “Invisibili orchester”, a vida oculta da natureza se torna um concerto visual. As maravilhas microscópicas, invisíveis e inaudíveis aos sentidos humanos são reveladas ao público trazendo uma orquestra musical: a folhagem que se move ao vento, o movimento do formigueiro. O pequeno enxame é ampliado através de microscópios de alta definição e revelado em grandes videowalls no local. O concerto é composto pelos elementos visuais capturados no local, amplificados nas telas grandes e seus sons criando uma constelação dinâmica.

Para conhecer um pouco mais do mundo mágico de Quiet Ensemble, acesse o site e acompanhe os artistas no Facebook. 

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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