O Centre Pompidou em colaboração com Google Arts & Culture traz um projeto digital inédito em torno do trabalho de Vassily Kandinsky, artista visionário fundamental na história da arte do século XX

Até o dia 31 de dezembro de 2021, todos terão acesso gratuito a um material extenso e rico sobre um dos artistas abstratos mais importantes do mundo, conhecido por Kandinsky.

Vassily Kandinsky (1866) foi um pintor russo que apesar da formação no curso de Direito pela Universidade de Moscou, demostrou grande interesse pelas Artes Visuais após conferir uma exposição de pintores impressionistas e ficar deslumbrado.

Ele se tornou então artista aos 30 anos, mas dedicou todo o seu tempo à criação de um mundo pictórico, e assim, foi considerado o 1º pintor do ocidente a produzir obras abstratas. Uma grande influência de seu trabalho foi à música, suas primeiras pinturas deixavam transparecer um certo toque musical.

Gelb, Rot, Blau (Amarelo-vermelho-azul), 1925- Kandinsky. Esta pintura é baseada no equilíbrio de elementos opostos, mas contraditórios. À primeira vista, parece haver duas partes contrastantes. No entanto, a ênfase principal está nas três cores primárias, sendo a composição organizada por sua sucessão da esquerda para a direita.

Kandinsky não estava apenas curioso sobre conexões entre arte e música. De acordo com o projeto Sounds Like Kandinsky—uma nova experiência educacional baseada na web desenvolvida pelo Google Arts & Culture e Centre Pompidou—o pintor era na verdade um sinesteta; ou seja: ele tinha a capacidade de ouvir cores e ver sons.

Esta faculdade específica levou-o assim a tentar transcrever estes sons e música para a pintura, o que o colocou no caminho da abstração. Música e cor estavam, para ele, inexplicavelmente ligadas. Ele disse uma vez: “O som das cores é tão definitivo que seria difícil encontrar alguém que expressasse amarelo brilhante com notas graves ou lago escuro com agudos”.

Kandinsky também foi professor da Bauhaus, escola alemã de design, arte e arquitetura. O artista, sempre conectado com as vanguardas europeias, lecionou na escola até seu fechamento pelo governo nazista em 1933. Após este período, seguiu para Paris onde permaneceu até sua morte, adotando nacionalidade francesa. Mesmo doente, produziu até o fim de sua vida, falecendo na França, aos 78 anos de idade (1944).

SOUNDS LIKE KANDINSKY

Embora muitas pessoas sejam capazes de reconhecer algumas das obras de arte mais famosas de Kandinsky, o homem por trás da tela é menos conhecido. Graças à digitalização em alta definição de milhares de obras e documentos de arquivo raros (telas, esboços, desenhos, fotografias privadas, correspondência de cartas), essa experiência digital não apenas reúne suas obras-primas icônicas, mas também nos permite ver Kandinsky como nunca antes, descobrindo as viagens e encontros que deixaram uma marca duradoura em sua vida, bem como esse seu dom da sinestesia – que são fundamentais para aprofundar nossa compreensão de seu trabalho e legado.

O projeto consiste em três partes. A primeira, traz exposições on-line, reúne obras, fotografias, paletas, pincéis e outros objetos que lhe pertenciam, da rica coleção Kandinsky doada ao Centre Pompidou por sua esposa, Nina Kandinsky, o que permite que todos entrem no universo da vida e obra do artista.

A “Galeria de Bolsos“ do projeto Sounds like Kandinsky no Google Arts & Culture

A segunda parte é a “Galeria de Bolsos“ que permite que qualquer pessoa com um smartphone ou tablet passeie pela exposição sob realidade aumentada e veja de perto algumas das obras de arte mais renomadas de Kandinsky realizadas pelo Centre Pompidou.

A terceira parte intitulada Play a Kandinsky é um experimento interativo original que usa tecnologias de ponta para reinterpretar o dom da sinestesia de Kandinsky, combinando inteligência artificial e partituras originais criadas por dois artistas musicais experimentais Antoine Bertin e NSDOS.

‘Sounds Like Kandinsky’ oferece a maior coleção de obras de arte de Kandinsky do mundo. Vale a pena gastar seu precioso tempo com o projeto. Confira tudo aqui. 

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no FTCMAG.



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