– Mas mãe, porque a gente tem que ficar parado olhando para o céu?

– Nós não estamos olhando para o céu, nós estamos vivendo o céu!

Essa resposta pareceu ascender imediatamente a imaginação do meu filho. Apesar de muitas perguntas, ele não queria mais perder um minuto dessa experiência. Maravilhado, ficou bem ele, bem pequenininho, sentindo-se como uma estrela (que é).

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Nós temos uma história e tanto com a natureza! De respeito divino (nossos ancestrais acreditavam que a natureza era a expressão da vontade dos Deuses) ao desprezo total (a natureza era considerada inferior ao homem e por isso devia ser destruída para dar espaço às estradas, pontes e cidades). Hoje sofremos as consequências dessa relação conturbada, mas também, estamos mais dispostos a repensar nossa convivência.

Eu e a natureza começamos nossa amizade bem cedo. Minha mãe logo me fez perceber as riquezas e cores das árvores. E meu pai, me fez contemplar muitos espetáculos naturais, como por exemplo, a chuva de granizo. Com grande intimidade, curti e ainda curto toda sua riqueza. Nadei nos rios, comi fruta no pé, desci morros com caixa de papelão, aprendi a identificar as árvores pelas folhas e mergulhei em muito céu estrelado. Em retribuição, aprendi a respeitar, cuidar, preservar, plantar e até a ouvir o que a natureza tem a dizer.

Para alguns, pode parecer poético demais, porém a relação com a natureza me fez compreender muitas formas de ser. Ser paciente, respeitar as mudanças e os ciclos, perceber a abundância de caminhos e possibilidades, observar a comunicação entre os seres e entre outras coisas, acreditar que o todo é bem maior que as partes.

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Quero que meus filhos vivam tudo isso. Que sintam uma vontade pura de viver em comunhão com a natureza e que estabeleçam uma relação direta com ela. Que aprendam que a natureza é parte de nós, assim como somos parte dela. Para isso, sempre os convido e também gostaria de convidar vocês à experimentarem alguns desses encontros com a natureza! Selecionei 5 momentos inspiradores, confira:

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1 – Contemplar o nascer e o pôr do sol (foto: Charles Innes)

Não é preciso acordar todo dia às cinco da manhã. Uma vez pode ser o bastante para que seu filho (a) perceba a imensidão que é ver o sol nascer. Uma sensação de força, de vontade, de clareza e de calor são experimentados nesse momento. Ver o sol nascer é como acordar sendo abraçado pela natureza inteira.

Contemplar o pôr do sol pode ser um hábito maravilhoso. Pode ser uma pausa do corre-corre da vida cotidiana, um momento de admiração espontânea, de aconchego com a família, de reflexão sobre o tempo e a duração do dia e da vida e de agradecimento.

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2 – Pedir um desejo para o céu estrelado (Foto: Pixabay)

“Primeira estrela que vejo, realiza o meu desejo” é uma brincadeira que fazia quando criança e que hoje faço com meus filhos. Pode parecer uma superstição boba, mas a verdade é que nessa brincadeira está contida a esperança, a comunicação com o não-racional e o encontro com os próprios desejos.

Quem melhor que o céu para ser um confidente? Ele vê tudo e não conta nada para ninguém!

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3 – Apreciar o mar (foto: Doca Corbett)

A Clarice Lispector conta que seu pai a acordava todo dia bem cedinho para dar um mergulho no mar. E que isso foi definitivamente marcante para a formação da personalidade dela.  Será que vem desse hábito toda sua profundidade, sua serenidade cheia de ondas e sua inspiração tão poética para escrever? Será?

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4 – Um passeio pelas matas (foto: Pixabay)

Seguir uma trilha até a cachoeira pode ser uma aventura de cinema para os pequenos. Com paradas para perceber as diferentes espécies de plantas, identificar os mais estranhos e lindos sons dos bichos, contar as tantas cores que aparecem, sujar-se, escorregar na raiz de uma árvore, e enfim, descobrir-se nas aguas mais geladas de uma linda cachoeira.

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5- Um encontro com os animais (Foto: Doca Corbett)

Um final de semana no sítio de uma parente, ou uma visita àquela amiga que largou tudo para viver no meio do mato, podem aproximar seus filhos dos animais. Reviver memórias passadas de alimentar as galinhas, tirar leite da vaca, correr com os potrinhos pelo campo e carregar filhotinhos no colo, vão estimular o respeito e a simpatia pelos bichos. E vice-versa.

Vana é escritora, ilustradora e formada em psicologia. Tem nove livros publicados e é autora do Porquesim – tirinhas que espalham alegria e leveza por aí. Mãe de dois filhos, Benjamin e Amora, procura viver com poesia o dia-dia em família.

Vana Campos – já escreveu posts no Follow the Colours.


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