O objetivo da exposição é questionar o lugar da mulher nas artes e também fora, explorando a união entre arte e ativismo

Até o dia 17 de novembro, quem estiver por São Paulo poderá conferir no MASP a exposição “Histórias das Mulheres: Artistas até 1900”, junto com “Histórias Feministas: Artistas depois de 2000”. As duas mostras fizeram parte de uma escolha do museu em expôr artistas femininas, que ainda recebem menor espaço no campo das artes.

Na primeira, são 62 pinturas, 2 desenhos e 34 tecidos expostos e que retratam trabalhos de mulheres de diversos continentes como do norte da África, das Américas (antes e depois da colonização), Ásia, Europa, Índia e no território do antigo Império Otomano. Foi proposital colocar nessa exposição quadros e tecidos lado a lado. Os primeiros geralmente são atribuídos às tarefas masculinas, enquanto a atividade têxtil era muito relacionada à um trabalho feminino.

Abigail de Andrade

Colcha (quilt) “lâminas de cata‑vento”, circa 1890, Acervo MASP, coleção especial de exposições temporárias

A proposta da mostra é justamente olhar para esses lugares de gênero e exaltar trabalhos incríveis nos dois suportes – tela e têxtil – que são feitos por mulheres. É também uma forma de reafirmar a qualidade de arte que carregam os tecidos e que muitas vezes não são vistos como tal. A existência desses trabalhos mostra que as mulheres sempre fizeram arte, mesmo que nem sempre reconhecida.  

Já a segunda exposição “Histórias Feministas: Artistas depois de 2000” traz obras mais próximas do nosso tempo, com 30 artistas e coletivos que surgiram a partir do século XXI. Partindo da relação do MASP com a rua – pois sua arquiteta, Lina Bo Bardi, assim o projetou com o vão livre para que fosse palco das transformações externas e de seus visitantes – o museu também se abriu para receber a arte e o ativismo.

Em muitas obras, é clara a presença de questionamentos do feminismo. Uma das mais reproduzidas em fotos no Instagram, o letreiro em neon da artista Santarosa Barreto retrata um dos lugares que a figura feminina brasileira ocupa no imaginário estrangeiro. A frase “Você é brasileira? Oh, Eu amo mulheres brasileiras”, é comumente ouvida em situação de flerte e carrega uma erotização da mulher brasileira.

Enquanto a exposição de artistas até 1900 resgata obras de arte, comprovando a existência da presença feminina no campo, a exposição depois de 2000 traz as mulheres como protagonistas e questionadoras da representação feminina nas artes e também fora delas. Assim, as duas exposições foram inauguradas juntas e pensadas como uma extensão uma da outra. 

“Histórias das Mulheres: Artistas até 1900” e “Histórias Feministas: Artistas depois de 2000” têm curadoria de Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea; Lilia Schwarcz, curadora-adjunta de histórias; Mariana Leme, curadora assistente, MASP e Isabella Rjeille, curadora assistente, MASP.

VAI LÁ: até dia 17/11/2019 no MASP

PS: As obras da expo Histórias Feministas que estavam no 2ª subsolo não estão mais disponíveis. As do 1º subsolo permanecem até 17/11 junto com a expo Histórias das Mulheres. 

Av. Paulista, 1578, São Paulo, SP.

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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