A visitação é gratuita e ficará na capital paulista até o começo de 2019

Millôr Fernandes é um nome muito familiar para grande parte dos brasileiros. O jornalista, conhecido por seu trabalho com quadrinhos publicados na imprensa, ganha uma exposição no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, que celebra 70 anos de sua carreira e reúne algumas de suas produções que marcaram a história do Brasil.

Com a curadoria de Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires, a exposição foi inaugurada no dia 18 de setembro de 2018 e ficará aberta ao público até o dia 27 de janeiro de 2019, sendo a entrada gratuita.

Vinda do Rio de Janeiro, quando foi exposta em 2016, a mostra “Millôr: Obra Gráfica”, é composta por cerca de 500 criações gráficas, divididas entre cinco grandes conjuntos, que incluem autorretratos e produções históricas como a seção “Pif-Paf”, publicada na revista O Cruzeiro, entre 1945 e 1963 e que em 64 se tornou uma revista, até sofrer censura pela ditadura militar.

“(…) o espaço ainda estava profundamente marcado por sua presença, os móveis e objetos permaneciam intactos e, ao vê-los, era possível imaginar a rotina do autor. A mesa de madeira onde desenhava, cheia de porta-lápis cuidadosamente separados em dégradé, o móvel com seus guaches e aquarelas, sua enorme biblioteca, com uma seção destinada exclusivamente a dicionários e a poltrona amarela em que se sentava para conversar com amigos e dar entrevistas, um dos poucos móveis, por sinal, que não era vermelho, como quase todo o ambiente”. – trecho de um texto do IMS.

Desde 2013, o Instituto Moreira Salles detém os direitos sobre a guarda do acervo de Millôr Fernandes, composto por seu arquivo pessoal e mais de seis mil desenhos. Além de jornalista, como gostava de ser chamado, Millôr foi também grande desenhista, escritor, tradutor e acima de tudo, um pensador com humor ácido que marcou gerações.

Ainda assim, suas charges poderiam ser facilmente usadas para criticar o cenário social e político do Brasil atualmente. A atemporalidade do trabalho de Millôr faz dele um homem ainda mais lembrado e também nos faz pensar a respeito dos problemas do nosso país.

Em comemoração à chegada da mostra em São Paulo, houve dois eventos paralelos à inauguração. No dia da estréia, às 18h, uma leitura de uma antologia de alguns temas importantes para Millôr – como vida, morte e escrita – feita pela atriz Maria Manoella e pelo escritor Antonio Prata.

Já em outubro, em toda quinta-feira do mês haverá o Curso Millôr desenhista: trajetória e contexto, das 19h às 21h, com a participação do ilustrador Daniel Bueno. A loja do IMS também contará com dois volumes dedicados a Millôr, um de obras gráficas e outro de frases e desenhos.

Desenho para publicação em IstoÉ, 02.12.1987. Acervo Millôr Fernandes / IMS

VAI LÁ – MILLÔR: OBRA GRÁFICA

O IMS Paulista fica na Avenida Paulista, 2424 – São Paulo. A exposição pode ser visitada de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 10h às 20h. Quinta, exceto feriados, das 10h às 22h.

Não deixe de visitar aqui a página criada pelo IMS especialmente para reunir manifestações de arte que ocorreram durante o período da ditadura militar no Brasil, onde há, entre outros, muito conteúdo feito por Millôr Fernandes.

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade. Escreve um blog sobre meio ambiente, sustentabilidade e consumo consciente. Também se dedica a cozinhar, como forma de prazer e arrisca novas receitas no tempo livre.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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