Resiliência: substantivo feminino. 1. FÍSICA: propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica; 2. FIGURADO (SENTIDO): capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças

resiliência

O processo do isolamento social tem sido difícil para todos nós. Alguns enfrentam com medo, outros enfrentam em casa, vendo Netflix, e, outros, ainda, enfrentam na linha de frente. Em um país onde os desafios são diversos para a grande maioria da população, não só em tempos de pandemia, a mais importante força para nosso sistema imune é a resiliência.

Receitas para aumentar a imunidade, aulas de yoga online, terapia via facetime e tantas várias aulas e cursos virtuais. Nunca se buscou tanto como ficar melhor e mais saudável. E muitos de nós nem estavam doente, certo?

O Covid-19 tem nos transformado como humanos e também como humanidade. E uma das grandes tarefas da nossa evolução é aprender a lidar com o nosso presente, sozinhos. Estamos todos interconectados graças à internet, mas estamos em isolamento social (ou deveríamos estar). O mundo lá fora existe e provavelmente é o mesmo, mas ele já não é mais tangível.

Em um texto para o The New York Times, o jornalista americano Adam Grant escreveu sobre a última tarefa do astronauta Scott Kelly. Para a sua quarta missão no Espaço, Kelly ficou 340 dias literalmente em trabalho remoto e isolamento social (E você aí reclamando que não senta em um bar há dois meses!).

Segundo Grant, a diferença é que Kelly teve tempo para se preparar. Ele sabia que não veria ou abraçaria os amigos e familiares por um bom tempo, por exemplo. Ele também sabia que um “bom tempo” era impossível de definir. Sua viagem, à trabalho, tinha passagem de ida marcada apenas. O que Kelly poderia levar consigo era apenas sua força e sua imaginação.

VIAJAR NO TEMPO

A psicologia diz que apenas humanos são capazes de viajar no tempo mentalmente. Isto é, lembrar-se do passado e imaginar o futuro. Com o devido controle emocional e prática, podemos inclusive ter a sensação que o tempo passou mais rápido ou mais devagar, dependendo da qualidade de nossas experiências.

Ser um mestre em viajar no tempo ajudou o astronauta a ser resiliente e terminar sua missão. Kelly contou que, em todo o tempo que ele esteve no espaço, ele focava em como queria se sentir quando a missão terminasse, segundo Grant.

Essa atitude pode ser algo valoroso para praticarmos nos tempos atuais. Psicólogos dizem que olhar para o futuro de forma positiva muda questionamentos que trazem ansiedade e frustração, o que acaba por dificultar o viver no presente.

Se pararmos de nos perguntar “como” vamos sobreviver e mudarmos para “por que” vamos sobreviver conseguimos respostas mais fáceis de serem articuladas e mais significativas. Isso nos dá propósito. E foi o que Kelly nos ensinou. Ele queria terminar a missão e tinha um porquê emocional para isso. Ele imaginava como estaria se sentindo após o sucesso no trabalho. E isso lhe deu resiliência e força para o seus 340 dias de, literalmente, isolamento social.

Parafraseando o poeta Guimarães Rosa, se temos fé, não vemos a desordem ao nosso redor. E você, já se perguntou como quer se sentir quando tudo isso passar?

Adam Grant é escritor, apresentador de podcast e psicólogo da Universidade de Wharton, nos EUA. Para ler sua reportagem toda no NYT (em inglês), clique aqui.

Jornalista, pós-graduanda em Práticas Contemplativas e Mindfulness pela PUC-Rio. Aquariana, viciada em café e podcast, acredita na humanidade mas tem fortes dúvidas sobre Deus.

Gabriela Pimenta – já escreveu posts no Follow the Colours.


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