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Breve história da Cor Rosa como Tendência no Design, Moda e Decoração

Breve história da Cor Rosa como Tendência no Design, Moda e Decoração

Após mudanças estabelecidas pela pandemia, a cor rosa tem sido muito utilizada para trazer alegria. Entenda conotações;

O rosa é uma cor conhecida por criar emoção e comoção. Tom raro na natureza, quase sempre é preciso trazê-lo de forma artificial para criar nuances. Embora historicamente o rosa é visto como uma cor feminina, em dias atuais, é preciso descaracterizá-la e pensar na modernidade que traz. Mas antes de tudo, vamos voltar um pouquinho no tempo.

Segundo dados da história, até 1900, originalmente, a cor rosa era ligada ao gênero masculino; considerada uma versão pastel do vermelho – essa é a razão pela qual o menino Jesus frequentemente aparece vestido com o tom em pinturas antigas.

O azul, relacionado ao manto da Virgem Maria era uma cor das meninas, pois tem como simbologia a constância e a fidelidade. Porém, não se sabe quando exatamente essa troca de significado ocorreu.

Jesus em vestes cor de rosa. Obra La Maestá, têmpera e ouro sobre painel de madeira, 1308-1311, criada pelo pintor italiano e pré-renascentista Duccio di Buoninsegna;

Cor de Rosa para Meninos e Azul para as Meninas

Algumas teorias dizem que a inversão e referência dos tons como conhecemos hoje (rosa para meninas, azul para meninos) aconteceu em 1920 durante a revolução da moda.

As crianças, que antes vestiam trajes que pareciam miniaturas das roupas dos adultos, passaram a usar vestimentas mais confortáveis tingidas com índigo artificial, pigmento recém descoberto na época.

Outras, confiam na tese de que foi na década de 80, quando amplificar as diferenças de idade e sexo, tornou-se estratégia fundamental para o marketing infantil. Porém, mesmo com essa evolução dos assuntos relacionados a gênero, muitas pessoas continuam se apegando a estes valores tradicionais.

Em 2016, Pantone traz Mudança de Atitude

Em 2016, a Pantone anunciou 2 tons para a sua Cor do Ano; o Pantone 13-1520 Rose Quartz e o Pantone 15-3919 Serenity, que tinham como objetivo sacudir as visões antiquadas e trazer uma mudança de atitude.

Mesmo assim, a dualidade dos tons masculino x feminino continuou a manter a conhecida norma de gênero relacionada a estas cores, principalmente pelos conservadores.

A Cor do Ano de 2016 da Pantone: a ideia de escolher os dois tons foi inspirada nos movimentos sociais que pedem a igualdade dos gêneros;

Logo depois tivemos o hype em torno do Rosa Millenial (começo 2017-2018), querendo transformar novamente o significado, antes ligado a feminilidade, em uma conversa sobre identidade.

A tendência trouxe ótimos resultados para o mercado: nesta época, o número de peças tidas como masculinas em tons de rosa cresceu 40% nas redes fast-fashion internacionais. O Rosa Millenial, claro, migrou e virou febre na decoração de interiores.

O rosa milenar se tornou um “novo neutro” porque tende a funcionar bem com muitas outras cores, adicionando um certo brilho. Imagem: Sampleboard
O imóvel encanta com detalhes em rosa na fachada;

O Rosa e a Revolução Digital

Quando avançamos para o hoje, vemos o rosa tendo um novo significado quando falamos em Revolução Digital. Frequentemente inserido em renderizações, jogos, na moda digital, em NFTs e até no Metaverso, a cor transpassa vanguarda.

Porém, a cor de rosa da era digital traz tons mais limpos e vibrantes, e na maioria das vezes mistura lilás ou azul, passando uma visão futurista da criatividade.

A Poltrona Hortensia, de Andrés Reisinger & Júlia Esqué, reproduz de forma inovadora a beleza da flor na natureza e é inspirada na necessidade humana básica de calor e conforto;

O artista digital Andres Reisinger, muito conhecido por utilizar as ferramentas digitais e 3D em um universo de possibilidades, tem uma questão interessante sobre o uso do rosa em seu trabalho. 

“Costumo usar bastante a cor rosa, tom raro na natureza, porém presente no quartzo rosa. Acredita-se que o cristal, que possui frequência energética de 350Hz, ‘eleva e harmoniza’ o centro de energia do coração. Por esse motivo, uso o rosa como se tivesse uma propriedade curativa, unindo-o as curvas do corpo humano, uma grande inspiração para o meu trabalho”.

Reisinger ganhou um grande destaque pelas renderizações de mobiliários surreais e foi um dos primeiros artistas a fazer vendas virtuais das peças através de NFTs;

Já o estilista Virgil Abloh disse uma vez a Earlwyn Covington da Damn Magazine: “Sou sensível às cores, porém, elas são as raizes na arte e no design. Uma cor imediatamente traz emoção e não é por acaso que um dos meus principais projetos chama-se Off-White. Quando falo do rosa, quero resgatar o seu significado na infância – já que nosso cérebro foi programado para rosa como feminino e azul como masculino. Eu acho que nessa narrativa está a raiz da minha prática artística, que é tentar resolver de alguma maneira essas noções preconcebidas baseadas em verdades escolhidas. À medida que você cresce, percebe que isso não é fato, apenas um consenso.”

Virgil Abloh inseriu o tom em muitas das suas criações: tanto autorais quanto em monogramas das peças Louis Vuitton, quando era designer da marca;

Moda Dopamina: Tendência pós- pandemia

Com a pandemia, o desejo de voltar a vida “normal” e sentir profunda alegria virou prioridade mundial. Os estudos de futuros previsíveis trouxeram então a chamada Moda Dopamina, nome que faz referência ao neurotransmissor que quando liberado provoca sensação de prazer e aumenta a motivação.

A tendência acabou se traduzindo à outras áreas, já que com tantas incertezas e grandes mudanças, veio o anseio de se vestir ou consumir de uma maneira mais otimista e alegre.

Tons de verde, azul e amarelo, especialmente tranquilizadores e consistentes, e os vibrantes como rosa e laranja, tem garantido essa emoção. A cor de rosa é uma das que mais atende e entende esta necessidade com grande vigor.

A Moda Dopamina tem a intenção de melhorar o humor através das cores e  estampas alegres e otimistas. Imagem: Wendys LookBook

O rosa está tão em alta que a Dolce & Gabbana não apostou em apenas um tom de rosa, mas em vários para sua coleção de Alta Moda Verão 2022, para se aproximar das gerações mais jovens e dialogar até com o universo dos games e do metaverso. 

Dolce & Gabbana traz o conceito de futurismo cibernético em coleção para o Outono/Inverno de 2022. Imagem: divulgação;

Orchid Flower

Recentemente, o portal de pesquisa de tendências, WGSN, em parceria com a Coloro, anunciou que Orchid Flower (rosa vibrante) é a cor que mais tem se destacado, já que nela há a intenção da positividade e do escapismo.

O magenta mais escuro, intenso, bastante versátil, é cheio de energia e pode ser aplicado tanto na vida “real” quanto na “digital”, além de ressoar na moda praia, roupas esportivas, na decoração e na beleza.

O Orchid Flower oferece um tom moderníssimo também para a decoração. Imagem: Katarzyna Bialasiewicz/Getty Images

Também funciona bem para todas as estações e continentes, pois traz um alerta de boas sensações – e tende a crescer em todas as indústrias de design.

Looks com a cor de rosa Orchid Flower. Imagem: Laura Biagotti FW21 + Batsheva FW21 © Catwalkpictures.com
Se você deseja usá-lo em abundância ou apenas em pequenos detalhes, certamente o rosa vibrante ajuda a revitalizar qualquer espaço. Imagens: Trend Design Book

Boa escolha para o momento atual

O rosa é fluído, pode ser feminino, masculino, sem gênero, moderno, divertido, refinado e expressivo. É essa qualidade enigmática que ainda mantém a conversa sobre a cor rosa, 6 anos após o lançamento do Pantone 13-1520 Rose Quartz.

Embalagem de tequila em tom rosa: as linhas criam uma identidade simples mas impressionante. O produto se mostra conciso e consistente;

Mesmo com o passar dos anos, a Pantone continua a destacar o tom para a decoração de interiores, o design e a moda, já que diferentes paletas oferecem uma sensação calma e restauradora, satisfazendo o anseio atual por conforto. 

Ao mesmo tempo, há as nuances que expressam a necessidade de nos libertarmos da restrição, celebrar a vida e ter mais energia.

A cor de rosa foi atualizada e bem estabelecida pela Pantone, e é uma forte opção para o momento de ter mais confiança;

Enquanto os mais claros e suave exibem um toque delicado e os florais perfumados promovam bem-estar, o pastel é mergulhado em diversão. Os mais quentes e de alto astral ainda energizam e elevam.

Recentemente, várias marcas brasileiras lançaram um produto inusitado um tanto quanto inusitado, o vaso sanitário, na cor rosa, tom utilizado em banheiros dos anos 70;

Como uma cor intermediária entre magenta e vermelho, o rosa mantém aspectos emocionais e seus atributos são diversos. Ele não consegue deixar de nos deliciar, além de estimular os sentidos para seu significado continuar a evoluir.

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