Uma marca de mochilas, bolsas, carteiras que nasceu pensando em quem ama viajar. A Beatnik & Sons foi criada em Curitiba e produz mochilas e acessórios de viagem unindo moda, sustentabilidade e design contemporâneo.

A empresa slow fashion brasileira traz incríveis peças feitas à mão dentro de uma produção sustentável, sem desperdício, justa para quem produz e para quem compra, desenvolvendo assim a economia local e utilizando 100% de matéria-prima do país. E o melhor: todas as mochilas, bolsas, pastas e malas possuem garantia vitalícia.

BEATNIK & SON: A MOCHILA DO VIAJANTE URBANO

A Beatnik & Sons nasceu em 2016 com R$10 mil de estoque em lona e couro de primeira linha que foram transformados em 434 mochilas. Dois anos depois esse foi o número de itens vendidos em apenas cinco dias de Black Friday.

A ideia surgiu quando dois publicitários na faixa dos 30 uniram seu amor por viagem e a paixão pela geração beat para desenhar e costurar mochilas pensadas para travellers urbanos – que vão de casa para o trabalho, ou que amam ganhar o mundo nas férias e tirar períodos sabáticos pela vida. Em pouco tempo, os dois coiotes do logotipo já viajaram pelos cinco continentes.

No ateliê Beatnik, as costureiras têm ganho fixo mas também recebem por unidade produzida. “Quanto mais a gente vende, mais elas ganham. E esse arranjo mantém a empresa leve, justa e responsável. Queremos que as pessoas levem nas costas mais do que uma mochila. Que levem a mensagem de um modelo em que todos crescem”, explica Lipsio Carvalho, com ênfase numa certeza: está fora de cogitação usar mão de obra barata, terceirizada fora do país.

Conversamos um pouco mais com Lipsio Carvalho, CEO da Beatnik & Sons, para saber mais sobre a marca, vem ver:

FTC: Como surgiu a Beatnik & Sons? 

A Beatnik surgiu como uma válvula de escape minha e do Renan para a nossa veia criativa, da nossa vontade de produzir coisas legais que aliassem nosso amor por viagens com algo que fosse esteticamente atraente. Isso veio ao encontro da onda que pede transparência no segmento da moda.

Percebemos que poderíamos fazer coisas bonitas relacionadas à viagem, que fossem produzidas de uma maneira justa. As gerações mais jovens querem comprar produtos que tenham impacto social e que sejam feitos em uma cadeia de produção transparente. Foi a partir desses princípios que começamos a construir a Beatnik & Sons em 2016.

Tanto eu como o Renan temos um background muito semelhante no início de trajetória profissional. Somos publicitários, criativos de agência de propaganda, e tínhamos o desejo de empreender. A diferença é que o Renan continuou na trilha da direção de arte e design, enquanto eu enveredei para o caminho dos negócios e me tornei um gestor de marketing.

FTC: Por que decidiram usar como material o couro e a lona?

Muitas pessoas acreditam que substituir o material é tornar o produto sustentável, quando na verdade isso pode ser um tiro no pé. Para a gente, um dos principais fatores da sustentabilidade é a durabilidade. Se você compra uma única mochila que vai durar para sempre com você, certamente essa mochila, independentemente do que for feita, vai ter um impacto muito menor do que uma mochila feita de plástico que dura um ano e obriga você a comprar outra.

Não existe nada menos sustentável do que o fast fashion, do que produtos que duram pouco. Então a gente escolheu como os principais pilares construtivos do produto não só couro, mas a melhor qualidade de couro, e a lona encerada. A escolha dos materiais faz com que nossos produtos durem muito mais do que a maioria dos vendidos no mercado, e garante que sejam mais sustentáveis.

FTC: Podem falar mais sobre o que inspiraram a criar a marca?

O nome Beatnik vem da geração beat, que é um movimento de contracultura norte-americano do final dos anos 1950 e começo da década de 1960. Os livros e obras produzidas por poetas e escritores desse movimento, como Jack Kerouac, tinham esse espírito viajante, de você colocar uma mochila nas costas e sair por aí desbravando o mundo, descomplicando a viagem e disponibilizando a aventura para todos. O movimento beat foi a faísca do que veio depois a ser o movimento hippie, e hoje temos um paralelo de pensamento muito interesse com os hipsters.

Quem seguia o movimento beat era chamado beatnik, daí veio a inspiração da marca. Nossos produtos são feitos para as pessoas que, por mais que trabalhem das 9 às 18 horas todo dia, têm um pouco de beatnik dentro de si, por que no fundo elas gostariam de estar em outro lugar, viajando o mundo, e a nossa mochila é a conexão entre essa vontade e o que ela realmente está fazendo.

FTC: Como vocês enxergam esse resgate do sustentável, das startups no meio de tanta tecnologia, rapidez e consumo excessivo de coisas?

A gente acredita muito que já passou da hora de parar e pensar no que está acontecendo, para onde queremos levar o planeta e o que queremos deixar para os nossos filhos. Isso pode acontecer numa escala individual, mas também precisa acontecer na escala que tem mais impacto, das empresas. Começamos no nível das pequenas, até alcançarmos as grandes organizações e governos.

A nossa parte, como marca, é contribuir para que os produtos sejam feitos para durar, como eles eram antes, para que o consumidor tenha um valor real naquilo que ele compra. Muitas pessoas compram nossas mochilas porque elas são bonitas e descoladas, mas no final das contas, mesmo sem saber, essa pessoa está ajudando a manter uma cadeia de produção sustentável com pagamento justo para todos os envolvidos, e está comprando um produto que não vai precisar de troca tão cedo, o que automaticamente diminui o impacto.

Acreditamos que todas as marcas deveriam abraçar a sustentabilidade não só como uma linha de produtos, mas como uma filosofia, um modelo de trabalho. Se todas as marcas abraçarem esse modelo, certamente teremos uma mudança muito mais drástica no panorama do nosso planeta.

FTC: Podem dizer algumas referências que tem tudo a ver com a marca? E agora, o que vem pela frente? 

O que nos inspira é o que nos leva para frente. Em 2019, a Beatnik passou por um momento crucial que é o de expansão global. Nós nascemos como uma marca brasileira, mas também nascemos com um jeitinho global, porque a gente é inspirado pelas viagens que fazemos, pelas pessoas que viajam com a gente, e quanto mais os nossos travelers viajam e nos mandam fotos com suas mochilas e bolsas Beatnik & Sons, mais nos inspiramos.

Muito mais do que os livros que serviram de inspiração para o começo da marca, como o On the Road e toda a bibliografia beat, hoje, o que mais nos inspira são os nossos travelers, eles sim são os verdadeiros beatniks.

E como a viagem está no DNA da marca, em 2019 decidimos viajar como marca também, expandindo nosso mercado para a América do Norte. Nossos planos futuros são, no curto prazo, para 2020, continuar entregando e lançando novos produtos, e levar nosso espírito para consumidores de fora do Brasil, mas sem nunca tirar do Brasil o nosso modelo de produção.

Por mais que a marca esteja se internacionalizando, a produção segue toda em solo brasileiro, gerando empregos no país e mantendo a uma produção local. O que era uma produção local para consumo local se tornou agora uma produção local para consumo global. E quanto mais a gente crescer, mais queremos levar nossa gente com a gente, que essa cadeia produtiva cresça junto. Queremos conquistar o mundo, mas sempre a partir do Brasil.

As mochilas, bolsas e acessórios incríveis estão todos disponíveis para compra no site da Beatnik and Sons. Acompanhe a marca e todos os lançamentos no Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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