O que você conhece de Brasília? Clarissa vai te contar um pouco do muito que sua cidade tem a oferecer.

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Clarissa Jurumenha é quase publicitária, quase jornalista e quase stylist. Aliás, nos seus (também quase) 26 anos, sua vida se baseou bastante na aproximação. Quase isso, quase aquilo, quase aquilo outro. Mas ela não vê nada disso como uma realização negativa. De quase em quase construiu uma carreira, conheceu pessoas do mundo inteiro, viajou, fez um bocado de cursos, aprendeu muito.

Tudo começou com sua paixão pela moda, ao escrever como repórter para o portal Metrópoles de Brasília. Lá, falava sobre “Vida&Estilo” e, claro, muito sobre moda. Em uma matéria sobre ateliês, lojas e showrooms brasilienses, ela chegou ao incrível número de 30 locais com espaço físico “Made in Brasília” e fez uma pergunta um tanto quanto confusa: “Quantas vezes valorizei a moda da minha cidade?”

Afinal, aonde está a moda brasiliense? Pensando nisto, ela decidiu dar início ao “Brasília na Mala”, um projeto de valorização da cultura local. Em todas as suas viagens, ela começou a se desafiar a vestir completamente de sapatos, roupas e acessórios fabricados em Brasília. Foi assim que descobriu uma quantidade grande de novos designers, novas lojas e novos talentos.

Sua primeira viagem aconteceu em outubro de 2016 para o Rio de Janeiro – e com várias parcerias: MUG Store, Helmet dress, Balboa Clothing, Born Concept, Bossa Brand, Hoy Ahoy!, Money Don’t Buy, Baroque Ateliê, Wolf, foxbride e By Moh para montar a mala.

Conseguiu usar somente “looks” locais, e isso a deixou imensamente feliz. O que teve início com uma hashtag sendo utilizada em seu perfil pessoal tornou-se uma página no Facebook e um perfil oficial no Instagram a fim de registrar todos esses talentosos artistas.

A proposta agora é retratar não somente uma imagem de uma marca, mas também um pouco de sua história. Fazendo isto, um catalisador da moda local.

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“O brasiliense precisa conhecer Brasília e quem aqui produz. Valorizar a cultura local é como abraçar o cidadão vizinho silenciosamente numa afirmação companheira”.

Confira entrevista exclusiva com Clarissa, criadora do Brasília na Mala:

FTC: Conta pra gente num tweet, quem é a Clarissa?

Um mix e match de tatuagem, gostos exóticos, café e um pouco (muito) imprevisível.

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para se interessar por moda e estilo?

Eu assisti “Meninas Malvadas” com a minha melhor amiga de infância (até hoje somos amigas). E dai me lembro que naquela época terrível da moda nos anos 2000, a gente ficava se inspirando na Regina George e queríamos ser as descoladas do colégio. Estávamos na 7ª série, acho. Por aí a coisa foi andando sem parar, lendo as Caprichos que ditavam o estilo adolescente e etc.

Acabamos conseguindo ser as ‘descoladas’ quando ousamos ir numa festa de 15 anos de vestido com calça jeans e uma Melissa, daquele modelo bem antigo, Aranha. Sim, eu sei. Esse look foi um erro. Não sei quem disse na época que era legal ser Ashley Tisdale, hahaha. Não sei bem quando rolou o estalo, acho foi uma progressão! Só sei que fui criando cada vez mais gosto pela coisa e queria fazer isso ser minha profissão de alguma forma, então sempre estudei sozinha. Ainda tenho muito a aprender!

Como surgiu o projeto Brasília na Mala

Eu era estagiária em um portal de notícias de Brasília, na editoria de Vida&Estilo. Uma vez tive uma pauta que me pedia para apurar e mapear as lojas de Brasília (roupa, sapato, acessório, etc) de produtores locais. Deram cerca de 30 espaços físicos, sem falar dos que só vendem online ou por redes sociais. Fiquei um pouco chocada, porque tinha vários amigos que tinham marcas e percebi que eu não comprava muito localmente.

Me deixou tão inquieta esse resultado, que decidi como um desafio pessoal realmente me vestir só de moda brasiliense. Coincidentemente, estava com viagem marcada para o Rio de Janeiro e comentei com um amigo que criaria essa hashtag. Joguei a ideia em uma conversa com as meninas da Helmet Clothing um dia, elas acharam bem legal e falaram: “Clá, ali está nossa mala de produção. Abre e pega o que você quiser!”.

Fiquei super chocada! Tipo, como assim pega o que eu quiser? Era consignado, mas ainda assim. Criei gosto e empolgação, conversei com outras marcas amigas, algumas que já havia trabalhado, outras que por conta do estágio tinha iniciado algum contato e quando vi, na primeira viagem, sem nenhuma página nas redes sociais eu tinha 12 marcas na mala comigo. Foi incrível!

FTC: No seu olhar, por que tanta gente não valoriza artistas e criadores de sua própria cidade?

Ainda estou tentando entender essa parte! Muita gente fala comigo, comenta algo do tipo “Mas como assim, essa roupa é tão bem feita, não pode ser de Brasília”. Como não pode, minha gente? Claro que pode. Acho que as pessoas criaram uma barreira pessoal mesmo. Se é feito em produção local e/ou baixa, não tem qualidade. A verdade é completamente oposta!

Os produtores menores têm muito cuidado em fazer algo único, com qualidade, muitas vezes exclusivo. Cada marca tem um por trás, uma história, um começo difícil. Acho que precisamos valorizar o famoso “compre de quem faz”. As pessoas costumam também ter um apego com ‘nome’. Aquele famoso ‘é de marca, é bom’. Não funciona bem assim!

Vejo gente pagando absurdos em camisetinhas básicas em redes de fast fashion, que é uma produção bastante sem embasamento criativo, um esquema muito copia e cola. Dai vem um artista local com uma camiseta irada, um desenho estudado, um cuidado com a produção. Ele cobra o mesmo preço. A pessoa desiste, alegando ser caro, como se o artista não tivesse um valor por seu trabalho, sabe? Na contramão, vejo muita gente aderindo ao movimento de valorização do local. Isso é incrível!

FTC: Você poderia nos citar algumas marcas independentes legais de Brasília que todo mundo PRECISA conhecer?

São todos incríveis, sem juízo de valores! Mas algumas que me identifico pessoalmente (até agora) são a MUG Store, Rafael Lòpez, Mina NagôDane-se, Phenomena Store, Biena, LuizaSant, Love Boh, Fabricado, Helmet Clothing e as camisetas iradas da Verdurão. Ainda tem muito para se explorar por aqui!

FTC: O que te dá mais prazer de viver em Brasília? E com o projeto, ao divulgar a produção brasiliense?

Brasília é uma cidade nova, e se posso falar algo pelo brasiliense que vive aqui, é uma cidade que estamos aprendendo a amar. Essa é a realidade. Mas vejo a cena cultural local crescendo e, putz, é muito massa fazer parte disso! Me dá muito gosto estar aqui e ver a gente se tornando grande, sabe?

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Agora vem o site. O site vai divulgar além da moda, arquitetura, decoração e vai até ter espaço para entrevistas com os produtores, artistas, atores, designers, músicos e tudo o mais da nossa cidade. É muita coisa que precisamos conhecer!

FTC: Um bate-bola rápido.

Pessoa Incrível? Kate Moss (mulherão da porra!)

Música/Banda? Música “Emoticons”, do The Wombats. Banda, Alt-J.

Artista/Designer/Fotógrafo (a)? Andy Warhol, desde sempre para sempre. O cara era artista, publicitário, designer, fotógrafo, drag e melhor pessoa.

Sobremesa? Mousse de limão com chocolate meio amargo.

Um lugar para visitar em Brasília sem falta? Conic. Lá rola de encontrar do 8 ao 80, arte, roupa, vinil, uma galera mandando ver no skate, graffiti, cafezinho do bom, espaço pra balada que fica em frente à Igreja Universal, por aí vai.

Se ganhasse na loteria? Aí eu ia querer viajar o mundo e falar sobre a produção brasileira!

Acompanhe o projeto Brasília na Mala no siteFacebook Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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