Estilo de vida contemporâneo e expressão individual. A Cycleland é uma marca slowfashion brasileira formada pela designer de moda Naly Cabral e o designer gráfico Rafael Afonso, que nasceu como uma reflexão sobre o lifestyle urbano e a mobilidade.

A Cycle foi criada como parte do trabalho de conclusão do curso de Design de Moda de Naly e o projeto nasceu a partir da união de duas coisas, o prazer pela criação e a vontade de desenvolver uma marca em que ela acreditasse e que pudesse inspirar as pessoas. “Já tinha a bicicleta como minha forma de mobilidade preferida, então isso se encaixou perfeitamente com a proposta”.

A experiência lhe proporcionou liberdade criativa e muito conhecimento em todas as áreas envolvidas (criação, produção e comunicação). A maior dificuldade no processo foi a formação de uma equipe capacitada e motivada e o tempo exigido para selecionar os melhores fornecedores. O tempo passou, a ideia se fortaleceu e o uso da bicicleta no cotidiano como conceito materializa os fundamentos essenciais da Cycle como a independência, a consciência ecológica e o bem estar.

CYCLELAND: EXPERIMENTALISMO E ESPONTANEIDADE

“Estamos no mercado há 5 anos e fizemos uma pausa de quase 2 anos sem lançar coleções, apenas produtos em parcerias como a Jaqueta Flan com as meninas do Canela e o figurino da Banda Liniker e os Caramelows para o Euro Tour do ano passado. Nesses dois anos construímos uma casinha, adotamos mais um cachorro e eu trabalhei em uma grande empresa como coordenadora de produto, mas não me encaixei nesse tipo de indústria corporativa política, agora, mais do que nunca, é muito importante voltar para a Cycle com mais energia”, conta Naly.

Toda coleção é limitada a poucas unidades, isso permite que o processo de criação e execução seja acompanhado de maneira muito próxima e resulte em peças de design autêntico. Confira entrevista com Naly e conheça um pouco mais da Cycleland!

FTC: Qual o principal diferencial da Cycleland?

Naly: Eu diria que a criação é o nosso diferencial e o momento mais importante na Cycle, onde eu desenho sem parar e sem restrições. Tudo isso ao lado do Rafael (marido/designer gráfico/pedreiro/pintor/marceneiro) e o meu braço direito Lilian (arquiteta/professora de yoga/modelista). Juntos, definimos sobre o tema, nome da coleção e a estética. O conceito vai ficando cada vez mais nítido até chegar ao produto.

O tema é o principal ponto de partida para as coleções, então a primeira fase da criação é ficar aberta aos movimentos da sociedade que possam ser traduzidos para nossa linguagem. A segunda fase é a mais livre, procuro experimentar formas e composições sem me preocupar com a viabilidade. Depois, gerar uma base de ideias bem abrangente passo para a seguinte fase, onde selecionamos as melhores ideias e me junto ao restante da equipe para testar a execução das peças e refinar as soluções ergonômicas do produto.

FTC: Há quanto tempo cria e quais materiais mais utiliza?

Sempre utilizamos algodão com elastano. Gosto da estrutura do tecido plano, mesmo ele não sendo tão prático como as malhas. Uso bastante malha com tecnologia, seja uma poliamida biodegradável ou um poliéster reciclado e tecidos impermeáveis.

FTC: A gente já falou bastante aqui sobre o lowsumerism, sobre marcas veganas, slowfashion e a conscientização do consumidor. Onde e como vocês se encaixam nisso?

Bem, a Cycleland é 100% vegana, já que não usamos nada de origem animal.

Somos slowfashion, somos pequenos, e por isso nosso controle é feito pessoalmente. Atualmente tenho uma costureira que faz as peças (pagamos um valor que varia de 25 % a 33 % do valor da peça), isso é considerar a costureira como parte fundamental do processo. Então tentamos seguir o bom senso, tecidos nacionais, nada de exploração e aproveitamos tudo – desde da embalagem até os tecidos. Atualmente não temos descartes de matéria-prima, até os retalhos são doados para costureiras.

Lowsumerism: Como nossa produção é muito pequena, não passa de 30 peças por modelo, lançamos as coleções com um mix de peças enxuto pensando em peças atemporais para o consumidor tê-las por uns cinco anos. Consumir menos será um processo natural e a indústria da moda terá que se adaptar a um novo ciclo de produto.

FTC: A criação dos armário-cápsulas parece que veio para ficar. Vocês tem peças totalmente inspiradas em um certo lifestyle e na mobilidade urbana. Qual as dicas que vocês dariam para quem quer iniciar esse processo?

A Cycleland foi ganhando forma e estilo, isso é gradual e bem importante para definir os produtos que vão para o mercado. Imagino que seja o mesmo processo para criar um armário-cápsula. Precisamos nos imaginar em situações do nosso cotidiano com determinada peça, pensar sempre na mensagem que queremos passar com as roupas ou se estamos usando um look apenas funcional.

FTC: Qual foi primeira peça que criaram e o que ela hoje representa para vocês?

Na faculdade criei uma capa de chuva cheia de recortes de refletivos verde limão, bem conceitual! Hoje ela representa a vontade de fazer produtos funcionais com linguagem de moda.

FTC: Com o que vocês se inspiram?

Nada específico, mas gosto muito de esporte, praia e observar o comportamento das pessoas.

Coleção Raia, Desperta… 

Uma linha divide a superfície e a mente flui ao deslizar sem limites como um nado continuo.

Perceber diferentes meios, outras densidades, o contraste entre peças de tricô, tingimentos manuais e malhas tecnológicas com shapes que oferecem liberdade, se mostram amplos, elásticos e confortáveis.

Cinzas, azuis e preto sugerem o clima introspectivo, permitindo que se dilua os contornos entre o real e o imaginário no ambiente etéreo, onde um traço é apenas orientação para se perder em um mergulho infinito.

FTC: Uma frase que define a “vibe” da Cycleland.

Simples para ser independente e independente para ser original.

Saiba mais sobre a Cycleland no site oficial da marca! Acompanhe as novidades no Facebook e Instagram!

Fotos: Mauri Cherobin. Modelo: Carine Wallauer. Stylist: Naly Cabral + Lilian Penteado.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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