A FALHA surgiu do interesse de seu criador, Felipe Marques, de questionar os padrões de gênero na Moda. Ela visa, através das modelagens, das cores, texturas e estampas, naturalizar todos os corpos e incentivar que as pessoas se vistam da maneira como se identificam.

Aos 28 anos de idade, Felipe conta que o conceito da FALHA surgiu durante o seu trabalho de conclusão do curso de Design de Moda, no final de 2017. O projeto previa a criação de uma marca e desenvolvimento de uma coleção. E desde sua concepção ela já se colocava como agênero, ou seja, as peças não são criadas para serem usadas por um gênero específico.

Natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde vive e trabalha, Felipe conta que o nome “FALHA” surgiu através do desejo de ressignificar uma palavra que é muito usada para definir os corpos que fogem do padrão de gênero: “Propomos assumir essas ‘falhas’ e entender que divergir do padrão é enaltecer sua singularidade. Um ato corajoso de força e resistência. Somos a soma de recorrentes falhas que nos trouxeram até aqui”, ele diz.

O nome também entendido como um elemento de quebra de padrões. “A falha está no piso de caquinho na casa da vó, na tinta que descascou na parede da sala, na louça oriental que se quebra e é restaurada com ouro, no mosaico, no artesanato, naquilo que é produzido à mão”, conclui.

Além de ser uma marca de roupas, a FALHA também tem a intenção de ser uma ferramenta de comunicação com o público. Felipe conta que a moda agênero tem o poder de desconstruir o binarismo homem-mulher no modo de se vestir, e que a marca se propõe a criar uma atmosfera onde o público se sinta a vontade para performar seu gênero e se expressar de forma geral.

A Arte, a expressão do corpo, as cidades, as movimentações urbanas e a ocupação dos espaços públicos também fazem parte das inspirações da marca. Além disso, ela se coloca no mercado como um empreendimento de moda autoral, que repensa o consumo e investe em peças de qualidade e duradouras, e que fortalecem a indústria criativa local.

COLEÇÃO “ONDE VIVEM OS MONSTROS”

A primeira coleção da marca recebeu o nome de “Onde Vivem os Monstros”, em referência ao filme de mesmo nome dirigido pelo americano Spike Jonze, lançado em 2009.

No filme, Max é um garoto que foge de casa através da imaginação e se transporta para uma ilha misteriosa cheia de monstros onde se torna rei e, portanto, responsável por evitar que a tristeza exista naquele lugar.

A coleção conta com um total de 20 peças que combinam cores fortes e alegres. E as tonalidades foram escolhidas com a intenção de resgatar o lado lúdico da infância e “aquilo que os pequenos ‘monstros’ foram privados por terem que amadurecer depressa demais, a inocência e a simplicidade de ser criança”, segundo Felipe.

As modelagens das peças são maiores e permitem que cada um expresse seu corpo como preferir, e a marca encoraja que o público faça as pazes com seus “monstros internos” e se expresse livremente através das peças que vão de shorts até camisas, camisetas, quimonos e diversas outras.

O lançamento da FALHA aconteceu em novembro de 2020 e se você quiser conhecer mais sobre a coleção “Onde Vivem os Monstros”, acesse o site e o instagram da marca.

Affonso atua como artista visual e ilustrador e tem dificuldade em ficar parado. Amante dos trabalhos manuais desde pequeno, ele se dedica ao bordado manual como expressão artística e acredita que com criatividade é possível transformar o espaço e as pessoas ao seu redor.

Affonso Malagutti – já escreveu posts no FTCMAG.



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