Seu projeto foi lançado no Dia Internacional da Mulher e traz uma reflexão sobre aceitação e padrões sociais. 

Durante toda vida, nós mulheres crescemos e somos ensinadas a nos encaixar em certos padrões de beleza. A mídia, por muito tempo, só reforçou aquilo que era visto como bonito pelo senso comum, mas isso vem mudando há algum tempo.

Hoje, graças à internet, muitos veículos de comunicação tornaram-se mais heterogêneos, quebrando padrões e exaltando diversos tipos de beleza, o que inclui diversidade de tipos de corpos, cabelos e por aí vai.

Também vivemos um tempo de mudanças graças à propagação do feminismo, que entre outras bandeiras defende o amor próprio de cada mulher, valorizando seus atributos e ajudando-as a aceitar questões naturais que elas negaram a vida inteira, como estrias ou celulites, acreditando que ninguém mais no mundo também tinha essas e outras marcas no corpo.

Radhika Sanghani, uma jovem britânica de origem indiana, pele escura e nariz “grande e torto” nunca se via representada em campanhas publicitárias ou outros meios. A jornalista de 27 anos, resolveu então criar a sua própria campanha, lançada este ano – não por acaso – no Dia Internacional da Mulher.

Em um exercício de autoaceitação, Radhika decidiu quebrar o tabu em torno de narizes grandes e criou o projeto Side Profile. Ele começou como um desafio pessoal e se tornou uma campanha viral pelo mundo. A ideia é que pessoas possam também desafiar a si mesmas e postar uma foto de perfil do seu nariz, que consideram feio ou grande, usando a hashtag #SideProfileSelfie.

#SideProfileSelfie

No Instagram, já são mais de 2.900 fotos, acompanhadas de relatos emocionantes de mulheres que passaram a se aceitar melhor e de adolescentes dizendo que vão tentar amar seus narizes ou que por causa da campanha cancelaram cirurgias que já estavam marcadas.

Ao expor sua maior insegurança, Radhika estava ajudando a si mesma e a outras mulheres. Postar uma foto dessas em uma rede social é um grande passo para muitas pessoas, principalmente mulheres, que são constantemente oprimidas com um padrão de beleza ideal. É empoderador ver tantas fotos de algo que sempre foi tido como feio, e que é parte de você, sendo espalhadas por uma rede social como completamente normal, uma celebração da diversidade.

Quando tinha 17 anos, sua mãe perguntou se ela gostaria de fazer uma cirurgia de correção em seu nariz. Radhika nunca havia contado à sua mãe sobre o quanto ela odiava seu nariz “grande e torto”, mas a mãe havia escutado uma conversa em que a filha reclamava para uma amiga de que ela nunca era paquerada.

A jornalista disse que sua mãe também fez outra proposta, de que esse dinheiro poderia ser usado para ajudar a comprar o seu primeiro carro. Hoje, dez anos depois, Radhika diz que se sente aliviada ao ter escolhido pelo carro. “Há dez anos atrás, minha única opção era uma rinoplastia. A cirurgia parecia invasiva, cara e perigosa. Eu ainda tenho o mesmo nariz grande, mas hoje tenho orgulho dele”, escreveu para a GlamourUK.

Imagem enviada para a campanha /Sigalive Magazine

Radhika costuma citar a rainha egípcia Cleópatra, que, diferentemente daquela retrata por Elizabeth Taylor, era uma mulher que tinha um nariz grande, e ainda assim tida como uma das mulheres mais belas de sua época.

Em artigo para o The Guardian, a jovem cita uma frase do filósofo Pascal: “Se o nariz de Cleópatra fosse menor, toda a face da terra teria mudado”. Ou seja, o nariz grande de Cleópatra era também um símbolo de força para ela, fugindo da imagem da mulher delicada e frágil.

Aqui no Brasil, o segundo país no ranking de maior população que adere às cirurgias plásticas, também temos algumas mulheres para nos inspirar, como Mariana Weickert e Gisele Bündchen, ambas modelos e que abraçaram seus narizes como diferenciais em suas carreiras. Outro exemplo é a jornalista e blogueira Vic Ceridono, que constantemente faz vídeos sem medo de mostrar o seu perfil, e que já foi alvo de críticas na internet.

Radhika diz que às vezes ainda sente insegurança em relação ao seu nariz, mas que ao olhar todas as fotos compartilhadas no Instagram, ela sente um grande conforto. A jornalista tem planos de futuramente montar uma exposição com as fotos de todas as pessoas que enviaram suas fotos, numa celebração da autoaceitação.

Imagem enviada para a campanha pelo Twitter/Molly

Siga o perfil de Radhika Sanghani no Instagram ou visite seu site. Acompanhe nas redes sociais a hashtag #SideProfileSelfie e inspire-se!

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade. Escreve um blog sobre meio ambiente, sustentabilidade e consumo consciente. Também se dedica a cozinhar, como forma de prazer e arrisca novas receitas no tempo livre.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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